Mais um ensaio sobre a irreconciliável oposição entre o bem estarismo e o abolicionismo.
Para muitos pode parece contraditório, à primeira vista, mas é importante que todos façamos esta reflexão: ir propondo situações em que "o sofrimento dos animais vá sendo gradualmente diminuído" na verdade funciona como LEGITIMAÇÃO de sua exploração.
Afinal, se se tratasse de direitos humanos, ninguém teria sequer a coragem de afirmar que escravos deveriam ser abatidos com menos crueldade ou "menos sofrimento" ...
A arapuca pervertida seria imediatamente percebida.
Norah
Uma questão de "tudo ou nada"?
- por Sergio Greif
É certo que os direitos dos animais não serão conquistados da noite para o dia. Da noite para o dia as pessoas não se conscientizarão de que os animais possuem direitos inalienáveis, e ainda que o façam, provavelmente não adotarão o veganismo de uma vez. Certamente as pessoas não passarão, tão rápido quanto desejamos, a considerar a prática de um crime contra um animal na mesma categoria que consideramos os crimes contra seres humanos. Neste ponto concordam tanto as pessoas que defendem os direitos dos animais, quanto aquelas que acham que podemos continuar explorando-os, desde velando por seu "bem-estar".
No entanto, há profundas discordâncias quanto ao que se pode fazer nesse meio tempo, qual a estratégia a ser adotada para de fato proteger os animais. Aqueles que lutam pela idéia de "bem-estar" animal defendem que, não sendo possível promover os direitos dos animais a curto prazo, deve-se promover sua exploração de maneira mais "compassiva", "menos ruim". Esta idéia, obviamente, contrapõe-se à idéia fundamental de que os animais não devem ser explorados e por isso ela deve ser rejeitada pelas pessoas que acreditam nos direitos dos animais.
Simplesmente não há porque comemorar quando o Centro de Controle de Zoonoses passa a "sacrificar" animais abandonados por um método menos doloroso, ou quando se aprova uma lei pelo "abate humanitário" de bovinos, porque essas não são conquistas em favor dos direitos dos animais. Essa estratégia apenas reafirma a idéia de que o que fazemos, que é anti-ético, pode ser resolvido simplesmente alterando a técnica. Essa idéia é especialmente perigosa quando vemos que muitos "protetores de animais" apóiam tais mudanças como se fossem "vitórias pela causa". Isso é simplesmente a antítese de qualquer reconhecimento de que animais possuem direitos inalienáveis.
Por outro lado, em defesa dessa estratégia, têm-se dito que a luta pelos direitos dos animais, o que convencionou-se chamar de "abolicionismo", é uma utopia para o momento e que os abolicionistas adotam a política do "tudo ou nada". Por essa política de "tudo ou nada" entenda-se que, uma vez que a completa abolição da escravidão animal não é possível, não vale a pena lutar por pequenos ganhos. Essa má concepção é obviamente falsa, como veremos a seguir.
O movimento abolicionista jamais defendeu que seja possível tornar as pessoas veganas da noite para o dia, e muito menos o modo de ação desse movimento fundamenta-se na política do "tudo ou nada". O que esse movimento defende, sim, é que nem tudo o que se faz em nome dos animais é em seu benefício e que, muitas vezes, o que fazemos nos levam mais para longe de nossos objetivos. Toda ação merece uma reflexão: Que benefícios tal ação pode trazer para a causa? Vale a pena despender energia e atenção do público para promover objetivos que não sejam nossos objetivos finais? Vale a pena uma entidade que se empenha em associar seu próprio nome com a defesa dos animais ou com um estilo de vida compatível com seus direitos promover algo que esteja em desacordo com esses objetivos? Há possibilidade dessa ação contribuir de alguma forma com objetivos oposto à causa?
Em verdade, o que aqueles que lutam pelos direitos dos animais defendem é que uma informação que leve as pessoas a concluir algo diferente daquilo que queremos que elas concluam é pior do que informação nenhuma. E uma ação que resulte em conseqüências que nos levem em direção diferente àquela para a qual queremos ir e pior do que ação nenhuma. Isso não é "tudo ou nada", porque é possível fornecer às pessoas informações parciais mas que lhes indiquem o caminho a seguir e é possível se empenhar em pequenas ações que nos levem na direção correta. É possível se empenhar em uma campanha por um objetivo pontual mas que não esteja em desacordo com os direitos dos animais. Isso é significativamente diferente de adotar um objetivo que seja contrário aos direitos dos animais, ainda que aparentemente esteja ao seu favor.
Da noite para o dia...
Quando a informação é transmitida de forma clara e indubitável, as pessoas podem apreciá-la e entendê-la; não há confusão. Ainda que as pessoas não se sintam capazes de colocar esse conhecimento em prática, por uma série de fatores sociais, econômicos ou pela própria conveniência, o conhecimento foi adquirido. Com o tempo ele poderá ou não ser colocado em prática, mas isso dependerá exclusivamente do livre arbítrio da pessoa. A mensagem foi passada e entendida, cabe à pessoa começar a seguí-la tão logo sinta-se pronta.
Querer manipular a qualidade e profundidade da informação com base no que a população está preparada para seguir torna a mensagem confusa e contraditória. Os objetivos passam a se distanciar dos objetivos originais e, ainda que essa mensagem possa alcançar a mais pessoas, ela não representa de fato um ganho pela causa. A entidade sim, pode ganhar: doações de particulares e de outras entidades, incentivos governamentais, alianças com outras instituições... mas isso apenas beneficia à entidade e não à causa pela qual ela deveria estar lutando.
Para entendermos o prejuízo desse processo de "nivelamento por baixo", tão recorrente nos grupos que defendem o bem-estar animal, tomemos como exemplo outras entidades que lutam por causas nobres: O que seria da luta anti-tabagista se a Sociedade Brasileira de Pneumologia passasse a recomendar cigarros com menos nicotina e alcatrão, "já que as pessoas não vão parar de fumar da noite para o dia"? O que seria da luta contra o alcoolismo se a Alcoólicos Anônimos adotasse a idéia de que consumir cerveja é "menos ruim" do que consumir bebidas destiladas? Se ela mantivesse um discurso do tipo "já que as pessoas não vão parar de beber da noite para o dia, pelo menos que bebam bebidas menos fortes"? Se um grupo de combate às drogas pedisse para que as pessoas só fumassem maconha aos fins de semana? Que credibilidade essas entidades teriam se derivassem seu discurso para esse caminho?
No caso da defesa dos animais as questões são as mesmas. Não há como acreditar em uma entidade que se diga protetora de animais quando sua defesa é que animais de laboratório podem ser usados desde que o cientista se comprometa com seu "bem-estar", utilizando técnicas mais refinadas e em um número reduzido de animais. O que dizer de uma entidade que se empenha em participar de "comitês de ética na pesquisa", como se a utilização de animais saudáveis em experimentos científicos e demonstrações didáticas, de alguma forma pudesse ser justificável pela ética?
O que dizer de uma entidade que, ao invés de pregar pelo vegetarianismo estrito, se empenha em promover um sistema de exploração animal "menos ruim"? Galinhas e vacas criadas soltas, sem hormônios, para a produção de carne, leite e ovos? As entidades alinhadas com a idéia da promoção do "bem-estar" animal defendem que esse sistema de criação é positivo, porque os animais não "sofrem excessivamente". Referem-se aos modernos métodos de criação mecanizada em termos negativos e fazem referências à época áurea em que os animais eram criados soltos na fazenda, sendo "respeitados pelos fazendeiros".
Ocorre que, passando essa mensagem ao público, o que se entende é que o abate de animais, sua exploração propriamente dita, não é um erro. Que o erro está na forma como isso é feito. Fala-se em "abate humanitário", um termo totalmente fora de propósito, porque abater um animal saudável jamais será um ato de compaixão, um favor que se faz para ele. Da mesma forma, fala-se em leite de vacas sem hormônios, em queijo sem coalho animal, em ovos de galinhas criadas soltas, etc, como se essas pequenas alterações no sistema de exploração fossem a solução para o problema em si.
É claro que a maior parte da população não deixará de comer ovos ainda nessa década, nem é essa a concepção daqueles que defendem os direitos dos animais. Isso não quer dizer que os grupos de "proteção" animal tenham o direito de estabelecer quais ovos podem ou não ser consumidos, porque o que se espera de um grupo que de fato respeita os animais é que a mensagem seja sempre a de que é errado explora-los, não importa por quais meios.
A pessoa que cultiva um hábito alimentar onívoro, uma vez que entenda e aceite esses argumentos, provavelmente não se tornará imediatamente vegana, e nem é isso que se espera que ela faça. É provável que ela abandone o consumo de carne vermelha, carne branca e por algum tempo ainda mantenha o consumo de ovos e laticínios. Mas porque esse tempo de transição existe e deve ser respeitado, não significa que devamos alterar o discurso. Consumir produtos de origem animal continuará vinculado à exploração de animais, como o era no inicio, apenas que nesse momento entendemos que a pessoa esteja adaptando seu sistema e seus hábitos a uma nova situação, que poderá durar décadas e poderá estar repleta de tentativas mal sucedidas. Aqui fica claro que não é uma questão de "tudo ou nada", porque a fase de transição existe e pode perdurar por muito tempo.
Quando grupos deixam de promover o veganismo, acreditando que as pessoas não adotarão imediatamente esse hábito, e passam a promover algum outro hábito alimentar intermediário onde se faça uso de produtos de origem animal, na verdade encontramos uma mensagem truncada, corrompida e até contraditória. Porque toda a argumentação em favor de um hábito alimentar vegetariano em verdade se aplica ao vegetarianismo estrito, não servindo de suporte ao consumo de ovos, leite, mel ou outros produtos de origem animal. Parece claro que o ovo-lacto vegetarianismo é um prelúdio ao vegetarianismo estrito; trabalhar o ovo-lacto vegetarianismo como objetivo final contradiz o veganismo e todos os argumentos em favor do vegetarianismo.
De igual maneira, admitir que resultados obtidos de experimentos com animais não se aplicam para seres humanos e ao mesmo tempo defender que animais necessitam continuar sendo usados em laboratórios enquanto não forem criadas técnicas que os substituam são duas informações essencialmente contrárias entre si.
Trabalhar duas frentes antagônicas é contraditório, confunde a informação e parece mostrar que existem formas de amenizar o que fazemos com os animais, tornar sua exploração de alguma forma ética. Dessa forma, as más obras acabam por encobrir as boas obras, e a energia dispensada para causar desinformação à população sobrepuja a energia gasta para produzir boas informações. O saldo é negativo.
Abolição - o caminho a seguir...
Vemos surgir, em tempos mais recentes, um movimento de fato pelos direitos dos animais. Esse movimento ainda está se estruturando, ganhando forma, mas certamente deverá diferir significativamente dos movimentos que aí se encontram. Por não adotar nenhum modelo pré-existente, possivelmente seu trabalho passará despercebido. Mas seu objetivo não será fazer política ou aparecer, e sim promover o fim da exploração animal.
Se esse movimento virá a se constituir em uma ou mais entidades ainda não podemos saber, mas particularmente creio que isso seja desnecessário. Cada vez mais me convenço que as entidades podem contribuir muito pouco para o fim da exploração animal. A solução parece não estar nas mãos de um grupo nem de políticas miraculosas, mas sim em uma inversão de valores de toda a sociedade e no trabalho despretensioso de seus indivíduos.
Sobre o autor:
Sérgio Greif - Biólogo formado pela UNICAMP, mestre, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais.
Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas.
Membro fundador da Sociedade Vegana.
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário? - por Sergio Greif
Em se tratando de falsificação da Verdade e desprezo pela Ética, nada mais triste do que o conceito de "abate humanitário".
Faço esta postagem hoje como uma espécie de recadinho à WSPA Brasil e aos bem estaristas de plantão no Brasil.
Que, aliás, continua BEM QUIETINHA no que diz respeito à exportação de animais VIVOS pelo Brasil e no caso da tragédia anunciada dos JEGUES brasileiros.
"Abate Humanitário"???????????????????
DESAFIO vindo de um cineasta francês: OLHE nos olhos desta VAQUINHA durante o o ABATE para chegar à sua mesa. Espero honestamente que quem argumenta em termos de "cadeia alimentar", ignorando a OPÇÃO que o homem TEM, ao contrário dos animais selvagens, sinta-se suficientemente mal e que repense sua relação com aquilo que ainda considera sua "comida" por direito divino (?!).
O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário?
De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.
Humanitário . . . bem-estar . . . palavras muito fortes e que não refletem o que realmente querem dizer. Termos como “humanitário” e “bem-estar” deveriam ser aplicados apenas nos casos em que buscamos o bem do indivíduo, e não para as situações em que procuramos matá-lo de alguma forma.
Quando enviamos ajuda humanitária à Africa não estamos enviando recursos para que os africanos possam se matar de uma forma mais rápida e menos dolorosa. Não estamos pensando: “Bem, aquele continente vive na miséria, cheio de fome, doenças e guerras, vamos resolver isso matando-os”. Ajuda humanitária significa alimentos, água, remédios, cobertores . . . intervenções realmente em benefício daqueles indivíduos.
Quando falamos em bem-estar social, bem-estar do idoso, bem-estar da criança, não estamos pensando em outra coisa senão proporcionar o bem a essas pessoas. Jamais pensamos em métodos de matá-los com menos sofrimento, porque isso seria o contrário de bem-estar, seria o contrário do que consideramos humanitário.
Por isso, quando escutamos alguém falar em “abate humanitário”, isso soa como um contra senso. A primeira palavra representa algo que vai contra os interesses do indivíduo e a segunda encerra um significado que atende aos seus interesses. Igualmente, a idéia de “bem-estar de animais de produção” é um contra senso, pois a preocupação com o bem-estar implica em preocupar-se com a vida, e não visar sua morte ou exploração de alguma forma.
Essas duas idéias - abate e humanitário - só se harmonizam quando a morte do animal atende aos seus próprios interesses, como no caso em que o animal padece de uma enfermidade grave e incurável e a continuidade de sua vida representa um sofrimento. Nesses casos, a eutanásia, dar fim a uma vida seguindo uma técnica menos dolorosa, pode ser classificada como humanitária, e uma preocupação com o bem-estar.
As organizações e campanhas que pregam pelo abate humanitário alegam que esse é um modo de evitar o sofrimento desnecessário dos animais que precisam ser abatidos. Mas o que é o “sofrimento necessário” e o que diz que animais “precisam ser abatidos”?
O abate de animais para consumo não é, de forma alguma, uma necessidade. As pessoas podem até comer carne porque querem, porque gostam ou porque sentem ser necessário, mas ninguém pode alegar que isso seja uma necessidade orgânica do ser humano.
Porém, se comer carne é hoje uma opção, não comê-la também o é. Se uma pessoa sinceramente sente que animais não devem sofrer para servir de alimento para os seres humanos, seria mais lógico que essa pessoa adotasse o vegetarianismo, ao invés de ficar inventando subterfúgios para continuar comendo animais sob a alegação de que esses não sofreram.
A insensibilização que antecede o abate não assegura que o processo todo seja livre de crueldades, especialmente porque o sofrimento não pode ser quantificado com base em contusões e mugidos de dor. Qualquer que seja o método, os animais perdem a vida e isso por si só já é cruel.
Caso todo o problema inerente ao abate de uma criatura sensível se resumisse à dor perceptível, matar um ser humano por essa mesma técnica não deveria ser considerado um crime. Caso o conceito de abate humanitário fizesse sentido, atordoar um ser humano com uma marretada na cabeça antes de sangrá-lo e desmembrá-lo não seria um crime, menos ainda matá-lo com um tiro certeiro na cabeça.
Está claro que a idéia de abate humanitário não cabe, e nem atende aos interesses dos animais. Mas se não atende aos interesses dos animais, ao interesse de quem ele atende?
A questão é bastante complexa, porque envolve ideologias, forças do mercado, psicologia do consumidor e política, entre outros assuntos. O conceito de abate humanitário atende aos interesses de diferentes grupos (pecuaristas, grupos auto-intitulados “protetores de animais”, políticos, etc.) não necessariamente integrados entre si.
Pecuaristas tem interesse no chamado abate humanitário porque ele não implica em gastos para o produtor, mas investimentos que se revertem em lucros. A carne de animais abatidos “humanitariamente” tem um valor agregado. O consumidor paga um preço diferenciado por acreditar que está consumindo um produto diferenciado. Possuir um selo de “humanidade” em sua carne significa acesso a mercados mais exigentes, como o europeu. Além disso, verificou-se cientificamente que o manejo menos truculento dos animais reflete positivamente na qualidade do produto final, portanto, mudanças nesse manejo atendem aos interesses do pecuarista pois melhoram a produção e agregam ao produto.
Os chamados protetores de animais tem interesses no abate humanitário, mas não porque este é condizente com o interesse dos animais. Em verdade esses “protetores“ não se preocupam com animais, talvez sim com cães e gatos, mas não com animais ditos “de produção”. Esses “protetores de animais” não os protegem, eles os criam, depois os matam e depois os comem. Eles podem não criá-los nem matá-los, mas certamente os comem e mesmo quando não o fazem por algum motivo, não se opõe a que outros o façam.
“Protetores de animais” lucram com o conceito de abate humanitário, pois isso lhes rende a possibilidade de fazerem parte do mercado. Há entidades de “proteção” animal que se especializaram em matar animais. Sob a pretensão de estarem ajudando aos animais, elas mantém fazendas-modelo onde pecuaristas podem aprender de que forma melhorar sua produção de carne, leite e ovos e de que forma matar animais de uma maneira mais aceitável pelo ponto de vista do consumidor comum. Podem também lucrar servindo como consultores em frigoríficos.
Simultaneamente, essas entidades fazem propaganda no sentido de convencer o consumidor de que todo o problema relacionado ao consumo de carne encontra-se na procedência da carne, na forma como os animais são mortos, e não no fato de que eles são mortos em si. A fórmula é muito bem sucedida, pois essas entidades acabam gozando de bom prestígio entre pecuaristas e consumidores comuns, não se opondo a quase ninguém. Políticos vêem na aliança com essas entidades a certeza de reeleição, e por isso elas contam também com seu apoio.
Exercendo seu poder para educar as pessoas ao “consumo responsável” de carne, essas entidades não pedem que as pessoas façam nada diferente do que já faziam. Elas não propõe uma mudança de fato em favor dos animais, pois os padrões de consumo da população mantêm-se os mesmos e os animais continuam a ser explorados. A diferença está no fato de que essas campanhas colocam a entidade em evidência. A entidade se promove, deixando a impressão de que ela faz algo de realmente importante em nome de uma boa causa. Dessa forma as pessoas realizam doações e manifestam seu apoio, ainda que sem saberem ao certo o que estão apoiando.
Com a carne abatida de forma “humanitária”, o consumidor se sente mais a vontade para continuar consumindo carne, pois o incômodo gerado pela idéia de que é errado matar animais para comer é encoberta pela idéia de que, naqueles casos, os animais não sofreram para morrer. E o pecuarista lucra mais porque pode cobrar um preço maior por seus produtos, bem como colocar seus produtos em mercados mais exigentes.
De toda forma, os interesses desses grupos não coincide com os interesses dos animais, e por esse motivo não faz sentido que esses grupos utilizem nomenclaturas tais como como 'bem-estar' e 'humanitário', que podem vir a dar essa impressão.
Entidades que promovem o abate humanitário não protegem animais, mas sim promovem sua exploração. Elas estão alinhadas com os setores produtivos, que exploram os animais e não com os animais. Se elas protegessem animais trabalhariam pelo melhor de seus interesses. Seriam eles mesmos vegetarianos e não consumidores de carne. No entanto, adotando sua postura e sua retórica, não desagradam a praticamente ninguém, e dessa maneira enriquecem e ganham influência.
Entidades que realmente promovem o bem dos animais se esforçam em ensinar às pessoas que animais jamais devem ser usados para atender às nossas vontades. Elas devem se posicionar de forma clara a mostrar que comer animais não é uma opção ética, e que não importa que métodos utilizemos de criação e abate, isso não mudará a realidade de que animais não são produtos e que o problema de sua exploração não se limita à forma como o fazemos.
Ainda que uma campanha pelo vegetarianismo provavelmente conte com menos popularidade e menor adesão da população, até porque isso demanda uma mudança verdadeira na vida das pessoas, certamente uma campanha nesse sentido atende ao interesse real dos animais.
Ainda que reconhecendo que abater animais com menos crueldade é menos ruim do que abatê-los com mais crueldade, repudiamos que o abate que envolve menor crueldade seja objeto de incentivo. Eles não deveriam ser incentivados, premiados, promovidos ou elogiados, porque um pouco menos cruel não é sinônimo de sem crueldade, e só porque é um pouco mais controlado não quer dizer que é certo ou correto.
Sobre o autor:
Sérgio Greif - Biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade,ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais.
Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas.
Membro fundador da Sociedade Vegana.
sábado, 10 de março de 2012
VERGONHAS BRASILEIRAS da semana - GENOCÍDIO altamente lucrativo?
O Brasil (leia-se os "comandantes" do Brasil) esta semana se superou em barbaridade e despropósitos. Dois ESCÂNDALOS varreram o mundo, enquanto a midia nacional ficava bem quietinha ....
O primeiro deles refere-se à MORTE LENTA em alto-mar de um "carregamento" de boizinhos que partiu da Amazônia para o abate no Oriente Médio, hoje denunciado internacionalmente como o tipo mais BÁRBARO, CRUEL e ODIOSO de que o mundo tem notícia.
Lá os animais são mantidos conscientes e são degolados uns em frente aos outros, impiedosamente.
Não que eu considere qualquer tipo de abate aceitável. Muito pelo contrário.
Mas, além do HORROR que experimentam em seus momentos finais, os animais transportados VIVOS por longas distâncias, em navios, estão sujeitos a um grande TERROR adicional: o transporte em condições absolutamente INDIGNAS e REPULSIVAS: aglomerados, sem água e sujeitos a todo tipo de indignidade, muitos morrem já no trajeto, depois de um grande e lento sofrimento.
Pois bem: foi exatamente ISSO o que aconteceu com cerca de 3 MIL boizinhos embarcados no navio egípcio Gracia del Mar.
Os demais ficaram DIAS entregues à própria sorte, cercados dos corpos em putrefação de seus companheiros no NAVIO da MORTE. Uma forte tempestade parece ter provocado danos ao navio,provocando avarias em seu sistema de ventilação.
Antes disto, o sofrimento já era IMENSO, com baixíssimas temperaturas. Esta combinação de fatores resultou na morte rápida de cerca de 3 mil animais.
Os demais foram abandonados à própria sorte, já que nenhum porto se dispunha a recebê-los, pelo medo de contaminação em função dos animais em putrefação.
Foram dias e dias de HORROR para os animais sobreviventes.
NEM UMA ÚNICA LINHA sobre isto foi publicada na imprensa brasileira.
Enquanto isso, o caso foi notícia e ESCÃNDALO em todo mundo. AQUI não se disse uma palavra sobre a tragédia.
http://www.examiner.com/sustainable-living-in-new-york/doomed-cattle-ship-not-allowed-to-dock-on-red-sea
http://www.farmersguardian.com/home/latest-news/thousands-of-cattle-dying-at-sea/45326.article
http://egyptunbound.blogspot.com/2012/03/cattle-dying-in-egypts-suez-canal.html
http://www.ciwf.org.uk/news/transport_of_live_animals/dying_cattle_stranded_on_red_sea_ship.aspx
http://newscliptv.com/hot/dyingcattle.html
O MÁXIMO que tivemos foi uma nota OMISSA, OFENSIVA, DISTORCIDA e PARCIAL:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1057741-bois-que-seriam-exportados-para-o-egito-morrem-em-navio.shtml
Foi necessária a intervenção de uma ONG do Reino Unido, a Compassion in World Farming, para que o fato chegasse ao conhecimento dos brasileiros. Esta sim, mobilizou-se e iniciou rapidamente uma campanha pela intervenção das autoridades brasileiras. Sem respostas.
A intervenção da Compassionate in World Farming permitiu, depois de mais de 40 mil e-mails de cidadãos de todo o mundo, que os animais restantes fossem finalmente desembarcados.
Entretanto, infelizmente, não se conseguiu até aqui qualquer informação acerca de para onde terão sido encaminhados.
Ou seja, não se sabe que tipo de VIAGEM & MORTE SANGRENTA enfrentarão ainda pela frente.
Depois desta tragédia, em que os animais sobreviventes ficaram sem socorro, por dia, enquanto os países se recusavam a desembarcá-los ou a lhes oferecer qualquer tipo de atendimento veterinário mínimo, foi criada uma petição internacional dirigida à World Organisation for Animal Health (OIE), para que isto NUNCA MAIS volte a acontecer. Por favor, assinem e compartilhem, em caráter de URGÊNCIA a petição neste sentido da PETA UK, que se dispôs a fazer o que as grandes ongs brasileiras teriam tido o DEVER de FAZER!
http://action.peta.org.uk/ea-action/action?ea.client.id=5&ea.campaign.id=14276&ea.tracking.id=pukaeadv&forwarded=true
Como mulher e como brasileira, senti-me ENVERGONHADA.
E transtornada, por empatia, ao sequer tentar imaginar pelo que passaram estes pobres animais. Este é o DESTINO dos animais exportados VIVOS para o exterior.
Seja pelo Brasil, seja pela Austrália, seja por que país for.
Esta "indústria" CRIMINOSA é responsável pelo SOFRIMENTO MÁXIMO de milhares de seres sencientes que, ou MORREM de EXAUSTÃO, SEDE, TERROR, CALOR ou pela AGLOMERAÇÂO ainda dentro do navio, OU São ABATIDOS das formas mais VIS de que se possa ter notícia.
ISTO __ o embarque de seres vivos para a MORTE no Oriente __ tem causado ESCÂNDALO em todo o mundo.
Populações, conselhos de veterinários mundo afora se reúnem para tentar IMPEDIR que este HOLOCAUSTO, "muito lucrativo" para uma meia dúzia de empresários-genocidas, prossiga.
http://legalaction4animalrights.net/2012/03/05/veterinarians-form-new-group-opposing-live-export/
POIS BEM: o HORROR da SEMANA não se encerrou aí.
Não bastasse o que JÁ ACONTECE aqui no Brasil, com a exportação de boizinhos VIVOS para o Oriente __ inovação recente nas "artes negras" do HOLOCAUSTO ANIMAL __ agora o atual governo e seus associados pretende fomentar a CHACINA dos JEGUES do nordeste, "uma vez que foram substituídos por motocicletas" (japonesas).
Foi NESTES TERMOS que a imprensa divulgou o "acordo em andamento":
http://oglobo.globo.com/economia/jumento-tipo-exportacao-4235052
VIDAS, e não "coisas"
ANIMAIS, e não "gado"
Animais não são mercadoria, não são sintéticos e não são "comida".
E não "brotam" em pedaços para ser embalados. Ou, se suficientemente bem "embalados", chegam ilesos ao destino final de transporte.
O que se vê embalado nos supermercados são pedaços esquartejados de seus corpos, um dia VIVOS e com sangue correndo pelas veias.
Capazes de sentir,. dor, medo, amor, e apego à VIDA e a seus filhos, tanto quanto nós.
E MAIS: ainda que alguns duvidem, vacas, bois, galinhas, porquinhos, perus, patos, carneirinhos, jegues, são ANIMAIS, tanto quanto cães, gatos, cavalos, macacos e humanos.
Mesmo que os bem estaristas digam o oposto, já que servem aos interesses dos humanos e não ao dos animais..
Como um dia alguém disse, "não como nada que tenho olhos".
E outro disse: "não como nada que tenha filhos".
Digo eu: não como meus irmãos menores da Criação.
Lamentavelmente, em certos momentos não há como deixar de ser CLARO e nos referirmos aos "parâmetros" que o atual governo exercita.
Despudorados, impiedosos, anti éticos e , porque não, dizer, INDECENTES.
Tudo em nome do "progresso" e do lucro. De muito poucos. Os de sempre: ruralistas, pecuaristas e mineradores.
EM DETRIMENTO da VIDA e da HONRA de uma nação.
LUTAR pelos direitos dos animais é ASSUMIR uma posição.
Infelizmente contrária à tendência dominante (política e social).
Sem MEDO de EXPOR FATOS.
Não "impressões" vagas ou preferências. POSIÇÔES ÉTICAS. VALORES.
Embora em desuso, por não serem "lucrativos", VALORES EXISTEM enquanto uma sociedade ainda merecer este nome.
Este é o único motivo pelo qual provavelmente sempre estaremos na contramão da MAIORIA, tornada apática ou comprada pela falsa ótica difundida pela mídia do Brasil.
Que aliás, mostrou-se INCAPAZ de se referir à TRAGÉDIA em alto mar no navio egípcio e cujas referências quase elogiosas ao novo "negócio" relativos aos jegues são de fazer VOMITAR qualquer indivíduo ainda consciente e de plena posse de suas faculdades morais e mentais.
Como diria Darcy Ribeiro, com certeza é melhor LUTAR e perder nestas batalhas, já que seria terrível estar junto dos chamados "vencedores" que promovem estes crimes legalmente sancionados e compartilhados pelo poder público atualmente dirigindo este triste país.
Em minhas mãos não está o sangue da floresta, dos índios, ou dos animais.
E sobre a minha consciência não pesa o TERROR que hoje vigora.
Norah André
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sexta-feira, 9 de março de 2012
VIDEO- VIVISSECÇÃO: a Psicopatia da Pseudo-Ciência (3 partes)
Preparamos um material visual com audio explicativo em português, de forma a levarmos ao conhecimento da sociedade informações sobre o que é a experimentação animal.
O video, chamado VIVISSECÇÂO: a PSICOPATIA da PSEUDO CIÊNCIA, foi postado no YouTUBE em 3 partes.
Seu objetivo é explicar certos conceitos básicos, como forma de adicionar INFORMAÇÃO à natural INDIGNAÇÂO que sentimos ao tomar conhecimento desta IMPOSTURA GENOCIDA praticada por uma ciência mentirosa.
Bem como CONVOCAR os brasileiros para que se unam a nós e compareçam às ruas no dia 28 de abril de 2012.
Link das cidades intggrantes:
http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/ii-manifestacao-nacional-anti.html
Vivissecção é BARBÁRIE GENOCIDA.
E uma IMPOSTURA do ponto de vista da verdadeira ciência.
Os genocidas sempre "gostaram muito deste mercado". Não à tôa a Bayer já enviava remédios para serem testados nos prisioneiros de Auschwitz, sob o comando de Mengheli, o Anjo da Morte.
O que mudou? Na verdade, o "grande e milionário negócio" assassino apenas re-orientou o seu alvo.
Como resultado, humanos ainda MORREM em nome do lucro de uma "ciência" que não hesita em explorar a MORTE, em detrimento da ÉTICA.
Afinal, o que são para eles as mortes de incontáveis milhares de criaturas e décadas de atraso no desenvolvimento da verdadeira ciência?
Parte I - http://youtu.be/olyMkGAS7Ik
Parte II - http://youtu.be/BpHzPoFrgpM
Parte III - http://youtu.be/TT2ksQPfl54
TOME PARTIDO. Assista também: http://youtu.be/sYG0apteUhA
O video, chamado VIVISSECÇÂO: a PSICOPATIA da PSEUDO CIÊNCIA, foi postado no YouTUBE em 3 partes.
Seu objetivo é explicar certos conceitos básicos, como forma de adicionar INFORMAÇÃO à natural INDIGNAÇÂO que sentimos ao tomar conhecimento desta IMPOSTURA GENOCIDA praticada por uma ciência mentirosa.
Bem como CONVOCAR os brasileiros para que se unam a nós e compareçam às ruas no dia 28 de abril de 2012.
Link das cidades intggrantes:
http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/ii-manifestacao-nacional-anti.html
Vivissecção é BARBÁRIE GENOCIDA.
E uma IMPOSTURA do ponto de vista da verdadeira ciência.
Os genocidas sempre "gostaram muito deste mercado". Não à tôa a Bayer já enviava remédios para serem testados nos prisioneiros de Auschwitz, sob o comando de Mengheli, o Anjo da Morte.
O que mudou? Na verdade, o "grande e milionário negócio" assassino apenas re-orientou o seu alvo.
Como resultado, humanos ainda MORREM em nome do lucro de uma "ciência" que não hesita em explorar a MORTE, em detrimento da ÉTICA.
Afinal, o que são para eles as mortes de incontáveis milhares de criaturas e décadas de atraso no desenvolvimento da verdadeira ciência?
Parte I - http://youtu.be/olyMkGAS7Ik
Parte II - http://youtu.be/BpHzPoFrgpM
Parte III - http://youtu.be/TT2ksQPfl54
TOME PARTIDO. Assista também: http://youtu.be/sYG0apteUhA
domingo, 4 de março de 2012
Ética e Dogma - Sergio Greif
Por mais que a Constituição nos assegure de que somos um estado laico, com uma separação bem definida entre a Igreja e o Estado,. todos sabemos que isto não é assim na prática.
Até os dias de hoje, a igreja vem sendo um entrave, intrometendo-se em assuntos que não lhe dizem respeito. Interferindo em questões como o uso de preservativos, ela é agente disseminadora da AIDS nos países africanos. Interditando o uso de anti concepcionais, ela acaba sendo a responsável por milhões de nascimentos não desejados, com as trágicas consequências de que todos temos notícia.
Por mais que achemos que a Inquisição é um fato já ultrapassado, o Vaticano continua sendo foco de escândalos que jamais serão propriamente investigados ou punidos pelo Estado, como é, por exemplo, o caso das crianças abusadas sexualmente por seus membros.
Banalizando e inferiorizando a condição da mulher, relegando os homossexuais aos planos infernais, demonizando a sexualidade humana, ela prima também por interferir no âmbito da pesquisa científica, dizendo despudoradamente o que agrada ou não ao Deus que diz servir.
Não é exatamente este o conceito de Deus que temos em mente.
Nem tampouco Jesus aprovaria tanta arrogância, tanta perseguição e exclusão de Seu Amor em seu nome.
No âmbito da experimentação animal, mais particularmente, como em tudo a que se refere o termo "holocausto" animal", a igreja católica, em sua IDOLATRIA do ego humano, muito bem caracterizada pela riqueza e exibições de arrogância papais e de seu clérigo, a igreja tem sido o PESADELO no caminho do progresso da causa dos direitos animais e da prevalência da Verdade, da Ética e do Verdadeiro Saber.
A INQUISIÇÃO continua, com seus instrumentos de DOR que tentam arrancar de suas vítimas __ hoje os não-humanos __ os "segredos" que eles não tem.
Seu objetivo: o mesmo de sempre. Dominação e Dinheiro, além da Superstição, hoje mantida pela pseudo-ciência.
Norah
Ética e Dogma
Sergio Greif
Nas discussões acadêmicas e extra-acadêmicas referentes à bioética, vemos uma forte participação da Igreja nas tomadas de decisão, afinal, 74% dos brasileiros são católicos nominais, embora em grande parte não praticantes ou praticantes de outras religiões.
Mas os números não são importantes, o importante é que o Brasil é considerado um país católico e, embora haja separação entre o Estado e a Igreja, a Igreja ainda exerce forte influência.
Seja uma discussão sobre eutanásia, aborto, uso de células-tronco… lá estão representantes da Igreja emitindo opiniões dogmáticas, agora sob o nome de “ética”. Ora, a ética não tem nenhuma relação com dogmas e esse conceito deve ser rejeitado.
A ética é racional, fundamentada e frequentemente contrária aos dogmas da Igreja.
Vejam-se os casos de pedofilia que envolvem a Igreja. Por uma questão irracional e provavelmente dogmática, padres pedófilos não são submetidos a nenhuma pena seja dentro, seja fora da Igreja. Sua punição com frequência envolve a transferência para uma nova Paróquia, onde ninguém tem ciência de seus crimes do passado e onde o pedófilo tem liberdade para continuar praticando seu vício.
Esse último episódio que envolve o arcebispo de Olinda e Recife e a excomunhão das pessoas responsáveis pelo aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto fornece outra prova disso. Sob o nome de “ética” a Igreja, o próprio Vaticano, opôs-se ao aborto, alegando preservação da vida humana. Oras, exatamente para a preservação da vida humana, da menina violentada, que esse aborto foi recomendado e autorizado.
Se a excomunhão não ocorreu, se a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil resolveu voltar atrás desse processo, revogando um édito do arcebispo e do próprio Vaticano, isso não foi feito por piedade, mas porque o assunto chamou a atenção pública, e a Igreja já está com a imagem abalada. Ironicamente, a CNBB emitiu nota condenando o estupro, mas jamais cogitou excomungar o padastro estuprador. Aparentemente o estupro fere a ética mas não os dogmas da fé.
Para o dogma, o estupro não é o pecado, o pecado está em salvar a vida da mãe e livrá-la de uma gravidez indesejada; o pecado não é proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, mas a distribuição de preservativos que “estimularão” as pessoas a praticarem sexo; o problema não está em nascer com malformação de algum órgão vital, o pecado é utilizar células congeladas e insensíveis para tentar alcançar a cura; não está em vegetar em cima de uma cama por décadas sem qualquer processo mental e sem nenhuma dignidade, o pecado está em desligar os aparelhos que mantêm o paciente preso a esse mundo.
A Igreja se coloca sempre em favor da preservação da vida e evoca sempre o mandamento não matarás, mas é óbvio que isso é apenas um argumento de retórica. Essa mesma preocupação incondicional com a preservação da vida e com o mandamento do Senhor não encontra eco quando se trata de outras vidas que não a humana e com frequência demonstra não se aplicar, tampouco, à vida humana.
O problema se encontra onde dogma e fé se confundem com ética e racionalismo.
As opiniões de qualquer grupo religioso são pertinentes apenas às pessoas que partilham aquele mesmo sistema de crenças. Para todas as demais pessoas, essas opiniões podem ser escutadas, à título de conselho ou por mera curiosidade, mas elas não devem pesar nas decisões finais aplicadas a toda a coletividade.
Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
sábado, 3 de março de 2012
Xenotransplantes - por Sergio Greif
A palavra "xeno" é um radical que vem do grego e tem o sentido de " estranho, estrangeiro".
Sendo assim, o termo "xenotransplante" se refere a um transplante "estrangeiro", ou seja, ao transplante de um órgão em uma espécie que, na origem, pertence a outra.
Mais um estapafúrdio projeto de pseudo-cientistas, que se disfarçam de "anjos salvadores da humanidade", enquanto continuam com sua saga assassina de não-humanos e provocam a morte de milhares de animais, usados como "cobaias" para sua agenda fadada ao fracasso.
Norah
Xenotransplantes
Sergio Greif
Pesquisadores de Munique (Alemanha) divulgaram na revista Transplantation haverem criado porcos geneticamente modificados. Esses porcos poderiam, em um futuro não muito longínquo, produzir órgãos que gerariam menos rejeição ao serem transplantados para seres humanos.
Essa técnica de transplante de órgãos de uma espécie para outra é conhecida como xenotransplante (em oposição ao alotransplante, ou transplante de órgãos entre animais da mesma espécie). Ela tem como alegado benefício permitir a redução nas filas de espera de transplante de órgãos, uma vez que a procura tem sido maior do que a oferta.
Até o momento, todos os pacientes que receberam xenotransplantes morreram em curto espaço de tempo, especialmente porque os mecanismos de defesa imunológica do organismo receptor tendem a destruir o órgão transplantado, reconhecendo-o como um corpo invasor.
Mas será que todo o problema relacionado com os xenotransplantes limita-se à reação imunológica do organismo receptor? E pode realmente esse problema ser resolvido com porcos geneticamente modificados?
Ainda que a modificação genética sofrida pelos porcos permita que as células dos órgãos por eles produzidos não sejam consideradas invasoras no organismo receptor, há outras questões que precisam ser consideradas em relação aos xenotransplantes.
Problemas éticos
O filme A Ilha (Warner Bros., 2005), com Ewan McGregor e Scarlett Johansson, traz muitos elementos que permitem iniciar uma discussão ética em relação aos xenotransplantes. Nesse filme, clones de seres humanos são mantidos em um laboratório para servirem como fontes de órgãos para seres humanos originais.
Embora o transplante de órgãos, nesse caso, não seja de uma espécie para outra, em termos éticos a situação é exatamente a mesma, pois em ambos os casos um organismo senciente é criado e mantido com a finalidade de fornecer material para transplante.
Os xenotransplantes, como os transplantes realizados no filme, são possíveis apenas mediante a morte de uma “cobaia”, um ser reconhecidamente capaz de sentir dor, medo, amor, enfim, todas as sensações a que estão sujeitos também os organismos que irão receber os órgãos doados. No entanto, por questões comerciais ou de preconceito, algo faz com que o organismo receptor tenha mais direito à vida que o organismo doador.
Em verdade não faz nenhuma diferença ética se tratamos de seres humanos ou animais, se o órgão não provém de doação, mas sim foi retirado à revelia, ou se essa retirada ocasionou na morte do organismo doador, o transplante deve ser considerado antiético.
Problemas técnicos
Por mais que se aleguem semelhanças entre os órgãos de porcos e seres humanos, essas afirmações são feitas mais com base em formato e volume, e não em fisiologia e metabolismo. As diferenças existem e são muito significativas, a ponto de não se poder afirmar que órgãos extraídos de animais poderão realmente manter um ser humano vivo, ainda que se exclua o problema da rejeição do órgão.
Mesmo sendo fato que existem analogias entre as moléculas produzidas por determinado órgão do porco em relação ao órgão do ser humano, uma pequena modificação na estrutura dessa molécula, característica da espécie fornecedora, pode comprometer todo o seu funcionamento no organismo da espécie receptora.
Dessa maneira, embora o órgão esteja ali presente e por um ou outro motivo não sofra rejeição, sua função metabólica é bastante limitada visto que o órgão não interage com o resto do organismo de maneira satisfatória.
Problemas com o surgimento de novas doenças
Os xenotransplantes trazem outro risco, que é o de permitir o surgimento de novas doenças. Homens interagem com porcos há milhares de anos e, embora a proximidade seja antiga, inclusive implicando a predação de uma espécie pela outra, em nenhum momento desse processo houve troca de material biológico in natura. Explica-se: tocar com a pele na pele de um porco é diferente de injetar soro de porco na veia. Comer carne de porco assada ou cozida é diferente de introduzir o fígado do porco diretamente no corpo humano.
Existe uma série de doenças conhecidas que os porcos podem transmitir para o ser humano. Todas essas doenças podem ser detectadas por exames simples. No entanto, há uma série de outras doenças que os porcos podem transmitir para o homem e que ainda não são nossas conhecidas. No organismos dos porcos, como no de outros animais, há bactérias e vírus que lá estão como simbiontes. Para o porco eles não representam doenças, pois esses parasitas ali evoluíram e encontraram seu equilíbrio. Porém, quando esses parasitas entram em contato com o organismo humano e encontram nesse novo hospedeiro uma nova possibilidade de colonização, novas doenças podem surgir.
Mesmo animais provenientes de biotérios, livres de germes e doenças conhecidas não estão certificados contra esses parasitas, que não são ainda conhecidos e nem serão enquanto não se tornarem um problema.
É irônico pensar que, caso seja resolvido o problema referente à rejeição de órgãos de outras espécies, uma pessoa que sobreviva ao transplante representará um risco para toda a população, pois tão logo essa pessoa volte ao convívio social, ela mesma se tornará veículo de transmissão de uma nova doença.
Problemas financeiros
As pesquisas referentes aos xenotransplantes já consumiram até o momento bilhões de dólares em todo o mundo, com taxa de sucesso insignificante. Isso parece incoerente com um mundo onde a maior parte da população não tem acesso aos serviços básicos de saúde. Além disso, pouco se investe em medicina preventiva, essa sim com potencial significativo de salvar vidas.
A solução do problema
Por todo o exposto parece claro que a solução para o problema da falta de órgãos para doação não passa pelos xenotransplantes. Xenotransplantes não são boas opções para reduzir a escassez de orgãos e tecidos humanos e a insistência nessa linha parece ter mais interesses econômicos envolvidos do que interesses em salvar vidas humanas.
A solução para o problema passa por sua compreensão: existe uma enorme fila de espera de pessoas que necessitam de órgãos e tecidos e uma pequena quantidade de órgãos e tecidos para doação. O problema seria resolvido se houvessem menos pessoas necessitando de órgãos e houvessem mais órgãos disponíveis.
Faz-se necessário questionar:
– O que torna essa demanda por órgãos tão grande? Será que todos os casos em que transplantes são recomendados necessitam realmente de transplantes? Será que a aplicação de melhores técnicas de diagnósticos e cirurgias poderia diminuir bastante essa demanda?
– Será que algumas dessas doenças não poderiam ser evitadas mediante campanhas de prevenção, possibilitando à população permanecer saudável em vez de negligenciar sua saúde até que a população adoecesse para então buscar a cura?
– Será que muitos problemas de malformação de órgãos não estariam associados à exposições indevidas ocorridas durante a gestação, fatores que poderiam ser evitados?
– Será que muitos dos pacientes que receberam órgãos já não o fizeram em estado muito avançado da doença, comprometendo sua sobrevida e o órgão doado que poderia ter sido mais bem aplicado em outro paciente com melhores chances?
– Será que já se fez tudo o que era possível para aumentar o número de doações de órgãos para transplantes? Uma melhoria na estrutura de captação não permitiria que o número de órgãos disponíveis aumentasse?
Além disso, existem alternativas muito mais promissoras do que os xenotransplantes para, ao menos, aumentar a sobrevida de pacientes na fila de espera dos transplantes de órgãos humanos. Os aparelhos mecânicos, por exemplo, já suprem em parte as necessidades fisiológicas do organismo, embora tenham a limitação de, à semelhança dos órgãos derivados de animais, não cumprirem algumas funções bioquímicas mais complexas. No futuro, essa limitação será suprida por técnicas de engenharia de tecidos, que permitirão a construção de órgãos artificiais elaborados com células obtidas do próprio organismo do paciente.
Essa técnica já apresenta alguns bons resultados no presente, mas novas pesquisas fazem-se necessárias.
Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
Sobre o autor:
Sergio Greif
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre , ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais.
Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas.
Membro fundador da Sociedade Vegana.
Os coronéis, suas naus e os traficantes de Escravos da atualidade
Até o final do século XIX o Brasil recebia "alegremente" escravos trazidos da África, transportados para o país pelos infames "navios negreiros" como eram chamados, para a sua comercialização e "utilização" em "benefício da economia".
Hoje os escravos são transportados por COMPANHIAS AÉREAS e empresas marítimas, como bem aponta a BUAV, no que chama de "cargo cruelty", pela qual o mercado de primatas e cães para a VIVISSECÇÃO se abastece, também em "benefício" da sociedade humana e da "ciência".
Estes são os "navios negreiros" da Vivissecção e do Holocausto Animal
Nada coincidentemente, o reverendo inglês Pascoe Grenfell Hill, em 1842, no porto do Rio de Janeiro, criticava com veemência o Brasil por sua condição de país escravista, comentando que os casos de tortura e crueldade não eram divulgados pelos jornais do Rio de Janeiro, apenas anunciando casos de negros fugidos de uma jornada sobrecarregada de trabalho e subnutridos “dependendo dos caprichos do mau humor ou da avareza de seu dono”.
Assistiu a um leilão de “mais ou menos vinte e cinco escravos de ambos os sexos, decentemente vestidos sentados em bancos atrás de uma mesa comprida, onde um de cada vez subia para ser melhor examinado pelos arrematadores. Um ar de obstinação parecia expressar seus sentimentos de degradação por estarem sendo postos à venda.”
Não coincidentemente, logo após, em viagem às Ilhas Maurício __ HOJE o EXPORTADOR PRINCIPAL de PRIMATAS para a VIVISSECÇÃO __ ,o pastor Hill não suspeitava que fosse testemunhar para a posteridade, através de seu diário, talvez o mais contundente registro que temos conhecimento das condições degradantes de um navio brasileiro destinado ao transporte de escravos, após ser aprisionado pelos ingleses.
Num tom seco e direto, o pastor narra a ventura desse barco “tumbeiro” denominado “Progresso”, que seguia para o Rio de Janeiro.
O que MUDOU? Mudaram as vítimas. Não o CRIME de tratar seres viventes como mercadoria. DESCARTÁVEL, LUCRATIVA e ASSASSINÁVEL, segundo os interesses dos exploradores de escravos de cada ocasião.
Video-denúncia do que acontece aos primatas nos laboratórios.
No caso, esta filmagem undercover foi feita na Shin Nippon Biomedical Laboratories (SNBL), EUA.
Os grandes fornecedores de vítimas para este tráfico de escravos continuam sendo a Chine, o Vietnã, o Cambodja, a Indonésia e vem surgindo um forte candidato a este CRIME: o Brasil, flagrado neste tipo de "comércio imundo" em fevereiro pela BUAV, com licença do IBAMA
Ou estes pobres animais são criados em gaiolas diminutas, jamais vendo a luz do sol antes do embarque para a MORTE na VIVISSECÇÃO, ou são simplesmente SEQUESTRADOS de seu habitat.
Continuamos esperando por respostas da Polícia Federal do Brasil acerca do vôo de 11 primatas brasileiros para a Universidade de Nebraska, embarcados pela TAM.
Até o número do vôo nos foi fornecido e repassado à PF.
Por favor, cobre explicações do IBAMA e uma correta investigação do acontecido.
Assine e compartilhe estas 2 petições, por favor:
- Abaixo-assinado IBAMA: queremos explicações sobre o envio de primatas para experimentação nos EUA pela TAM
- Versão internacional desta mesma petição:
IBAMA: We DEMAND explanations for allowing primates's transportation for vivissection and animal experimentation
Até 124 anos atrás, o Brasil TRAFICAVA ESCRAVOS.
Seres humanos eram considerados "mercadoria", vendidos, comprados, torturados, nas senzalas dos grandes coronéis.
Não tinham DIREITOS. Eram tratados como sub-humanos, como "coisas", cujas vidas e destinos pertenciam a seus "senhores". Seus filhos já nasciam na mesma condição.
HOJE TEMOS os CORONÉIS TRAFICANTES de animais.
Tal como até o final do século XIX,, ao invés de serem reconhecidos pelo que são (CRIMINOSOS, incapazes de empatia), tem sua TORPEZA e LIMITAÇÃO ÉTICA e ACADÊMICA traduzidas pela sociedade e as leis como "cientistas".
Este é o retrato do mundo de hoje.
O mundo que precisamos TRANSFORMAR JUNTOS.
A INDIFERENÇA MATA.
Nosso tributo e homenagem a todos que não fazem parte da quadrilha das grandes corporações. E cujas mentes ainda não foram lavadas pela propaganda que elas fazem. Quando o crime se torna lei, é nosso dever trabalhar por sua demolição. SUA INDIFERENÇA MATA.
REAJA ao zumbi apalermado que tentam instalar em você.
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Diga NÃO à vivissecção e à experimentação animal.
TODOS NAS RUAS no dia 28 de abril.
Uma observação pertinente:
A BUAV (British Union Anti Vivissection) mantem fiscalização 24 horas/dia em todos os aeroportos do mundo, especialmente nos aeroportos americanos, para onde NOSSOS macaquinhos (11 deles) foram levados para a MORTE em fevereiro pela TAM para a Universidade de Nebraska, EUA.
UM AVISO aos empresários e acionistas das companhias aéreas brasileiras:
ESTAMOS CONTINUANDO a fiscalizar suas "cargas" 24 horas/dia/7 dias da semana.
O "recadinho" aqui vale para TODAS as companhias aéreas brasileiras, SEM EXCEÇÃO.
Lembrem-se, empresários brasileiros: NEM TODOS são SUBORNÁVEIS, como acontece aqui no Brasil.
E MAIS: Nós somos MUITOS. Esta aqui é apenas a face visível que apresentamos a vocês.
Norah André
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