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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Avanços Médico-Científicos SEM a utilização de animais - fonte: PCRM


Dando prosseguimento à nossa tentativa de esclarecer a falácia da "ciência" ainda praticada no lugar da BOA e verdadeira ciência, compartilhamos abaixo algumas informações, publicadas pelo PCRM,  de reais AVANÇOS na pesquisa científica, aplicada à saúde humana, SEM QUE EXPERIMENTOS em ANIMAIS FOSSEM REALIZADOS.

 Nada que devesse nos surpreender.

Afinal todo o material de boa qualidade que estamos postando regularmente, é claro ao afirmar que as diferenças entre a fisiologia humana e dos animais infelizmente ainda usados como "cobaias" pelos pseudo-cientistas claramente impedem a obtenção de dados confiáveis, sendo necessária a implementação de técnicas que não se fundamentem neste tipo de tortura e falácia, responsável por grandes atrasos na medicina aplicada e pela morte e tortura de incontáveis milhares de seres sencientes.

 INFORME-SE. 

  Avanços Médico-Científicos SEM a Experimentação em Animais:

 01) Descoberta da relação entre colesterol e doenças cardíacas.

 02) Descoberta da relação entre o hábito de fumar e o câncer, e a nutrição e câncer.

 03) Descoberta da relação entre hipertensão e ataques cardíacos.

 04) Descoberta das causas de traumatismos e os meios de prevenção.

 05) Elucidação das muitas formas de doenças respiratórias.

 06) Isolamento do vírus da AIDS.

 07) Descoberta dos mecanismos de transmissão da AIDS.

 08) Descoberta da penicilina e seus efeitos terapêuticos em várias doenças. 

09) Descoberta do Raio-X.

 10) Desenvolvimento de drogas anti-depressivas e anti-psicóticas.

 11) Desenvolvimento de vacinas, como a febre amarela.

 12) Descobrimento da relação entre exposição química e seus efeitos nocivos.

 13) Descoberta do Fator RH humano.

 14) Descoberta do mecanismo de proteína química nas células, incluindo substâncias nucléicas.

 15) Desenvolvimento do tratamento hormonal para o câncer de próstata.

 16) Descoberta dos processos químicos e fisiológicos do olho.

 17) Interpretação do código genético e sua função na síntese de proteínas.

 18) Descoberta do mecanismo de ação dos hormônios.

 19) Entendimento da bioquímica do colesterol e "hipercolesterolemia" familiar.

 20) Produção de "humulina", cópia sintética da insulina humana, que causa menos reações alérgicas.

 21) Entendimento da anatomia e fisiologia humana.


Fonte: "Physicians Committee for Responsible Medicine"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas

Autora: Sônia T. Felipe
Sinopse extraída da orelha do livro (Editora EDUFSC)

"Neste livro, a filósofa Sônia T. Felipe reconstitui os argumentos contrários à experimentação em animais vivos, formulados a partir de quatro perspectivas morais distintas e influentes: das tradições religiosas antigas, da filosofia moderna e contemporânea, da própria ciência, e da tradição jurídica. Nessas quatro fontes, podem ser encontrados argumentos que sustentam a tese do valor inerente à vida de todas as espécies, e argumentos que sustentam o valor da vida de outros seres apenas se servirem aos propósitos ou benefícios humanos.
As religiões, a filosofia moral tradicional, o direito e a ciência tiveram um papel relevante no legado moral do qual somos signatários. Mas, a par com essa mesma tradição, vozes dissidentes destacam-se na história, contrárias às práticas de crueldade contra os animais. É através dessas vozes que os animais têm sido defendidos. Neste livro, os argumentos críticos à filosofia moral tradicional são apresentados com clareza e rigor, permitindo ao leitor tirar suas próprias conclusões sobre a necessidade de revisão dos cânones tradicionais da moral, aos quais estamos emocional e racionalmente acomodados.

Em sua investigação, realizada aquando do desenvolvimento de seu projeto de pós-doutorado em Bioética, com recorte específico na Zooética (ética da consideração dos animais), apoiado pela UFSC e pela Universidade de Lisboa, e sem apoio financeiro do CNPq, a autora examina artigos de teólogos do judaísmo, islamismo e cristianismo, das religiões hindus, do budismo e jainismo, sistematizando a concepção do estatuto dos animais e o conceito de dever moral humano em relação a seres que nascem em espécies biológicas distintas da humana, em cada uma dessas perspectivas .

Para além do estatuto dos animais nas diversas teologias, a autora examina a questão ética da abolição de experimentos em animais vivos, a partir da polêmica estabelecida no âmbito da própria filosofia, e das três vertentes aí claramente expressas: a abolicionista, a conservadora e a bem-estarista.

Considerando-se que a questão dos animais, na tradição ocidental, sempre esteve ligada à sua utilidade para os negócios humanos, a autora encerra o volume analisando, da perspectiva jurídica, a possibilidade de inclusão dos animais no âmbito da comunidade de sujeitos-de-direitos, a exemplo do que se fez, ao longo dos dois séculos mais recentes da história ocidental, com sujeitos humanos historicamente destituídos de estatuto jurídico. A inclusão dos animais na comunidade dos sujeitos de direitos implica em revisão do conceito de objeto de propriedade, ao qual estão condenados todos os seres vivos não pertencentes à espécie Homo sapiens.

Os argumentos que sustentam a indústria da experimentação animal são de ordem econômica, não moral. Ao apontarem os benefícios, resultado da experimentação em animal vivo, para humanos, os defensores da indústria da experimentação omitem o custo, em dor e sofrimento, que tais experimentos representam para aqueles que são submetidos a eles, sem necessidade, sem recompensa, sem benefício algum. Um argumento que aponta os benefícios de uma ação para o sujeito que a pratica, e omite os malefícios da mesma, para os são atingidos por ela, pode ser de natureza econômica, não pode, no entanto, tornar-se um argumento ético. Neste livro o leitor é convidado a pensar sobre a questão do sofrimento animal, nessa perspectiva crítica, abolicionista."

Para adquirir o livro "Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas", da filósofa Sônia T. Felipe, entre em contato com a Editora da UFSC, através do e-mail adriano@editora.ufsc.br .

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Métodos Alternativos - por Sérgio Greif



Na tentativa de deixar claro, além de qualquer sombra de dúvida, que o uso de animais em experimentos, além de eticamente REPUGNANTE, é uma FRAUDE em termos da verdadeira e boa ciência praticada hoje, mais um artigo de autoria de Sergio Greif está sendo postado neste blog.
Em relação a este artigo, postado abaixo, seu tema central são as alternativas éticas à disposição da verdadeira pesquisa científica, eticamente baseada, e com base em critérios propriamente científicos e não de vantagens financeiras para quem a pratica.
Importante reflexão sobre as diferenças fundamentais existentes entre o bem-estarismo (3R) e o verdadeiro espírito abolicionista, comprometido não apenas com os direitos animais, mas com o REAL avanço da ciência.


Métodos Alternativos - por Sérgio Greif

Existem diversas interpretações relativas ao que sejam “métodos alternativos”.

Na interpretação mais difundida, porém pouco fundamentada, métodos alternativos são aqueles que podem ser “alternados” com técnicas que utilizem animais. Dessa maneira, quando um processo diminui o número de animais utilizados, utiliza metodologia em que animais sofrem menos durante os procedimentos e consegue, em alguns casos, substituir o uso de animais, estão-se utilizando métodos alternativos.
Sob essa ótica, há uma conexão imediata entre métodos alternativos e o conceitos dos 3 R´s (Reduzir, Refinar e Replace – substituir).

Em outra interpretação, métodos alternativos são todos aqueles que conseguem simular, mediante uso de algum recurso, a mesma situação que se encontraria se determinado procedimento fosse realizado em animais. Dessa maneira, reconhece-se que os resultados obtidos de animais são válidos e, por meio destes, tenta-se criar simulações onde se possa substituir o uso de animais ou, ao menos, diminuir seu uso. Nesse sentido, métodos alternativos são sinônimos de métodos substitutivos.

Em uma terceira interpretação, métodos alternativos não devem ser considerados substitutos da experimentação animal, pois, caso o fossem, os resultados produzidos seriam tão duvidosos e ineficientes quanto a própria experimentação animal. Nesse sentido, metodologias científicas não devem tentar simular resultados que seriam obtidos de animais experimentais, mas devem buscar obter resultados aplicáveis diretamente a pacientes reais, sejam eles seres humanos ou animais.

Métodos alternativos nesse caso podem ser chamados metodologia científica.

As duas primeiras interpretações de métodos alternativos partem do pressuposto de que a experimentação animal é a metodologia científica padrão e aceita, sendo os métodos alternativos tentativas de substituir, ou ao menos reduzir, o número de animais em procedimentos. Todo método, para ser considerado aceitável por essas interpretações, deve passar por um processo de validação em que os resultados obtidos são comparados aos obtidos de animais.

A ironia desse processo de validação que considera a experimentação animal como método padrão é que jamais houve uma validação da própria experimentação animal, sendo que, portanto, os métodos alternativos precisam ser validados com base em um método não validado. Fosse a validação baseada no embasamento científico e na repetição do procedimento, bem como na comparação dos resultados com aqueles que seriam obtidos de pacientes reais, haveria real sentido em se falar em validação.

A terceira interpretação de métodos alternativos, porém, considera a experimentação animal como um método inaceitável e não científico, devendo ser rejeitado. Nesse caso, os procedimentos científicos na área médica devem visar à saúde da população, e não à produção científica pela produção científica.

Certamente, para um sistema que valoriza a produção de artigos científicos e a venda de medicamentos, a experimentação animal é importante, porque ela possibilita que essas atividades tenham lugar e se dêem com grande intensidade.

No entanto, quando o propósito da ciência passa a ser o bem-estar da população, a experimentação animal torna-se matéria inútil.



E de que forma pesquisar ou ensinar ciência sem utilizar animais? 

Os métodos disponíveis para se desenvolver pesquisa científica ou ensinar ciência sem uso de animais são bastante variados e não poderiam ser todos citados em um único lugar, mas, apenas para exemplificar, há possibilidade de se utilizar muitos recursos baseados em sistemas in vitro (pesquisa em tecidos isolados, células animais, vegetais ou microorganismos); podem-se utilizar, para alguns estudos, determinadas espécies de vegetais; para outros simulações computacionais, estudos clínicos em pacientes reais, estudos não invasivos em voluntários, estudos epidemiológicos, técnicas físico-químicas (espectrometria de massa, cromatografia, tomografia, etc.), estudos em cadáveres, utilização de manequins especialmente criados para determinados procedimentos, softwares educacionais, filmes, modelos matemáticos, nanotecnologia, estudo observacional de animais, entre outras.

Dependendo qual sejam os propósitos da pesquisa, um ou mais desses métodos se aplicam, combinando-se e complementando-se. Dificilmente um único teste in vitro ou uma simulação computacional permitirão inferir que reações, por exemplo, determinada substância produzirá no ser humano, mas uma bateria de testes in vitro, baseada em um desenho experimental bem planejado e fazendo uso de uma variedade de linhagens celulares representativa, combinadas com outras técnicas, certamente fornecerá resultados aplicáveis e em um tempo bastante menor do que se fossem utilizados animais.

Assim, por exemplo, um determinado teste toxicológico cujo desenho experimental normalmente demanda a utilização de diferentes espécies animais pode, com sucesso, ser substituído por uma bateria de testes em células de diferentes linhagens e seguindo diferentes metodologias.

Técnicas fisico-químicas podem ser aplicadas para identificar os diferentes componentes de uma droga e, dessa forma, refinar os testes. Modelos computacionais e matemáticos, bem como placentas obtidas junto a maternidades, podem auxiliar a compreender, por exemplo, de que forma a droga se distribuirá pelo organismo e como será sua absorção.

A escolha por determinado teste não deve ser aleatória.

Cada fim pretendido demanda a adoção de uma ou mais técnicas, e mesmo dentro dessas técnicas há inúmeras possibilidades. A diferença básica é que, ao estudarmos seres humanos ou linhagens celulares específicas, utilizando técnicas voltadas para o entendimento da saúde humana, evitamos a má interpretação de resultados que podem advir quando da extrapolação de dados obtidos de animais de outras espécies.

Ainda, essas metodologias são mais éticas, e a médio e longo prazo são mais baratas; sua metodologia é menos grosseira, mais refinada; elas fornecem dados mais confiáveis, facilmente reprodutíveis e em menor espaço de tempo; sua aplicação não implica constrangimento a nenhuma parte, ou seja, pessoas que tenham considerações éticas, restrições religiosas e mesmo crianças podem acompanhar sua aplicação.

De fato, há muitas vantagens da aplicação dessas técnicas. Apesar da dificuldade em se enumerar todos os métodos “alternativos” existentes, há algumas bases de dados que podem auxiliar nesse trabalho.

As próprias bases de dados de publicações (MedLine, Web of Science, Biosis, AGRICOLA etc.) podem ser utilizadas como fonte, desde que os termos corretos sejam aplicados.

Há ainda diferentes bases de dados voltadas especificamente para o tema de métodos alternativos, embora a maioria delas faça uso da interpretação de “alternativas” dentro do conceito dos 3 R’s.

Desde que utilizadas de maneira criteriosa, porém, essas bases de dados são bastante úteis. São algumas delas:



The Swedish Fund for Research Without Animal Experiments
http://www.stifud.se/english/ NORINA –
A Norwegian Inventory of Alternatives http://oslovet.veths.no/dokument.aspx?dokument=79
FRAME – Fund for the Replacement of Animals in Medical Experiments www.frame.org.uk/
PCRM – Physician Committee for a Responsible Medicine http://www.pcrm.org/resch/anexp/
ECVAM – European Centre for the Validation of Alternative Methods http://ecvam.jrc.it/
Dr. Hadwen Trust – Alternatives to animal experiments http://www.drhadwentrust.org/
NCA – The Netherlands Centre Alternatives to Animal Use http://www.vet.uu.nl/nca/alternatives/alternatieven_database
ALTWEB http://altweb.jhsph.edu/ InterNICHE http://www.interniche.org/
EURCA – European Resource Centre for Alternatives in Higher Education http://www.eurca.org/resources.asp
AVAR – Association of Veterinarians for Animal Rights http://www.avar.org/alted/

No entanto, o não retorno de resultados para determinada busca não significa que não exista ou que não possa vir a existir método para pesquisa de determinado tópico sem o uso de animais. Deve-se considerar que o volume e a variedade de linhas de pesquisa possíveis de serem desenvolvidas é muito grande, não havendo como uma só pessoa ou entidade familiarizar-se com toda a produção científica de determinada instituição, quanto mais elaborar métodos substitutivos para o uso de animais em todas elas.

O vivissector não pode utilizar a ainda não existência de recursos alternativos como desculpa para continuar utilizando animais. Da mesma forma que uma pesquisa antiética que só pode ser desenvolvida em seres humanos não é realizada até que se desenvolvam métodos éticos, assim o deve ser com relação à pesquisa com animais.



O desenvolvimento desses métodos deve partir do pressuposto de que animais não podem, por motivos científicos e éticos, ser utilizados como recursos.

A experimentação animal não deve ser vista como possibilidade e, assim sendo, cabe ao pesquisador interessado no desenvolvimento de determinada linha de pesquisa desenvolver sua própria metodologia, caso ela ainda não exista.

Pessoas interessadas no fim da experimentação animal podem se envolver com o levantamento de métodos existentes e com o desenvolvimento de métodos alternativos ainda não existentes, mas de forma alguma isso tira a responsabilidade do pesquisador que utiliza animais.

A responsabilidade pela busca de métodos alternativos não deve ser delegada a terceiros.

Deve-se considerar que a utilização de métodos alternativos sempre é possível e que a utilização de animais sempre é questionável.

Os reais propósitos de cada pesquisa devem ser sempre levantados.

A pesquisa visa ao bem da população ou trazer dividendos à indústria ou aos indivíduos envolvidos? A conquista fácil de títulos, publicações, patentes industriais e novos produtos no mercado justificam que se sustente a mentira da experimentação animal?

Se a pesquisa visa, realmente, ao bem-estar e à saúde do ser humano, então o uso de animais não é defensável pelo ponto de vista científico, podendo os objetivos ser atingidos de outras maneiras.


Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.
Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.

Ética e ciência: sobre o uso de animais

Por Janos Biro (Publicado originalmente em Pensata Animal)

É certo que a ética está presente na ciência, mas que tipo de ética e para qual tipo de ciência? Sabemos que uma prática não se justifica eticamente apenas por ser "cientificamente necessária" ou sancionada por comitês de regulamentação. Nenhuma autoridade tem a palavra final sobre o que é ético. É preciso perguntar, para além da ética, que tipo de ciência nós queremos.
Por certo nenhum dono de escravos era a favor dos maus tratos aos escravos. Para os gregos antigos, matar ou tratar mal os escravos era imoral. Escravos são ferramentas, mas merecem respeito, pois a aristocracia grega dependia deles. Seria desperdício fazê-los sofrer sem um bom motivo. Porém, os benefícios que o sistema escravista trouxe à sociedade, por maiores que fossem (talvez nem existissem cidades sem escravos), não se justificam eticamente. O argumento anti-especista cai na mesma categoria.

O fato de que cientistas são pessoas sérias e cultas também não justifica nada. Donos de escravos também eram as pessoas mais cultas da época, também tinham uma "formação ética impecável" e eram bastante religiosos. O fato é que o anti-especismo questiona valores centrais de nossa sociedade, e não busca apenas uma reforma. Estes valores também determinam o que será considerado aceitável ou não.

Também não se trata de um conflito entre cientistas e leigos. Não são apenas leigos que se opõem à experimentação animal, mas biólogos, médicos, filósofos e cientistas. Mais do que ética na ciência, é preciso ir além da ética para compreender o problema.

Esta questão realmente envolve mitos e sentimentos. Um desses mitos é o progresso civilizatório. Podemos questionar até que ponto a saúde realmente melhorou para toda humanidade e não apenas para a parte mais privilegiada dela. A maior parte de nossas doenças são típicas da civilização. O risco de epidemias cresce a cada ano. Culturas sem tecnologia "avançada" também conseguem manter a saúde dos seus membros.

Nada justifica o escravismo, independente de que espécie seja. Quando uma pessoa diz que é justificável usar não-humanos porque de outra forma teríamos que usar humanos, ela está apenas colocando os homens acima das demais espécies, e nesse sentido não há diferença alguma entre especistas e nazistas.


O fato de dependermos cada vez mais de devastação natural é apenas uma das conseqüências desastrosas de nossa cultura de acúmulo e expansão, baseada no escravismo.

Para anti-especistas, especismo é eticamente equivalente a nazismo, e por isso elas continuarão se opondo até que se prove o contrário.

Muitos médicos ainda se mostram 100% comprometidos com o que é "cientificamente válido", como se isso fosse inquestionável, e por isso seu discurso não é realmente ético, porque é uma "ética" submissa ao discurso científico.

Já é difícil falar de argumento ético e especismo, mais difícil ainda é se mover para além dele, em busca de alternativas.

Em resumo, que ciência é essa que necessita de escravidão? Precisamos mesmo deste tipo de ciência? E ainda que a atual sociedade dependa dela, precisamos mesmo de uma sociedade escravista?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

50 Consequências Fatais em Humanos da Experimentação em Animais - compilação




Pequeno apanhado de "experiências" realizadas com animais que tiveram consequências fatais para humanos 
fonte de referência em português: PEA: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/index.htm#50

A compilação feita abaixo PROVA, além de qualquer argumento, que os pseudo-resultados e a coleta de dados que derivam da TORTURA e CHACINA de animais em "pesquisas", não fornecem sequer resultados confiáveis ou fidedignos do ponto de vista da saúde humana. 
Trata-se, portanto, de um CRIME SEM QUALQUER JUSTIFICATIVA, nem sequer a da confiabilidade dos resultados obtidos a partir deste HOLOCAUSTO GENOCIDA, ainda legalizado e "tornado necessário e obrigatório" pelos interesses milionários de alguns. 

50 Consequências Fatais da Experimentação em Animais

01) Pensava-se que fumar não provocava câncer, porque câncer relacionado ao fumo é difícil de ser reproduzido em animais de laboratório. As pessoas continuam fumando e morrendo de câncer. (2)

 02) Embora haja evidências clínicas e epidemiológicas de que a exposição à benzina causa leucemia em humanos, a substância não foi retida como produto químico industrial. Tudo porque testes apoiados pelos fabricantes para reproduzir leucemia em camundongos a partir da exposição à benzina falharam. (1)

 03) Experimentos em ratos, hamsters, porquinhos-da-índia e macacos não revelaram relação entre fibra de vidro e câncer. Não até 1991, quando, após estudos em humanos, a OSHA - Occupational, Safety and Health Administration - os rotulou de cancerígenos (1)

 04) Apesar de o arsênico ter sido reconhecido como substância cancerígena para humanos por várias décadas, cientistas encontraram poucas evidências em animais. Só em 1977 o risco para humanos foi estabelecido (6), após o câncer ter sido reproduzido em animais de laboratório. (7) (8) (9)

 05) Muitas pessoas expostas ao amianto morreram, porque cientistas não conseguiram produzir câncer pela exposição da substância em animais de laboratório.

 06) Marca-passos e válvulas para o coração tiveram seu desenvolvimento adiado, devido a diferenças fisiológicas entre humanos e os animais para os quais os aparelhos haviam sido desenhados.

 07) Modelos animais de doenças cardíacas falharam em mostrar que colesterol elevado e dieta rica em gorduras aumentam o risco de doenças coronárias. Em vez de mudar hábitos alimentares para prevenir a doença, as pessoas mantiveram seus estilos de vida com falsa sensação de segurança.

08) Pacientes receberam medicamentos inócuos ou prejudiciais à saúde, por causa dos resultados de modelos de derrame em animais.

 09) Erroneamente, estudos em animais atestaram que os Bloqueadores Beta não diminuiriam a pressão arterial em humanos, o que evitou o desenvolvimento da substância (10) (11) (12).

Até mesmo os vivisseccionistas admitiram que os modelos de hipertensão em animais falharam nesse ponto. Enquanto isso, milhares de pessoas foram vítimas de derrame.

 10) Cirurgiões pensaram que haviam aperfeiçoado a Keratotomia Radial (cirurgia para melhorar a visão) em coelhos, mas o procedimento cegou os primeiros pacientes humanos. Isso porque a córnea do coelho tem capacidade de se regenerar internamente, enquanto a córnea humana se regenera apenas superficialmente. Atualmente, a cirurgia é feita apenas na superfície da córnea humana.

 11) Transplantes combinados de coração e pulmão também foram "aperfeiçoados" em animais, mas os primeiros três pacientes morreram nos 23 dias subseqüentes à cirurgia (13). De 28 pacientes operados entre 1981 e 1985, 8 morreram logo após a cirurgia, e 10 desenvolveram Bronquiolite Obliterante , uma complicação pulmonar que os cães submetidos aos experimentos não contraíram. Dos 10, 4 morreram e 3 nunca mais conseguiram viver sem o auxílio de um respirador artificial. Bronquiolite obliterante passou a ser o maior risco da operação (14)

 12) Ciclosporin A inibe a rejeição de órgãos e seu desenvolvimento foi um marco no sucesso dos transplantes. Se as evidências irrefutáveis em humanos não tivessem derrubado as frágeis provas obtidas com testes em animais, a droga jamais teria sido liberada. (15)

 13) Experimentos em animais falharam em prever toxidade nos rins do anestésico geral metoxyflurano. Muitas pessoas que receberam o medicamento perderam todas as suas funções renais.

 14) Testes em animais atrasaram o início da utilização de relaxantes musculares durante anestesia geral.

 15) Pesquisas em animais não revelaram que algumas bactérias causam úlceras, o que atrasou o tratamento da doença com antibióticos.

 16) Mais da metade dos 198 medicamentos lançados entre 1976 e 1985 foram retirados do mercado ou passaram a trazer nas bulas efeitos colaterais, que variam de severos a imprevisíveis (16). Esses efeitos incluem complicações como disritmias letais, ataques cardíacos, falência renal, convulsões, parada respiratória, insuficiência hepática e derrame, entre outros.

 17) Flosin (Indoprofeno), medicamento para artrite, testado em ratos, macacos e cães, que o toleraram bem. Algumas pessoas morreram após tomar a droga. 1

18) Zelmid, um antidepressivo, foi testado sem incidentes em ratos e cães. A droga provocou sérios problemas neurológicos em humanos.

 19) Nomifensina, um outro antidepressivo, foi associado a insuficiência renal e hepática, anemia e morte em humanos. Testes realizados em animais não apontaram efeitos colaterais.

 20) Amrinone, medicamento para insuficiência cardíaca, foi testado em inúmeros animais e lançado sem restrições. Humanos desenvolveram trombocitopenia, ou seja, ausência de células necessárias para coagulação.

 21) Fialuridina, uma medicação antiviral, causou danos no fígado de 7 entre 15 pessoas. Cinco acabaram morrendo e as outras duas necessitaram de transplante de fígado. (17) A droga funcionou bem em marmotas. (18) (19)

 22) Clioquinol, um antidiarréico, passou em testes com ratos, gatos, cães e coelhos. Em 1982 foi retirado das prateleiras em todo o mundo após a descoberta de que causa paralisia e cegueira em humanos.

 23) A medicação para a doença do coração Eraldin provocou 23 mortes e casos de cegueira em humanos, apesar de nenhum efeito colateral ter sido observado em animais. Quando lançado, os cientistas afirmaram que houve estudos intensivos de toxidade em testes com cobaias. Após as mortes e os casos de cegueira, os cientistas tentaram sem sucesso desenvolver em animais efeitos similares aos das vítimas. (20)

 24) Opren, uma droga para artrite, matou 61 pessoas. Mais de 3500 casos de reações graves têm sido documentados. Opren foi testado sem problemas em macacos e outros animais.

 25) Zomax, outro medicamento para artrite, matou 14 pessoas e causou sofrimento a muitas.

 26) A dose indicada de isoproterenol, medicamento usado para o tratamento de asma, funcionou em animais. Infelizmente, foi tóxico demais para humanos, provocando na Grã-Bretanha a morte de 3500 asmáticos por overdose. Os cientistas ainda encontram dificuldades de reproduzir resultados semelhantes em animais. (21) (22) (23) (24) (25) (26)



 27) Metisergide, medicamento usado para tratar dor de cabeça, provoca fibrose retroperitonial ou severa obstrução do coração, rins e veias do abdômen. (27) Cientistas não estão conseguindo reproduzir os mesmos efeitos em animais. (28)

 28) Suprofen, uma droga para artrite, foi retirada do mercado quando pacientes sofreram intoxicação renal. Antes do lançamento da droga, os pesquisadores asseguraram que os testes tiveram (29) (30) "perfil de segurança excelente, sem efeitos cardíacos, renais ou no SNC (Sistema Nervoso Central) em nenhuma espécie".

 29) Surgam, outra droga para artrite, foi designada como tendo fator protetor para o estômago, prevenindo úlceras, efeito colateral comum de muitos medicamentos contra artrite. Apesar dos resultados em testes feitos em animais, úlceras foram verificadas em humanos (31) (32).

 30) O diurético Selacryn foi intensivamente testado em animais. Em 1979, o medicamento foi retirado do mercado depois que 24 pessoas morrerem por insuficiência hepática causada pela droga. (33) (34)

 31) Perexilina, medicamento para o coração, foi retirado do mercado quando produziu insuficiência hepática não foi prognosticada em estudos com animais. Mesmo sabendo que se tratava de um tipo de insuficiência hepática específica, os cientistas não conseguiram induzi-la em animais. (35)

 32) Domperidone, droga para o tratamento de náusea e vômito, provocou batimentos cardíacos irregulares em humanos. Cientistas não conseguiram produzir o mesmo efeito em cães, mesmo usando uma dosagem 70 vezes maior. (36) (37)

 33) Mitoxantrone, usado em um tratamento para câncer, produziu insuficiência cardíaca em humanos. Foi testado extensivamente em cães, que não manifestaram os mesmos sintomas. (38) (39)

 34) A droga Carbenoxalone deveria prevenir a formação de úlceras gástricas, mas causou retenção de água a ponto de causar insuficiência cardíaca em alguns pacientes. Depois de saber os efeitos da droga em humanos, os cientistas a testaram em ratos, camundongos, macacos e coelhos, sem conseguirem reproduzir os mesmos sintomas. (40) (41)

 35) O antibiótico Clindamicyn é responsável por uma condição intestinal em humanos chamada colite pseudomembranosa. O medicamento foi testado em ratos e cães, diariamente, durante um ano. As cobaias toleraram doses 10 vezes maiores que os seres humanos. (42) (43) (44)

 36) Experiências em animais não comprovaram a eficácia de drogas como o valium, durante ou depois de seu desenvolvimento (45) (46)

 37) A companhia farmacêutica Pharmacia & Upjohn descontinuou testes clínicos dos comprimidos de Linomide (roquinimex) para o tratamento de esclerose múltipla, após oito dos 1200 pacientes sofrerem ataques cardíacos em consequência da medicação. Experimentos em animais não previram esse risco.

 38) Cylert (pemoline), um medicamento usado no tratamento de Déficit de Atenção/Hiperatividade, causou insuficiência hepática em 13 crianças. Onze delas ou morreram ou precisaram de transplante de fígado.

 39) Foi comprovado que o Eldepryl (selegilina), medicamento usado no tratamento de Doença de Parkinson, induziu um grande aumento da pressão arterial dos pacientes. Esse efeito colateral não foi observado em animais, durante o tratamento de demência senil e desordens endócrinas.

 40) A combinação das drogas para dieta fenfluramina e dexfenfluramina - ligadas a anormalidades na válvula do coração humano - foram retiradas do mercado, apesar de estudos em animais nunca terem revelado tais anormalidades. (47)

 41) O medicamento para diabetes troglitazone, mais conhecido como Rezulin, foi testado em animais sem indicar problemas significativos, mas causou lesão de fígado em humanos. O laboratório admitiu que ao menos um paciente morreu e outro teve que ser submetido a um transplante de fígado. (48)

 42) Há séculos a planta Digitalis tem sido usada no tratamento de problemas do coração. Entretanto, tentativas clínicas de uso da droga derivada da Digitalis foram adiadas porque a mesma causava pressão alta em animais. Evidências da eficácia do medicamento em humanos acabaram invalidando a pesquisa em cobaias. Como resultado, a digoxina, um análogo da Digitalis, tem salvo inúmeras vidas. Muitas outras pessoas poderiam ter sobrevivido se a droga tivesse sido lançada antes. (49) (50) (51) (52)

 43) FK506, hoje chamado Tacrolimus, é um agente anti-rejeição que quase ficou engavetado antes de estudos clínicos, por ser extremamente tóxico para animais. (53) (54) Estudos em cobaias sugeriram que a combinação de FK506 com cyclosporin potencializaria o produto. (55) Em humanos ocorreu exatamente o oposto. (56)

 44) Experimentos em animais sugeriram que os corticosteróides ajudariam em casos de choque séptico, uma severa infecção sang¸ínea causada por bactérias. (57) (58). Em humanos, a reação foi diferente, tendo o tratamento com corticosteróides aumentado o índice de mortes em casos de choque séptico. (59)

 45) Apesar da ineficácia da penicilina em coelhos, Alexander Fleming usou o antibiótico em um paciente muito doente, uma vez que ele não tinha outra forma de experimentar. Se os testes iniciais tivessem sido realizados em porquinhos-da-índia ou em hamsters, as cobaias teriam morrido e talvez a humanidade nunca tivesse se beneficiado da penicilina. Howard Florey, ganhador do Premio Nobel da Paz, como co-descobridor e fabricante da penicilina, afirmou: "Felizmente não tínhamos testes em animais nos anos 40. Caso contrário, talvez nunca tivéssemos conseguido uma licença para o uso da penicilina e, possivelmente, outros antibióticos jamais tivessem sido desenvolvidos.

 46) No início de seu desenvolvimento, o flúor ficou retido como preventivo de cáries, porque causou câncer em ratos. (60) (61) (62)

 47) As perigosas drogas Talidomida e DES foram lançadas no mercado depois de serem testadas em animais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram com o resultado (*nota do tradutor: A Talidomina foi desenvolvida em 1954 destinada a controlar ansiedade, tensão e náuseas. Em 1957 passou a ser comercializada e em 1960 foram descobertos os efeitos teratogênicos provocados pela droga, quando consumida por gestantes: durante os 3 primeiros meses de gestação interfere na formação do feto, provocando a focomelia que é o encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando-os semelhantes aos de focas.)

 48) Pesquisas em animais produziram dados equivocados sobre a rapidez com que o vírus HIV se reproduz. Por causa do erro de informação, pacientes não receberam tratamento imediato e tiveram suas vidas abreviadas.

 49) De acordo com o Dr. Albert Sabin, pesquisas em animais prejudicaram o desenvolvimento da vacina contra o pólio. A primeira vacina contra pólio e contra raiva funcionou bem em animais, mas matou as pessoas que receberam a aplicação.

 50) Muitos pesquisadores que trabalham com animais ficam doentes ou morrem devido à exposição a microorganismos e agentes infecciosos inofensivos para animais, mas que podem ser fatais para humanos, como por exemplo o vírus da Hepatite B.

Tempo, dinheiro e recursos humanos devotados aos experimentos com animais poderiam ter sido investidos em pesquisas com base em humanos.
Estudos clínicos, pesquisas in-vitro, autópsias, acompanhamento da droga após o lançamento no mercado, modelos computadorizados e pesquisas em genética e epidemiologia não apresentam perigo para os seres humanos e propiciam resultados precisos.
 Importante salientar que experiências em animais têm exaurido recursos que poderiam ter sido dedicados à educação do público sobre perigos para a saúde e como preservá-la, diminuindo assim a incidência de doenças que requerem tratamento.
 Experimentação Animal não faz sentido.
A prevenção de doenças e o lançamento de terapias eficazes para seres humanos está na ciência que tem como base os seres humanos.



  Referências: 1.Sax, N. Cancer-causing Chemicals Van Nostrand 1981 2.Lancet, June 25, 1977 p1348-9 3.The Guardian, July 20, 1991 4.Occupational Lung Disorders, Butterworth 1982 5.Toxicology & Industrial Health, 1990, vol.6, p293-307 6.J Nat Cancer Inst 1969, vol.42, 1045-52 7.Br J Cancer, 1947, vol.1, p 192-251 8.Advances in Modern Toxicology, vol.2, Wiley, 1977 9.J Nat Cancer Inst, 1962, vol.5, p 459 10. Fitzgerald, D. The development of new cardiovascular drugs in Recent Developments in Cardiovascular Drugs eds. Coltart and Jewitt, Churchill Livingstone 1981 11.Perspectives in Biology & Medicine, 1980 Part 2, S9-S24 12.Pharmacy International Feb. 1986; p33-37 13.Lancet, i, p 130-2, 1983 14.Lancet, 1, no. 8480 p 517-9, March 8, 1996 15.Annals of Internal Medicine 1984, vol.101, 667-682 16.GAO/PEMD-90-15 FDA Drug Review: Postapproval Risks 1976-1985 17.NEJM 333;1099-1105, 1995 18.J NIH Res, 1993, 5, 33-35 19. Nature, 1993, July 22, p 275 20. Nature, 1982, April 1, p 387-90 and Br Med J, 1983, Jan 15, p 199-202 and Drug Monitoring, 1977 and Pharmacologist, 1964, vol. 6, p 12-26 and Pharmacology: Drug Actions and Reac and Advances in Pharm, 1963, vol. 2, 1-112 and Nature, 1982, April 1, p 387-390 21.Pharmacologist, 1971, vol.18, p 272 22.Br J of Pharm 1969Vol. 36; p35-45 23.Inman, W. H. Monitoring for Drug Safety, MTP Press, 1980 24.Am Rev Resp Diseases, 1972, vol.105, p883-890 25.Lancet, 1979, Oct.27, p 896 26.Toxicology and Applied Pharmacology 1965, vol. 7; p1-8 27.Animal Toxicity Studies: Their Relevance for Man, Quay Pub. 1990 28.Br Med J, 1974, May 18, p 365-366 29.Drug Withdrawl from Sale PJB Publications, 1988 30.Pharmacology, 1983, vol.27(suppl 1), 87-94 and FDA Drug Review: Postapproval Risks 1976-1985 (US GAO April 1990 31.Gut, 1987, vol.28, 515-518 32.Lancet, Jan 10, 1987, 113-114 33.Toxicolo Letters, 1991, vol.55, p 287-93 34.Drug Withdrawl from Sale, PJB1988 35.Reg Tox & Pharm,1990,vol.11,288-307 and Postgraduate Med J, 1973, vol.49, April Suppl., 125-129 and 130 36. Drugs, 1982, vol.24, p 360-400 37. Animal Toxicity Studies Quay, 1990 38. Lancet, 1984, July 28, p 219-220 39. Matindale: The Extra Pharmacopoeia, 29th edition, Pharmaceutical Press, 1989) 40. Br Nat Form, no.26, 1993 41. Reg Tox & Pharm, 1990, vol.11, p 288-307 42. Br Med J, 1983, Jan 15, p 199-202 43. Br Nat Form, no.26, 1993 44.Tox & Appl Pharm, 1972, vol. 21, p 516-531 45. The Benzodiazepines MTP Press1978 46. Drugs and Therapeutics Bulletin,1989, vol.27, p 28 47. as quoted in Activate For Animals Oct. 1997 The American Antivivisection Society 48. Parke-Davis letter dated Oct. 31, 1996 49. Sneader, W. Drug Discovery: The Evolution of Modern Medicine Wiley, 1985 50. Lewis, T. Clinical Science Shaw & Sons Ltd. 1934 51. Federation Proceedings 1967, vol.26, 1125-30 52. Toxicology In Vitro 1992, vol.6, 47-52 53. JAMA, 1990, April 4, p1766 54. Lancet,1989, July 22, p 227 55. Lancet, 1989, Oct 28, p1000-1004 56.Hepatology,1991, vol.13, 1259-1260 57.Drugs and Therapeutics Bulletin, 1990, vol.28, p 74-75 58. Anesthesiology: Proceedings of the VI World Congress of Anesthesiology, Mexico City 1977 59. NEJM, 1987, Sep. 10, p 653-658 60. The Causes of Cancer, 1981, Oxford Press 61. J NIH Res, 1991, vol.3, p46 62. Nature, 1991, Feb 28, p732 Fonte: Americans for Medical Advancement Quem deseja conhecer os meandros e bastidores escusos do uso científico de animais, não pode deixar de ler este livro. Seus autores, os biólogos Sergio Greif e Thales Tréz, são os maiores conhecedores do assunto no Brasil. O livro com depoimentos de pessoas de grande notoriedade, entre elas o Dr. Ivo Pitanguy: A Verdadeira Face da Experimentação Animal http://www.facebook.com/photo.php?fbid=157415660945248&set=a.155551234465024.31186.153177141369100

Ciência Ética - por Sérgio Greif

Renomado internacionalmente, Sergio Greif é ainda pouco conhecido em seu próprio país natal, o Brasil. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.

Vamos dar sequência à postagem de alguns de seus artigos, dedicados à discussão da vivissecção e da experimentação animal. Acredito que o nosso acesso a este material informativo de alta qualidade, constitui parte do subsídio teórico de que necessitamos para "estofar" nossa indignação e estabelecermos claramente o REPÚDIO a estas práticas fraudlentas, antiéticas e anti-producentes, do ponto de vista do desenvolvimento de uma ciência de boa qualidade.

  - Ciência Ética - por Sérgio Greif 

Certa vez uma amiga questionou em um programa de televisão “Eu só quero saber, por que que a ciência não pode ser ética?”. Embora essa não fosse uma pergunta retórica, e tenha sido repetida três ou quatro vezes durante o programa, ela ficou sem resposta por parte de seus interlocutores, praticantes de vivissecção.

 Vivissecção, literalmente “cortar vivo”, é um termo genericamente usado para se referir à experimentação com animais. Diferente de seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos e, independente do fato de serem mais ou menos inteligentes, animais são organismos sencientes (ou seja, organismos dotados de sentimentos e sensações).

 Todo organismo senciente tem interesses, e independente de quais sejam os interesses individuais particulares de cada espécie, todas partilham um interesse comum que é o de fugir ao sofrimento e á morte e buscar uma sobrevivência compatível com sua natureza. O confinamento de animais ou sua utilização para finalidades distintas daquelas para as quais o animal naturalmente se desenvolveu, sua submissão, seu subjugo, a aplicação de qualquer ação prejudicial ao indivíduo que seja, vão de encontro aos interesses desse indivíduo.

 A utilização de animais em experimentos vai de encontro aos interesses particulares desses animais. E então retornamos à pergunta: “Por que que a ciência não pode ser ética?”. A resposta para a pergunta é que a ciência não apenas pode ser ética, a ciência deve ser ética. A ética é pressuposto da boa ciência e a ciência deve estar acima de tudo condicionada à ética.

Quando Louis Pasteur solicitou a D. Pedro que cedesse prisioneiros brasileiros para serem usados como cobaias em seus experimentos, D. Pedro cortesmente recusou. À época não havia legislação que formalmente proibisse a utilização de seres humanos como cobaias. Apesar disso, e da alegação de possíveis benefícios que poderiam advir desses experimentos, a idéia de pegar um ser humano saudável e utiliza-lo contra sua vontade em um experimento era extremamente repulsiva para o regente. E isso era verdadeiro mesmo considerando que as cobaias em questão seriam a “escória da sociedade”.

 Em outro exemplo, mais recente, temos o histórico dos experimentos nazistas. Não é o caso, mas ainda que os experimentadores tivessem uma invejável formação científica, que seguissem protocolos experimentais amplamente aceitos e que tivessem por objetivo fazer avançar o conhecimento humano acerca de determinado tópico, não poderíamos considerar que o que se praticou em campos de concentração fosse boa ciência.

 O questionamento está acima do questionamento metodológico ou da finalidade dos experimentos. É muito anterior e mais urgente. Faz-se necessário questionar o objeto de estudo, os meios que se utilizou para chegar àqueles fins. A ciência nazista não seria boa ciência nem que 60 anos depois pudéssemos considerá-la útil. Foi inútil, mas mesmo que tivesse sido o contrário continuaria questionável.

 E pouco importaria se os advogados de defesa no julgamento de Nuremberg lançassem mão de argumentos referentes à possível utilidade daqueles experimentos, e quantas pessoas poderiam se beneficiar dos mesmos no futuro, porque nada apaga o fato de que aquelas pessoas não deveriam ter sido utilizadas como cobaias.

 Note-se, portanto, que quando trabalhamos com casos de experimentação anti-ética em seres humanos não estamos prontos a aceitar argumentos utilitaristas, sobre o pequeno número de vidas que precisaram ser sacrificadas para beneficiar tantas outras. Isso porque o pensamento utilitarista contraria os direitos individuais.

 É impensável, por exemplo, que se proponha como solução para deter o avanço da AIDS a eliminação de todos os portadores do vírus HIV. Embora essa medida fosse provavelmente efetiva para atingir essa finalidade, o preço em vidas torna-a inaceitável. Citando Cícero “A mera idéia de que uma coisa cruel possa ser útil e já por si imoral”.

 Vemos, portanto, que a ética está acima de qualquer coisa que possamos considerar como sendo “ciência”, e que, pelo menos para o caso da experimentação com seres humanos, não se pode aceitar a argumentação de que o número de pessoas que precisariam ser sacrificadas é pequeno quando comparado com o número de pessoas que seriam beneficiadas com os experimentos.

 Quando pensamos em termos humanos, em pleno século XXI, não podemos aceitar que experimentos forçados sejam realizados nem mesmo com cidadãos que tiveram seus direitos cassados, com cidadãos mal-quistos pela sociedade. Não podemos aceitar argumentos referentes à formação inquestionável do experimentador. Não podemos aceitar argumentos referentes ao suporte legal de tais experimentos (tomemos como exemplo as leis da Alemanha nazista para saber que leis nem sempre são éticas).



 Por que com animais seria diferente? A resposta está no fato de que embora animais sejam amplamente reconhecidos como criaturas sencientes, a sociedade não aceita que animais tenham direitos. E se não aceita é porque se beneficia dessa não aceitação. Em épocas não muito remotas não se reconhecia os direitos das mulheres ou de outros povos, de outras raças, mas a falta de reconhecimento desses direitos individuais sempre careceu de boa argumentação.

 Seja uma explicação religiosa, seja uma explicação fundamentada em um mito ou em uma característica que de fato não deveria ser considerada na atribuição de direito, hoje esses argumentos não servem mais para diferenciar homens e também não deveriam servir para fazer distinção entre homens e animais.

 Feitas essas considerações, resta-nos agora analisar o discurso que defende o uso de animais como cobaias de laboratório. Basicamente, todo esse discurso se baseia na idéia de que experimentos com animais beneficiam seres humanos. Oportunamente esse argumento será combatido com base nas diferenças fisiológicas existentes entre os diferentes organismos, de diferentes espécies, bem como no método per se, que parte do pressuposto de que doenças recriadas de maneira artificial são de fato a doença.

 No entanto, por hora aceitemos que a idéia de que experimentos com animais são necessários é verdadeira, e analisemos esses experimentos pelo ponto de vista da ética. É fato que a maior parte dos seres humanos irá preferir matar um rato ou um cão a matar um homem. A discussão não deveria se desviar para esse fato, porque não se trata aqui de “matar” esse ou aquele ser, mas de tentar salvar a vida de um utilizando o outro como mero recurso.

 Certamente prefiro a vida de meu filho à vida do filho de meu vizinho, isso não me dá o direito de utilizar o filho de meu vizinho como recurso para salvar a vida de meu filho. É natural que em uma situação extrema escolhamos pela vida daqueles por quem temos mais afinidade, é diferente de matar ativamente aqueles por quem temos menos afinidade.

 Frequentemente escutam-se questionamentos de pessoas favoráveis à vivissecção que lançam mão de metáforas para tentar desconstruir argumentos em favor dos direitos animais. Uma metáfora bastante recorrente é a de quem prefiriria-se salvar de um naufrágio, uma criança ou um cão (ou um rato). Essa metáfora não tem nenhum propósito, ela nada tem a ver com vivissecção, porque aqui não se trata em precisar escolher entre duas vidas que estão em perigo. Trata-se de uma vida em perigo e outra que nada tem a ver com o assunto.

 Para que a metáfora do afogamento servisse para expressar o que se passa na vivissecção o cenário deveria contemplar uma pessoa se afogando no mar e outra, de um barco, atirando um rato na água. A cena é surreal mas expressa exatamente o que se passa na ciência. Pois não há uma explicação clara para se atirar o rato ao mar, nem pode-se explicar de que forma isso salvará o homem que se afoga, mas todos concordam que é melhor ter um rato do que um homem se afogando. A ironia é que o rato não pode salvar o homem e por fim ambos se afogam.

 Preferir não significa conferir mais direitos. Podemos em um naufrágio preferir salvar a um amigo em detrimento de uma outra pessoa, desconhecida. Porque fizemos essa escolha não quer dizer que prejudicamos a outra pessoa, apenas não tivemos condição de ajudá-la. O caso é diferente de ativamente prejudicarmos um desconhecido para ajudarmos a um conhecido, como seria o caso, por exemplo, de retirarmos seus órgãos vitais para favorecermos uma vida que para nós é mais preciosa.

 No primeiro caso (do naufrágio) não estamos negligenciando o direito da pessoa à vida; no segundo (do roubo de órgãos vitais) estamos nítida e ativamente contrariando um direito individual. No primeiro caso não é uma questão de anti-ética, no segundo sim.

 Embora utilizemos critérios pessoais para definir de quais seres humanos gostamos e de quais não gostamos, isso nada tem a ver com o valor inerente dos indivíduos. Pelo ponto de vista da ética todos possuem o mesmo valor inerente e gozam, portanto, dos mesmos direitos. Assim também deve ser em relação aos animais.

 Determinado ser humano pode considerar que a vida de um rato não vale nada; que o rato vale os R$ 5,00 que foram pagos por ele; que o rato não é uma criatura em extinção e que portanto sua morte não fará falta ou qualquer outro pensamento que possa se passar. Mas o fato é que essa estrutura de pensamento ignora que cada ser senciente é um individuo e que portanto goza de direitos inalienáveis.

 Comparativamente, não faz muito mais de 100 anos que seres humanos podiam ser comprados por alguns contos de réis; e se a existência de muitos exemplares fosse condição para ignorar direitos individuais quanto valeria a vida de um chinês?

 É claro que colocar valor em uma vida senciente é contrariar a ética. O valor da vida de um ser senciente não pode ser mensurado, não importa o que digam nossos costumes. A ética está acima do espírito do tempo. Ela está acima das leis que governam os povos. As leis podem, em determinada época, afirmar o direito de possuir escravos, de saquear vizinhos ou crucificar inimigos. Embora as leis digam que se pode fazer isso, a ética sempre dirá que não se pode.

 Independente de considerarmos ratos animais simpáticos ou criaturas desprezíveis, matá-los será sempre errado. Isso porque certo ou errado nada tem a ver com nossas preferências particulares.



 O debate ético não é uma opção na ciência, sua presença é mandatória. Ele não deve envolver apenas acadêmicos e especialistas, mas principalmente leigos e pessoas não envolvidas com a academia. É curioso que no desespero de desviar o foco de atenção vivissectores lancem mão de seus títulos para desencorajar questionamentos.

 É desnecessário que o vivissector leve para o debate seu currículo, seus títulos e sua experiência no exterior. No campo da ética toda essa formação é irrelevante. O debate ético antecede todo o desenho experimental. Não importava quantas especializações possuía Joseph Menguelle, e se seus projetos foram aprovadas por um Comitê de Ética do Campo de Auschwitz constituído de nazistas que obviamente não reconheciam os direitos de seus prisioneiros.

 Qualquer debate relativo ao uso de animais em experimentos deve focar nos temas chave, quais sejam, o questionamento ético, fundamentado verdadeiramente nos direitos animais e o questionamento científico, fundamentado na boa ciência.

 A presente coluna – Ciência Ética – foi inaugurada com um texto que enfoca os aspectos (anti-)éticos da experimentação animal. Em textos futuros continuaremos a tratar do assunto, mas incluiremos também material referente aos aspectos técnicos da experimentação animal, sobre métodos substitutivos e sobre a boa ciência.



 Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”. Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

BIOÉTICA - Medicina da UFRGS ensina sem usar animais



Reproduzo abaixo, para consulta de todos, o texto publicado em 13 de julho de 2009, pela ECO AGÊNCIA Notícias Ambientais, Rio Grande do Sul
Autor da matéria:Ulisses A. Nenê
Link original da postagem:
http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=%3D%3DAUUF0dW1GdhJlRaVXTWJVU
Meu comentário, afinal, marcado com *


A série de postagens que estamos realizando tem o objetivo de DEMONSTRAR, além de qualquer dúvida, que a Experimentação Animal e Vivissecção NÃO são necessárias, nem tampouco oferecem recursos adequados para o ensino e a verdadeira pesquisa científica.

 Medicina da Ufrgs ensina sem usar animais

Passados dois anos desde que o sacrifício de animais foi abolido no curso, professores e alunos estão muito satisfeitos. Conflito ético foi o principal motivo para a troca por modelos artificiais nas aulas práticas. 



EcoAgência  Médico e professor Geraldo Sidiomar Duarte mostra tórax artificial que substitui uso de animais

 Por Ulisses A. Nenê

 O caozinho é trazido do canil e chega faceiro; caminha até o grupo de alunos de medicina e lambe as pernas de um deles. O clima na sala fica pesado e ninguém quer anestesiar e cortar o bichinho. Alguns estudantes, constrangidos, ameaçam ir embora. Cenas como esta ou parecidas aconteceram por diversas vezes, nos muitos anos em que animais foram usados nas aulas práticas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Famed/Ufrgs).

 Era assim, anestesiando, cortando e costurando animais vivos (vivissecação), depois sacrificados, que os futuros médicos aprendiam as técnicas operatórias e outros conteúdos. Mas isto mudou em abril de 2007, quando a Famed tornou-se a primeira faculdade de medicina do Brasil a abolir totalmente o uso de animais no ensino de graduação, no que foi seguida logo depois pela Faculdade de Medicina do ABC (SP).

 Não estamos falando de uma instituição qualquer: fundada há 111 anos, a Famed é considerada a melhor faculdade de medicina do país, tendo conquistado o primeiro lugar no Exame Nacional de Desempenho Estudantil de 2008 (Enade). O conflito ético foi o principal motivo para que o curso abandonasse a vivissecação, adotando o emprego de modelos anatômicos artificiais que imitam órgãos e tecidos humanos.

 Aprovação dos alunos 

 Passados dois anos, a medida tem a total aprovação de alunos e professores, que garantem não haver nenhum prejuízo para o aprendizado médico. Aluna do quarto semestre, Sabrina de Noronha, 22 anos, diz que sequer pensava que pudesse haver a utilização de animais quando ingressou na medicina. Ela já cursou disciplinas importantes, como fisiologia, anatomia, bioquímica, histologia, onde aconteciam aulas práticas com vivissecação, e não precisou passar por esta experiência.

 As aulas de anatomia, por exemplo, só utilizam cadáveres humanos. “Não tivemos contato com animais em nenhum momento. Fiquei sabendo há pouco tempo que outras faculdades usam animais e achei isso horrível; a faculdade existe para formar profissionais que vão ajudar pessoas e para isso não precisamos maltratar outros seres, não seria ético; a gente tem tanto direito à vida quanto eles (animais), não vejo diferença”, diz a aluna.

 Sua colega Bárbara Kipp, 22 anos, coordenadora-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Ufrgs concorda. Segundo ela, há outros métodos já bem desenvolvidos para se aprender as técnicas médicas sem precisar recorrer à vivissecação dos cães, coelhos e outros bichos. “Nunca usei animais no curso e estou aprendendo muito bem; não me sentiria à vontade se isso acontecesse e também não vejo ninguém, nenhum colega, sentindo falta”, afirma Bárbara.

 “Abolimos o uso de animais porque hoje não se precisa mais disso”, destaca o diretor da Famed, o médico endocrinologista Mauro Antônio Czepielewski. Não faltaram razões, pois havia alunos que não concordavam com o sacrifício dos cães e outros bichos nas aulas. Além da questão ética, a pressão das entidades protetoras dos animais era cada vez maior, conta o diretor.

 Também estava cada vez mais difícil conseguir os animais para servirem de cobaias, havendo ainda o problema de alojá-los e depois descartá-los, após serem sacrificados. Por isso, este procedimento vinha diminuindo ano á ano e quando foi abolido, em 2007, cerca de cinco ou seis animais ainda eram retalhados por semana nas mesas de cirurgia do curso.


 Modelos artificiais 

A mudança foi bastante discutida, e resultou na implantação de um Laboratório de Técnica Operatória, que funciona apenas com réplicas artificiais das partes do corpo humano, explica o diretor. O projeto todo, com reforma de instalações e aquisição dos modelos, importados, custou cerca de R$ 300 mil, com recursos da própria Ufrgs, Famed, Hospital de Clínicas (o hospital universitário) e Promed, um programa do Ministério da Saúde que incentiva mudanças nos currículos dos cursos de medicina. (clique aqui para ver fotos):
http://www.ecoagencia.com.br/?open=ver_galeria_noticias&id===AUUF0dW1GdhJlRaVXTWJVU&querystring=b3Blbj1ub3RpY2lhcyZpZD09PUFVVUYwZFcxR2RoSmxSYVZYVFdKVlU=

 O médico Geraldo Sidiomar Duarte, que deixou o cargo de diretor do Departamento de Cirurgia no início do mês, foi o responsável pela implantação do moderno laboratório. “Era uma deficiência grave do curso (a técnica operatória), tínhamos problemas para obter o animal, onde deixá-los, os cuidados pós-operatórios e o Ministério Público e as entidades protetoras vinham se manifestando, havia muitas objeções que criaram um conjunto de dificuldades”, relata.

 O trabalho era considerado insalubre e aconteciam muitos acidentes biológicos (quando alunos se cortam acidentalmente), com risco de infecção pelo sangue dos animais. Agora, o local é totalmente asséptico, não se vê uma gota de sangue no espaço de 120 metros quadrados. Duarte mostra uma peça sintética que imita perfeitamente a pele humana, inclusive na textura, onde os alunos podem fazer e refazer várias vezes cortes superficiais ou profundos, costuras e pontos. E os acidentes não acontecem mais, o risco é zero, acrescenta.

Outra peça imita um intestino, a ser costurado. Numa mesa ao lado, um tórax artificial permite o treino de punções em vasos profundos, como uma imitação da veia jugular cuja pulsação é possível sentir ao toque. Membros sintéticos apresentam ferimentos diversos a serem tratados cirurgicamente. O que parece ser apenas uma pequena caixa, com uma cobertura da cor da pele, representa a cavidade abdominal para a prática de cirurgia.

 O médico e professor mostra catálogos com uma infinidade de órgãos artificiais que podem ser adquiridos: “Há modelos artificiais para todos os tipos de treinamento, pode-se montar um laboratório gigantesco com eles”, diz Duarte. “Estamos muito satisfeitos, e os alunos muito mais”, completa.

 “Isso qualificou enormemente os alunos”, reforça Mauro Czepielewski, o diretor do curso. Ele acredita que esta é uma tendência irreversível e que o emprego de modelos artificiais acabará chegando a todas as faculdades de medicina, em substituição aos animais. Diversos cursos, do Rio Grande do Sul e de outros estados, já pediram informações sobre o laboratório da Famed. “A consciência do não-uso de animais é importante para fortalecer uma visão de valorização da vida”, afirma.

O diretor apenas considera muito difícil substituir animais na área de pesquisa, na pós-graduação. Mas garante que os procedimentos, neste caso, seguem rigorosos requisitos do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, com uso controlado e número limitado dos animais que servem de cobaias. ***



 Objeção de consciência 

O debate ético sobre vivissecação ganhou impulso no Estado a partir da atitude de um aluno do curso de Biologia, Róber Bachinski, que ingressou na justiça, em 2007, para ser dispensado das aulas que sacrificam animais, alegando objeção de consciência. Chegou a ganhar uma liminar, mas ela foi cassada, mediante recurso da Ufrgs, e o caso segue tramitando no Judiciário.

 Segundo ele, a abolição do uso de animais na Famed reflete uma tendência mundial: “Ao abolir o uso de animais a Famed mais uma vez demonstra a sua qualidade no ensino e o seu avanço ético e metodológico. Espero que outras universidades e cursos também sigam esse modelo e que esses métodos de ensino sejam divulgados”.

 Bachinski diz ainda que a abolição do uso de animais em disciplinas da medicina comprova que é possível a sua abolição em outros cursos com disciplinas equivalentes, como na farmácia, educação física, psicologia, enfermagem, biologia, veterinária. Na opinião do estudante, um novo paradigma educacional precisa ser criado, levando em conta não apenas o bem estar da sociedade e do aluno, mas também o respeito aos direitos básicos dos outros animais.
EcoAgência




*** OBS: Infelizmente o diretor parece não ter estado a par, pelo menos naquela ocasião, de que o uso de animais em experiências, mesmo em pesquisas da pós-graduação, NÃO se sustenta.
Assim revelam os textos contemporâneos especializados na área que estamos postando. As chamadas Comissões de Ética, hoje no Brasil, são verdadeiros galinheiros deixados sob a responsabilidade de raposas.
É fato sabido e notório que, além de não se justificarem teoricamente, o que prevalece aqui são as verbas milionárias que estas universidades e seus "programas de pesquisa" recebem. Este é um mercado milionário do qual poucos até aqui querem abrir mão.
(Sugiro a leitura das postagens feitas anteriormente aqui no CONTATO ANIMAL).
Namaste.

Vivissecção: um negócio indispensável aos interesses da ciência? Sônia T. Felipe

Continuando com a série de postagens que demonstram, além de qualquer dúvida, a IMPOSTURA da vivissecção e da experimentação animal, segue aqui o texto de Sonia R. Felipe.

Por favor, leiam. Informem-se. 
O conhecimento é a melhor arma que temos contra a estratégia da des-informação.
E fazer parar esta indústria assassina, responsável pela tortura e morte de incontáveis milhões de animais, bem como pelo atraso no desenvolvimento da farmacologia voltada para a saúde humana.

Vivissecção: um negócio indispensável aos interesses da ciência? Sônia T. Felipe

 Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, quando há métodos substitutivos.

Em muitos casos, a vivissecção é o único método no qual a inteligência científica recebe treinamento.

Nos últimos quarenta anos, a pesquisa biomédica centrou esforços em experimentos com “modelos” obtidos às custas do sofrimento e morte de animais não-humanos, usados para espelhar as doenças produzidas num ambiente físico e mental humano. Entre essas estão o câncer, os acidentes vasculares, a hipertensão, a hipercolesterolemia, o diabetes, a esclerose múltipla, as degenerações neurológicas conhecidas por mal de Parkinson e mal de Alzheimer, a “depressão” e outras formas de sofrimento psíquico.

Ratos, camundongos, cães, símios, cavalos, porcos e aves são comercializados no mercado vivisseccionista.

Só para dar um exemplo: Calcula-se que sejam 2, 6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta.

Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram. Cientistas reconheceram que a causa da doença é “ambiental”, contribuindo para ela diferentes genes, não apenas um.

Os medicamentos disponíveis hoje, de origem microbiana, não resultaram da vivissecção, e sim da codificação da estrutura físico-química deles (Greek & Greek, Specious Science). Calcula-se que sejam 2, 6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta. Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram.

Não sendo aquelas doenças de origem genética nem hereditária, qual seria o propósito científico em se insistir na arquitetura do modelo animal para buscar a cura delas?

Talvez se possa saber a resposta, olhando para os interesses financeiros (reais “benefícios humanos”?), em jogo na base, em volta e por detrás da atividade vivisseccionista acadêmica e dos negócios que ela encobre.

Consultando-se a tabela de preços das empresas que fornecem camundongos geneticamente modificados para pesquisas vivisseccionistas, por exemplo, começamos a ter uma idéia do que se esconde por detrás do argumento do “benefício humano”, que os vivisseccionistas defensores da legalização desta prática anti-ética usam como escudo para protegerem-se das críticas abolicionistas.

A pesquisa com animais vivos “beneficia interesses humanos”: o preço de um camundongo geneticamente modificado, para citar apenas uma espécie usada na vivissecção, pode variar de U$ 100,00 a U$ 15.000,00 dólares a unidade. Os utensílios para o devido manejo de um animal desses não são oferecidos por preços camaradas. 

Um aparelho para matar, de forma “humanitária”, animais usados na pesquisa, desativando-lhes as enzimas cerebrais, custa algo em torno de U$ 70.000,00 a unidade. Aparelhos para conter ratos, cães, gatos e macacos, podem custar entre U$ 4.500,00 a U$ 8.500,00 a unidade.

 Os “produtores” de animais também são parte desta cadeia que forma a “dependência da ciência em relação à vivisseccção”, sem a qual ela não pode sobreviver hoje, e à qual a vida e a saúde humana estão algemadas.

Em 1999, relatam Greek & Greek, a venda de camundongos nos Estados Unidos alcançou 200 milhões de dólares. A de outros animais chegou a 140 milhões de dólares.

Mas, os “benefícios humanos” aos quais os vivisseccionistas se referem em sua defesa pública da regulamentação da vivissecção no Brasil, não se restringem apenas ao que os empresários produtores de animais e fabricantes de aparelhos para contê-los nos biotérios e laboratórios faturam.

Também os editores das revistas, jornais e livros são parte desta comunidade humana “beneficiada” pela vivissecção.

E, finalmente, o benefício humano mais espetacular está no faturamento da indústria química e farmacêutica, uma cadeia de negócios ao qual estão atreladas todas as farmácias ao redor do planeta e todas as pessoas que compram medicamentos alopáticos na esperança de cura ou alívio de seus males, e alimentos processados, cujos componentes levaram os animais a sofrerem o Draize Test e o LD 50.

Mas, quando os vivisseccionistas publicam artigos defendendo a legalização de sua prática anti-ética, a de matar animais para inventar modelos que possam espelhar doenças humanas, mesmo sabendo que cada organismo tem sua própria realidade ambiental e não existe um meio que possa curar uma mesma doença em todos os indivíduos, pois cada um a desenvolve de modo peculiar, os “benefícios contábeis” e os “benefícios acadêmicos” acumulados em todos os elos dessa cadeia vivisseccionista são escondidos do leitor.

Ninguém publica, no Brasil, um relato minucioso do montante destinado pelas agências financiadoras à pesquisa vivisseccionista. Por isso, não temos conhecimento dos custos do fracasso vivisseccionista (AIDS, câncer, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, diabetes, colesterolemia, doenças ambientais, muito mais do que genéticas).

A pesquisa com animais levou a indústria farmacêutica ao apogeu nos últimos vinte anos.

Não casualmente, nestes últimos vinte anos, multiplicaram-se as mortes por insuficiência circulatória, hipertensão, diabetes, câncer, síndromes neurológicas degenerativas, cirrose hepática e infecções.

O componente ambiental dos males humanos não pode ser espelhado em organismo de ratos e camundongos.

Ao mesmo tempo, vivisseccionistas insistem em defender a lei que legalizará sua prática, dando a entender ao público leigo que a vivissecção é a “saída” para a cura dos males humanos.

Seus artigos “científicos” não produzem efeito, nem sobre seus pares vivisseccionistas.
Como poderiam produzir efeitos sobre a saúde humana? 80% dos artigos publicados em revista especializada são citados no máximo uma vez em outros veículos, e 50% dos artigos vivisseccionistas jamais são citados, seja na mesma, seja em outras revistas (Greek &Greek).

Os milhões de animais mortos para que tais artigos sejam publicados e para que seus autores os contabilizem em sua produtividade acadêmica, tiveram suas vidas destruídas para nenhum outro “benefício humano”, a não ser dar a seus autores o título de mestre e doutor, ou a concessão de bolsas de produtividade. 

São esses os reais “benefícios humanos” da prática vivisseccionista, dos quais ninguém pode abrir mão?


Sobre a autora:
Sônia T. Felipe, doutora em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, FLAD; pós-doutorado em bioética com recorte em ética animal, Professora e pesquisadora da UFSC, orienta monografias, dissertações e teses em bioética, ética animal, ética ambiental, direitos humanos e teorias da justiça.
Autora de, Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007) e Por uma questão de princípios (Boiteux, 2003).
 Artigos de Sonia T. Felipe A soberba vivisseccionista Vivissecção: um negócio indispensável aos interesses da ciência? Os verdadeiros argumentos abolicionistas contrários à vivissecção.
 Fonte: http://empresastestes.blogspot.com/2010/04/vivisseccao-um-negocio-indispensavel.html

- A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? - Sergio Greif



Além da INDIGNAÇÃO, precisamos de INFORMAÇÃO, se de fato desejamos ver o FIM da vivissecção e da Experimentação Animal. Ao longo dos últimos dias venho fazendo um trabalho de compilação de textos informativos e científicos, todos eles voltados para a comprovação de que ambas são uma FALÁCIA científica e altamente IMORAL. Um atraso de décadas no desenvolvimento de verdadeiros benefícios para a saúde humana, além de um CRIME do ponto de vista ético. Hoje começo a postar uma série de artigos de Sergio Greif, pesquisador brasileiro renomado internacionalmente, embora pouco reconhecido em seu próprio país natal.



  - A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? Sérgio GREIF




A resposta para essa pergunta é não. 

Para explicar de uma maneira bem simples, se assim o fosse, não seria necessária a existência de medicamentos de uso veterinário e medicamentos de uso humano, e poderíamos escolher entre nos operarmos em um médico ou um veterinário. Com efeito, não haveriam diferenças entre ambas as profissões. 

 Qualquer pessoa que tenha estudado biologia aprende que organismos evoluem. Evoluir significa diferenciar, derivar. Ratos e camundongos são animais parecidos, mas não idênticos; eles derivaram de um mesmo ancestral comum, cada qual com suas características. Mas uma vez que as diferenças se acumularam, duas espécies surgiram, próximas, mas diferentes. Fato é que ambos os organismos reagem de maneiras diferentes a determinadas drogas, a determinados tratamentos. Não basta sabermos que ratos pesam mais do que camundongos para corrigirmos a dose de uma droga, pois não existe qualquer linearidade que confira cientificidade a essa extrapolação. As diferenças entre espécies são qualitativas e não quantitativas. 

Da mesma forma acontece com o rato em em relação ao hamsters, o hamster em relação ao porquinho-da-índia, esse em relação ao coelhos, os sapos, os pombos, cães, gatos, porcos, macacos e, é claro, o homem. 

Nenhum resultado que se obtenha desses animais poderá ser aplicado ao homem, porque ao contrário do que querem nos fazer acreditar, o rato não é um ser humano que pesa quinhentas vezes menos. Também, a diferença de 0,4% entre os genes do chimpanzé e do homem não tornam esse um modelo recomendável para a pesquisa de doenças humanas em 99,6% dos casos.

 Animais utilizados em experimentação, para serem considerados "bons", precisam pertencer a linhagens específicas. Eles precisam ser o mais homogêneos possível, com o mínimo de variação genética. Dessa forma, os resultados que se obtém desses experimentos são bem agrupados. Se ao invés de utilizarem animais de mesma linhagem fossem utilizados animais com diferentes procedências, ainda que pertencentes à mesma espécie, os resultados obtidos seriam inconclusivos, pois mesmo dentro de uma mesma espécie as diferenças tornam as reações aos tratamentos muito variadas. Daí pode-se entender a inconsistência da defesa da utilização de animais. 

 A alegação mais comum para defender essas práticas é a de que seres humanos e animais domésticos são diretamente beneficiados por esses experimentos. Defende-se que, sem as pesquisas em animais, o ser humano não disporia de vacinas, transplantes, anestesias, nem das drogas que pretensamente tratam as diferentes doenças. Alarma-se para a idéia de que o fim da experimentação animal representaria o fim da humanidade. O declínio em nossa qualidade de vida, em nossa longevidade. 

Estas alegações são, para dizer o mínimo, enganosas. 
Embora todos esses tratamentos tenham sido exaustivamente testados e aprovados em animais, todos eles se mostraram falhos em produzir efeitos promissores em seres humanos, pelo menos em um primeiro momento. 

 Muitos deles, apesar da segurança comprovada em animais, mostraram-se prejudiciais a seres humanos, produzindo severos efeitos colaterais. E se a intenção desses experimentos era impedir que seres humanos fossem utilizados como cobaia, isso não aconteceu. 

 Se hoje transplantes de órgãos podem ser realizados com maior sucesso e existem vacinas um pouco mais seguras, foi porque ao longo dessas últimas décadas esses tratamentos foram testados em seres humanos, muitas vezes às custas de suas vidas e saúde. O pretenso sucesso desses tratamentos em tempos mais recentes, embora possa vir a ser contestado em outras instâncias, não pode ser atribuído ao uso de cobaias animais, mas sim ao uso de cobaias humanas.

Seres humanos morreram nos primeiros transplantes de órgãos, seres humanos sofreram severos efeitos adversos de vacinas do passado, e com base nessas tentativas e erros, a atual medicina foi construída. Não com base na experimentação animal. 

Mas, se a experimentação animal não beneficia aos humanos, por que a maioria das pessoas acredita que ela é essencial? 

Podemos dizer que em certo sentido a ciência funciona como uma religião, onde a autoridade do alto clero jamais é contestada; assim, um doutor jamais pode ser questionado, mesmo que seja um mero reprodutor de uma idéia que ouviu. O próprio cientista muitas vezes não se questiona, o que parece um contra-senso, mas ele assume que determinados pressupostos são verdadeiros e os defende cegamente. 

 Em outra abordagem, a ciência é mercantilista. Ela funciona por interesses comerciais, e a experimentação animal é interessante nesse aspecto. Além de todos os equipamentos e insumos necessários para a manutenção de animais de laboratório (gaiolas, equipamentos de contenção, rações, etc) a indústria lucra com a experimentação animal. Indústrias, como a farmacêutica, obtêm seus lucros da venda de seus produtos, no caso, medicamentos. 

Por isso, elas necessitam convencer a população de que seus produtos são vitais para sua qualidade de vida. Esforços são feitos para convencer as pessoas de que o aumento em nossa expectativa de vida tem relação direta com a enorme disponibilidade de drogas e tratamentos atuais. Poucos atribuem essas melhorias às nossas atuais condições de moradia, de higiene, abastecimento de água limpa, saneamento, segurança alimentar, etc, fatores estes que também passaram a preponderar nas últimas décadas.


O papel da experimentação animal Nossa vida e bem-estar não dependem da experimentação animal. As experiências com animais apenas resguardam os interesses da indústria farmacêutica e associadas, possibilitando colocar no mercado drogas nem sempre seguras às pessoas. Experimentos em animais são conduzidos para amenizar as responsabilidades de laboratórios que lançam no mercado produtos que mais tarde poderão vir a prejudicar seres humanos. 

 Por exemplo, se o xampu que não deveria arder nos olhos queimou os olhos de uma menina, isso é visto como uma fatalidade; testes realizados em olhos de coelhinhos mostram que o produto é seguro. 

E quem pode provar que o cigarro está associado a alguma doença, quando experimentos com animais mostram resultados inconclusivos? Após passarem por todos os testes 'necessários', em animais, e serem colocadas no mercado, muitas drogas precisam ser recolhidas. Isso porque seus efeitos adversos começam a se manifestar na população, muitas vezes de forma grave. 

Os testes em animais não podem prever esses efeitos, e isso é de conhecimento da indústria, mas há uma necessidade de que eles sejam conduzidos para prevenir a indústria de futuros processos.  

Se todos os testes considerados necessários pela legislação forem realizados em animais a indústria se isenta de sua responsabilidade. As pessoas que vierem a falecer em decorrência do uso de um medicamento tornam-se fatalidades. Números aceitáveis frente aos possíveis benefícios do medicamento. 

 A ciência que utiliza animais de laboratório não é uma ciência boa, não apenas porque vitima animais inocentes, mas porque os resultados que produz prejudicam também ao ser humano. 

Esta metodologia conduz ao erro, ao atraso, a dados errôneos, à má-interpretação, à incoerência e ao desperdício de vidas. 

A abolição da vivissecção não é algo para ser pensado para o futuro, ela deveria ser algo do passado, é urgente. A utilização de animais em experimentos é um erro que se propagou na ciência e que ainda não foi suficientemente questionado. Cabe à sociedade como um todo se mobilizar no sentido de extingui-la.








Diante das considerações do autor, acima (meus grifos, em itálico), entendemos o papel e o dever que temos de nos opor à IMPOSTURA, à PSEUDO-CIÊNCIA e à CHACINA destes animais. 
Namaste

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Biochips e Pele Artificial: 2 Alternativas para a Experimentação Animal


Norah André

Diante do obscurantismo que os vivissectores conseguem ainda impor à sociedade, fazendo com que os incautos e desavisados ainda acreditem que seus métodos de tortura de animais se constituem no método investigativo adequado e de resultados mais eficientes, somos forçados a funcionar como uma espécie de investigadores e, ao longo do tempo, ir coletando as evidências que vazam para a sociedade, fornecendo informações vindas de outro grupo de cientistas, estes os verdadeiros pesquisadores empenhados no progresso do conhecimento.

 Que fique claro que estes senhores, se assim o fazem, ao mentir descaradamente e insistir no emprego do chamado "modelo animal de pesquisa", assim o fazem por motivos pessoais e financeiros, recusando-se a adotar métodos infinitamente mais produtivos em termos de pesquisa científica, seja pelos investimentos que seriam obrigados a fazer, seja por medo de perder seu "prestígio" junto à comunidade de vivissectores, estreitamente ligada às grande corporações farmacêuticas.

Aqui, a palavra de ordem, é LUCRO e CAUTELA diante de eventuais processos legais que temem encarar, e não a VERDADEIRA pesquisa científica e seus potenciais benefícios para a saúde humana.

Sofrem e morrem os animais. PERDEM os homens com a adoção de metodologias ultrapassadas e anti éticas, que tem retardado o avanço da medicina aplicada, tal como a moderna e boa ciência o indica com clareza inequívoca.


Existem sabidamente muitas alternativas à experimentação em animais.
O que falta é a DECISÃO de fazê-lo. E, eu acrescentaria, alguma vergonha na cara de quem pratica e lucra com a vivissecção


I  - Desenvolvimento de novos fármacos: Biochip evita testes em animais

Uma equipe de pesquisadores norte americanos desenvolveu uma tecnologia capaz de eliminar a necessidade de serem utilizados animais durante os estudos de segurança para o desenvolvimento de novos fármacos.
 E mais: o novo biochip é capaz de garantir  a obtenção de resultados mais rigorosos e fidedignos para a saúde humana.
A pseudo-ciência ainda prevalente, quando se trata de avaliar a toxicidade das substâncias em estudo, equivocadamente ainda se baseia em testes realizados em animais que, segundo afirmam __ falsamente, diga-se de passagem __, permitiriam prever se um determinado candidato a fármaco é ou não tóxico.

 Porém, como já está claramente estabelecido, estes procedimentos, além de dispendiosos e ANTI-ÉTICOS, não refletem com precisão a reação dos seres humanos às mesmas substâncias anteriormente testadas em animais.

 Muito pelo contrário. Sabe-se hoje que a fisiologia humana é diferente da de qualquer outro animal e que os resultados obtidos em estudos com animais, são extremamente imprecisos quando transferidos para humanos.

Substâncias consideradas seguras e eficientes em animais, mostraram-se perigosas ou mortais em seres humanos; outras, consideradas ineficazes quando testadas em animais, mostraram se redentoras do ponto e vista da fisiologia humana.

 Ao longo dos últimos anos, tem sido muitos os esforços para desenvolver estratégias que substituam os testes em animais, ainda mantidos hoje na indústria farmacêutica, que alega serem "necessários" durante os ensaios pré-clínicos.

Você me perguntará o porquê disso. Eu respondo: MUITO DINHEIRO envolvido nisso.

 Há poucos anos, uma investigação conjunta do Rensselaer Polytechnic Institute, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e da Solidus Bioscience, revelou resultados extremamente encorajadores no campo da pesquisa da farmacologia humana:

  "Observamos os problemas com que as empresas se deparam e percebemos que precisávamos desenvolver algo que tivesse custos reduzidos, uma taxa de aceitação elevada, que fosse facilmente automatizado e não envolvesse animais", explicou Jonathan Dordick , um dos principais responsáveis pela investigação, professor do Rensselaer Polytechnic Institute e co-fundador da Solidus Biosciences.

O Datachip engloba mais de 1.000 culturas de tecidos tridimensionais que refletem a forma como as células se organizam no organismo. O objetivo é fornecer aos pesquisadores um sistema de projeção rápido, capaz de prever o potencial de toxicidade de um candidato a fármaco em vários órgãos do corpo humano.

 "Desenvolvemos o MetaChip e o DataChip para lidar com dois dos assuntos mais importantes que precisam de ser avaliados quando se analisa a toxicidade de uma substância – o efeito nas diferentes células do nosso corpo e a forma como a toxicidade se altera quando a substância é metabolizada pelo organismo", afirmou o responsável.

 A capacidade de um indivíduo para metabolizar uma substância é determinada pela sua composição genética e pela quantidade de medicamentos metabolizados pelas enzimas,  determinando o quão tóxico pode ser um composto para eles.

 Ao modificar a proporção das enzimas no MetaChip, os cientistas conseguiram desenvolver chips personalizados que prevêem a resposta de um paciente a uma determinada substância. "Ainda estamos longe da medicina personalizada, mas o MetaChip caminha nessa direcção", salientou Dordick.


II- Pele Artificial

 Há mais de 4 anos, a USP já desenvolveu a pele sintética, ainda não usada pelas grandes corporações como alternativa à experimentação em animais.

 Não é de se estranhar que, todos estes anos mais tarde, as empresas de cosméticos continuem torturando e cegando coelhos, ao invés de adotar esta alternativa, já que seriam necessários investimentos financeiros para fazê-lo ....

A excelente notícia, um break-through potencial que impediria o prolongamento deste holocausto animal, foi dada ao público em matéria da Folha de São Paulo em 2009:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u631911.shtml

Reproduzo a publicação feita, ipsis literis, para facilitar a visualização de todos:


02/10/2009 - 08h52

USP desenvolve pele artificial para evitar testes com animais

MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online

Um laboratório da USP desenvolveu uma pele artificial que pode substituir testes de cosméticos em animais e ajudar também em sua redução nos testes farmacológicos.
Agora, as pesquisadoras estão em fase de contatos com empresas para viabilizar o financiamento da utilização do modelo desenvolvido, apesar de ele já estar pronto há cerca de um ano.
Divulgação/USP
Modelo de pele artificial desenvolvida pela USP constitui estrutura completa tripla e deve ajudar na substituição de animais em testes
Modelo de pele artificial desenvolvida pela USP constitui estrutura completa tripla e deve ajudar na substituição de animais em testes
De acordo com a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Silvya Stuchi, responsável pela pesquisa, já existem outros modelos de pele artificial sendo utilizados nos Estados Unidos e Europa. No entanto, há dificuldades de transporte e importação, já que é um material vivo e sensível.
Assim, quando há a demanda de não usar animais no Brasil --ou pelo menos usar menos--, o que acaba acontecendo é o envio dos princípios ativos dos cosméticos para testes no exterior. O problema é que a indústria brasileira gasta muito para fazer testes em outros países.
"Desenvolvemos uma estrutura de pele completa, com três elementos", diz Stuchi. "o melanócito, responsável pela pigmentação; o queratinócito, responsável pela proteção; e o fibroblasto, segunda camada", explica ela.
Tendência: sem animais
"A partir deste ano, na Europa, já não há testes em animais para cosméticos, é algo mandatório", afirma a professora Silvia Berlanga, corresponsável pela pesquisa na USP. "É uma tendência mundial."
Para cosméticos como filtro solar e creme antirrugas, a questão fica mais fácil de resolver com a pele artificial e por isso animais já foram totalmente substituídos no continente europeu. Porém, a questão fica mais dificil no que toca à indústria farmacêutica, diz Berlanga. "Os medicamentos podem envolver também ingestão via oral, ou mesmo endovenosa [pelo sangue]", explica ela.
Fármacos envolvem absorção pelo organismo, o que vai além da pele em si. Por isso, neste caso, o que ocorreu foi a redução do uso de animais, já que ao menos certas etapas de testes puderam ser substituídas.
Divulgação
Coelho albino, usado em testes de laboratórios no Brasil devido à pele sensível, segundo recomendação da agência sanitária Anvisa
Coelho albino, usado em testes de laboratórios no Brasil devido à pele sensível, segundo recomendação da agência sanitária Anvisa
Motivações
O representante da Interniche (International Network for Humane Education) no Brasil, o biólogo e psicólogo Luís Martini, estima que ainda mais de 115 milhões de animais sejam usados por ano no mundo em experimentos e testes.
Uma motivação para a transferência para modelos de laboratório é a própria importância científica de trabalhar com a pele da própria espécie humana, que é específica. "Assim trabalha-se com algo mais fidedigno ao que é real", explica a professora Silvya Stuchi.
Martini esclarece ainda que, devido às diferenças fisiológicas entre as espécies, há "inúmeros casos em que medicamentos que foram desenvolvidos e testados em animais tiveram que ser retirados do mercado por terem causado efeitos adversos severos quando foram utilizados por seres humanos".
Outro motivo é a "ética da experimentação" ao lidar com os animais, como diz Berlanga. "Mesmo que fique mais caro com a pele artificial, é importante reduzir o uso de animais", diz ela.
George Guimarães, presidente do grupo de defesa dos direitos animais Veddas, vai mais além. "Consideramos isso [uso de animais] inaceitável do ponto de vista moral e ético, uma vez que esses animais não escolheram ser usados para servir aos nossos interesses."
O ativista e nutricionista afirma ter levado a Brasília, na época da aprovação da lei Arouca, que regulamentou os experimentos com animais em outubro de 2008, um total de 26 mil assinaturas buscando expor sua visão. Mas diz não ter obtido espaço com os parlamentares, que só recebiam "representantes das instituições científicas".
Martini completa dizendo que "os experimentos em animais causam dor e sofrimento". Assim, "segundo o princípio da igual consideração de interesses semelhantes, deveríamos respeitá-los nos seus direitos básicos que são o direito à vida, à integridade física e à liberdade."
Desenvolvimento
A matéria-prima utilizada para criar a pele é na verdade de doadores humanos mesmo, que fazem cirurgias plásticas --no caso do laboratório da USP, são utilizadas doações do Hospital Universitário. Assim, as células são cultivadas em placa de petri e são formados os tecidos, incluindo a derme e epiderme.
O objetivo original do desenvolvimento da pele, no entanto, que começou há 15 anos, foi para o estudo do melanoma, um tipo grave de câncer de pele.
De lá para cá, a professora Stuchi cita dois marcos importantes. O primeiro foi a parceria com os pesquisadores do Instituto Ludwig de Pesquisa Sobre o Câncer, estabelecido no Hospital do Câncer em São Paulo, com quem aprendeu muito o isolamento das células, a partir de 2005.
O segundo marco foi com uma primeira bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) entre 2007 e 2008, sua temporada como pesquisadora visitante na Universidade de Michigan, EUA. Lá adquiriu diversos tipos de tecidos de pele humana e pôde fazer testes com eles no Brasil, obtendo realmente o conhecimento sobre como fazer a estrutura da pele.
Em 2009, o projeto de pesquisa na USP obteve nova verba da Fapesp, por meio do qual, aprimoramentos no modelo de pele estão sendo realizados.
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Fica a pergunta: em que ponto ficou deixada esta pesquisa potencialmente revolucionária?

Porque ninguém teria se disposto a financiar, aprimorar e aplicar este novo modelo de testes, aqui denominado de "modelo de pele"?
A resposta agora você já tem, com certeza: Falta DECISÃO e VONTADE de FAZER.
Falta ÉTICA, pura e simplesmente.
 Namaste