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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

CHICOTE - a exploração e tortura sistemática dos animais ditos "de tração"


  • Reproduzo, abaixo, texto de Sonia T. Felipe, acerca da realidade diária sofrida pelos animais ditos "de tração" (cavalos, burrinhos e jumentos, sobretudo), a quem é negada sua própria individualidade e natureza, tratados que são como "máquinas" à disposição do homem. 
  • Mesmo máquinas teriam melhor tratamento, afinal necessitam e recebem manutenção apropriada, de forma a justificar o investimento financeiro anteriormente feito quando de sua aquisição. 
  • Não se trata de uma realidade que sequer exclusivamente aconteça nos remotos confins do interior, em lugares extremamente pobres, como você talvez imagine. Aqui mesmo em Paquetá, Rio de Janeiro, tal exploração hedionda é objeto de "diversão" para os visitantes. 
  • Nem o lançamento dos dejetos das cocheiras imundas destes pobres animais na Baía de Guanabara, às vésperas do "banho de merda" a que serão submetidos os atletas olímpicos em 2016, parece ser motivo suficiente para que as "autoridades" tomem vergonha na cara e acabem com esta tortura injustificável, uma vez que projetos de carrinhos elétricos __ ecológica e eticamente corretos __ já foram apresentados e são economicamente viáveis, além de assegurar ocupação para os hoje "charreteiros" da região. 
  • Qual será o prazer em insistir em práticas medievais e inaceitáveis? 
  • Qual será o prazer em torturar? 
  • Que reais motivos levariam a administração pública a manter estes antros de tortura e foco potencial de doenças e desequilíbrio ambiental? Há muito já passamos de situações argumentáveis. 
  • Hoje temos apenas o DEBOCHE descarado como resposta dos encarregados de gerir esta e tantas outras situações éticas e de interesse da população.                                                                                                                                                                       Norah

  • CHICOTE 
  • Sônia T. Felipe 

  • É pelo golpe do chicote que o forçam a mover-se. Desde jovem. Escravizado. Passa o dia puxando a carroça carregada. Os cascos firmam-se contra o asfalto, resvalam nos paralelepípedos plantados de forma irregular, as lajotas deslocadas de seu berço, as poças d’água, as pedras que o fazem torcer a pata. E ele evoluiu para galopar nos prados...                                                                                                                                       O peso é descomunal. O da carroça, feita de madeira maciça, e o das rodas, feitas de ferro. Mas isso ainda não é tudo, não basta para os humanos que o mantêm na condição de refém, de escravo. Há mais peso ali, acrescentado ao da carroça. Ora é carga inerte, tijolo, telha, entulho, lixo. Ora é carga viva. E não é pouca.                                                   Cinco, seis, oito humanos se acomodam nos assentos, tagarelas, aproveitando ao máximo o conforto da “carruagem”. Sobem nela e sentam-se ali, como se estivessem em sua sala de visitas, sentados em seus sofás. Sentam-se, felizes, porque ali a sala os leva a passear, como num passe de mágica, e a tela não é de dois palmos, é amplíssima e eles são levados por dentro dela a passear.                                                                   
  • Não há ruído de motor de tração. A tração é silenciosa. Se há algum ruído, ele vem do atrito das patas do cavalo sobre o asfalto, as lajotas, os paralelepípedos, as pedras, as poças e buracos da rua. E os cavalos puxam esse peso todo, que equivale ao, ou excede em muito, seu próprio peso. E eles o puxam o dia todo.                                                         O sol está forte. O calor desidrata. Mas ninguém está passeando ali para se preocupar com a sede ou com o cansaço do cavalo. Todo mundo se aboleta na carroça para curtir o passeio, as férias, para divertir-se. E o fazem à custa do tormento do cavalo. Atado em aparatos de ferro, a começar pelo que lhe atravessam sob a língua, órgão usado como sensor dos desejos do boleeiro. Puxando o “freio” posto sob a língua do animal, o machucam, o fazem sentir dor. Então, pela dor da puxada do freio, o animal para.       Uma dor ainda está ali, quando a outra lhe é provocada. É preciso que ele saiba que agora precisa retomar a marcha pesada, puxando a carga humana. E, atormentado pela dor dos músculos exauridos, pela desidratação, pela fome, pelas ligas de ferro e couro que o atam à carroça, o cavalo recebe um guascaço sobre o lombo, dado com um chicote feito de tiras de couro, trançadas, ou não.                                                                            
  • E o golpe desse chicote sobre seu couro o faz arrancar num impulso. Não porque tenha entendido o desejo do carroceiro, mas porque a dor é imensa e não há como ficar parado ao sofrer o golpe. Obviamente, por estar amarrado fortemente à carroça carregada de humanos, ao tentar fugir, nesse impulso que o leva a buscar não sofrer outra vez o mesmo golpe de chicote, o cavalo puxa a carroça para frente. E segue puxando-a, pois se esmorecer levará outro golpe. Os carroceiros fazem isso a ele todos os dias, o dia todo, por toda sua vida, com o apoio da lei e o gozo dos usuários. 
  •  E, ao final do dia, ao ser liberado das amarras para passar a noite, sofre novos castigos. Ou é a comida que não vem, ou vem pouca. Os remédios para aliviar a dor dos machucados, dos golpes de chicote e das feridas das correias que amarram seu corpo ao artefato pesado que foi forçado a puxar, a dor das atrofias articulares, dos tendões lesados, dos nervos em frangalhos, dos músculos enrijecidos, o alívio dessas dores, nunca vem, remédios para elas, não, também. 
  • E esse cavalo que levou gente bem vestida e perfumada a passear pela cidade que o escraviza tem que dormir sem conforto algum, sobre seus excrementos e urina não retirados dali enquanto ele seguiu mais uma jornada de sofrimento. 
  • No silêncio da noite fria, ventosa, úmida, quente, cheia de mosquitos, moscas, excrementos, fome, sede, cansaço, reverbera o relincho que esse animal já não consegue dar. Quebraram sua vontade. Quebraram sua altivez. 
  • Na manhã seguinte, ele voltará a ser amarrado à carroça e a puxará para levar turistas em festas, em férias, em folga, em liberdade, mas seu pescoço já não consegue mais erguer-se, e não porque ele goste de olhar para o chão, mas porque algo está errado com suas articulações, seus nervos e tendões. Mas ninguém o vê. Ninguém presta atenção nele, ao subir para o assento da carroça. É tradição. 
  • Ninguém vê a dor que causa ao cavalo que o leva a deslizar sobre paralelepípedos, lajotas, buracos, pedras, poças d’água, asfalto em brasa. Ninguém vê nada. E ninguém se admira que o animal já não relinche. Relinchar é falar. Falar, para quem? Doer e resignar é o que nossa liberdade de escravizar cavalos deixa para eles. Resignar, em vez de relinchar. Mas isso vai acabar! Já não há perdão para tanta barbárie em nome da tradição e do turismo!



(postagem originalmente feita por Sonia T. Felipe como status no Facebook)

sábado, 2 de junho de 2012

ESPECISMO - o que é isso? (definição)


Especismo consiste em atribuir diferentes direitos ou diferentes valores a indivíduos de diferentes espécies.

Naturalmente, tal como concebida pelo psicólogo inglês Richard Ryder em 1973, a noção de "especismo" ('speciesism') refere-se ao preconceito do homem em relação a outras espécies, com base em diferenças físicas, a quem o homem atribui valor qualitativo.

Tal como o racismo, que pesa e valora indivíduos humanos com base na cor de suas peles, o especismo valora as vidas de indivíduos de diferentes espécies com base na diferença que apresentam em relação à forma humana.

Com base nisto, podemos com certeza afirmar que o especismo equivale a um tipo de discriminação, inventado pela mente humana, que, AO INVÉS de VALORIZAR as SEMELHANÇAS (a senciência que compartilhamos com TODOS os outros animais), prefere, arbitrariamente, RESSALTAR as DIFERENÇAS externas entre os indivíduos, valorizados em escala a partir do referencial do humano como padrão de referência:

"I use the word 'speciesism'," escreveu Richard Ryder em 1975, "to describe the widespread discrimination that is practised by man against other species ... Speciesism is discrimination, and like all discrimination it overlooks or underestimates the similarities between the discriminator and those discriminated against." 

Não é difícil reconhecer aqui o "toque podre" do Cristianismo instituído (não de Cristo, é bom frisar) e de outras religiões, que sempre fizeram questão de atestar o homem como o centro ou ápice da criação divina, como seu "filho preferido".

Nem poderia ser diferente, já que toda e qualquer religião é necessariamente uma "produção humana". E mais: que seus mantenedores, zeladores ou sacerdotes, tenham precisado desde sempre desta certificação de autoridade para se apresentar como porta-vozes "autorizados" da divindade.


Nas tradições consideradas pagãs, não era este o critério empregado.
E por isso mesmo bem sabemos o quanto o cristianismo foi seu arqui-inimigo: queimando todos os "pagãos" que encontrou pelo caminho para fortalecer sua pseudo-autoridade e incorporando datas e rituais pagãos ao seu calendário, quando foi incapaz de destruí-los, dada a sua força ancestral.

Em muitas culturas deus era MULHER: a Natureza, a Mãe que ama a todos os seus filhos, sem distinção, com um amor incondicional.
E, como tal, isto aproximava os animais da visão da Criação divina como um conjunto multifacetado, composto de diferentes formas de expressão: homens, aves, mamíferos, peixes e todas as formas de vida eram aspectos vivos do divino.

A diferença e a variedade eram justo o que caracterizava a Divindade em sua manifestação. (As pernas não são mais relevantes que os braços, ou são? Uma cabeça pode existir sem um corpo? Ou tudo faz parte de um grande organismo cósmico, por assim dizer?)

 Mas por trás desta pluralidade da manifestação externa (a variedade infinita da manifestação divina e criadora da Grande Mãe), um conceito nos unia e assemelhava a TODOS (humanos e não-humanos) como tendo uma única essência, como frutos de uma mesma Árvore: a VIDA.


Séculos e séculos de lavagem cerebral conduziram as coisas ao ponto em que hoje estão: homens de um lado, e todo "o resto" (florestas, o ar, mares e os não-humanos) de outro.

No inconsciente coletivo isto começou com a expulsão do homem do Paraíso.
Não que isto fosse um reconhecimento ou uma premiação, pelo contrário: teríamos sido literalmente expulsos e banidos, JUSTAMENTE por nos pretendermos diferentes e termos nos mostrado incapazes de viver em harmonia com o TODO da Vida.
Pretendendo "mais", exigindo "mais" .... (como mulas sem cabeça, ou "cabeças sem mula", melhor dizendo ...)


Mas sacerdotes e egos ambulantes e interessados conseguiram convencer a grande maioria de que esta EXPULSÃO teria sido um PRÊMIO, um "reconhecimento" que o homem teria conquistado por sua "originalidade" e "primazia".
Não à tôa se fala na Serpente e no Diabo: agradar criaturas vaidosas e estúpidas, dissociadas do equilíbrio Universal, com palavras vãs e títulos honoríficos nunca foi tarefa difícil para quem pretendeu estabelecer o Mal e a Divisão para Reinar.

E assim se fizeram as TREVAS do Especismo.
Nas quais estamos todos cada vez mais afundados, para desespero de alguns poucos, que preferiram permanecer no Jardim do Éden, onde todos somos UM.


Namaste.

Nota: (texto primeiro publicado no blog da Weeac Brasil, em 11 de novembro de 2011) 
Norah André

terça-feira, 22 de maio de 2012

ATO MUNDIAL pela NÃO Extradição de Paul Watson



Acontece amanhã, dia 23 de maio, um ato mundial, convocado pela matriz do Sea Sheperd, em favor da plena liberação e não-extradição de Paul Watson.
Watson foi detido no aeroporto de Frankfurt no dia 14 de maio, onde permaneceu preso em cela até que fosse paga uma fiança de 250 mil euros.


Tratado como um bandido, depois de uma sórdida conspiração internacional __ denunciada inclusive pela Interpol, que já afirmou que se recusa e recusará a emitir um Alerta Vermelho para Paul Watson __, Watson foi "liberado" da cela e permanece impedido de deixar a Alemanha. Na 4a feira, amanhã,m dia 23, a presidente da Costa Rica deverá chegar à Alemanha, com o firme propósito de pedir sua extradição para "julgamento" na Costa Rica, onde Watson corre o risco, se extraditado, de pegar até 15 anos de prisão.






O "motivo" alegado para sua prisão foi o requerimento da Costa Rica, através de um mandato já expirado, em que Watson foi acusado de "direção perigosa" de navio, ao abordar um navio costa riquenho em águas da Guatemala, país do qual recebera autorização para a ação que ali realizava, de forma a impedir a caça ilegal de tubarões em águas não-costa riquenhas.


Observe-se que ninguém foi ferido durante o alegado "grave incidente". Apenas os inúmeros tubarões caçados ilegalmente para o crime ambiental denominado "shark finning", em que as barbatanas do animal são retiradas e seus corpos mortos são devolvidos ao mar.


 A convocação para que todos compareçam, em todo o mundo, em frente às embaixadas e consulados da Alemanha, no dia 23 de maio, no horário das 11 às 13 hs (que será obedecido internacionalmente, respeitadas as diferenças de fuso horário de cada localidade), foi acertada de forma a coincidir com a chegada à Alemanha da atual presidente costa riquenha, no próprio dia 23 de maio.


Nós do Cadeia estamos oferecendo apoio incondicional ao Instituto Sea Sheperd Brasil, como não poderia deixar de ser.






Abaixo alguns links e informações sobre os atos públicos e pacíficos em apoio e defesa da liberdade PLENA do último herói planetário de que se tem notícia, que se dedica há 3 décadas, solitariamente, a defender o que ainda resta da vida marinha do planeta, hoje ameaçada de uma extinção iminente pela indiferença/interesse dos governos mundiais.


Enquanto este homem continua sob ameaça, navios baleeiros japoneses continuam a CHACINAR baleias em águas internacionais de santuário, a título de "pesquisa", como descaradamente afirma o nome do Instituto de Pesquisa de Ceráceos do Japão.


A prisão de Watson "coincide" com um processo movido pelo governo japonês contra o Sea Sheperd em Seattle.





 Obs: Se você não sabe quem é Paul Watson, e o trabalho realizado pelo Sea Sheperd, por favor faça uma breve consulta a este link da Wikipedia, escrito em português:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Watson


Você rapidamente entenderá porque é FUNDAMENTAL impedir a sua EXTRADIÇÃO, para que ele possa continuar seu trabalho.


 VAI AQUI UM ÚNICO__ entre CENTENAS de OUTROS __ BOM MOTIVO que torna a presença de todos uma OBRIGAÇÃO MORAL de cada cidadão do planeta. 30 anos de luta em defesa da vida marinha. O que é 1 hora do seu tempo, comparada com a magnitude do trabalho de toda uma VIDA? 







http://www.anda.jor.br/09/03/2012/ativistas-da-sea-shepherd-impedem-a-caca-de-centenas-de-baleias-na-antartida


No Rio, o endereço do consulado da Alemanha é Rua Presidente Carlos de Campos 417 - Laranjeiras, zona sul da cidade:
http://www.facebook.com/events/424029817614863/




Porto Alegre - https://www.facebook.com/events/348555401876693/
São Paulo - https://www.facebook.com/events/179182368874323/
Brasília - https://www.facebook.com/events/416961428336840/

Belo Horizonte: http://www.facebook.com/events/156462267817731/
Blumenau: http://www.facebook.com/events/216394321812699/
Recife: https://www.facebook.com/events/235097909937619/


Impossível não me referir a certos fatos, estatisticamente demonstrados, e que são motivo pra mim de muita tristeza e apreensão com relação aos rumos do mundo.
Desde que passamos a dedicar boa parte do espaço de nossa página à Libertação de um HERÓI da Resistência ao extermínio consentido pelos governos mundiais da vida marinha do planeta Mãe, nossa "audiência"na página pública do Cadeia despencou em 40% aproximadamente, segundo informe de ontem do FB.
Felizmente não sou apresentadora de um programa de televisão medíocre.
Felizmente não concorro a cargos políticos.
Felizmente não tenho patrocínios de multinacionais.
Felizmente tenho VERGONHA na CARA e alguma informação.
Felizmente vejo o ativismo pelos direitos dos animais com os melhores olhos possíveis, e profunda identificação pessoal.
Felizmente não tenho pacto com os bem-estaristas, pecuaristas e/ou baleeiros/peleteiros.
Felizmente integrei valores éticos durante a formação da minha personalidade.

INfelizmente, vivo num país que não funciona de acordo com o que foi dito acima.
INfelizmente a maioria da população é desinformada e NÃO quer ser informada.
INfelizmente o brasileiro é, de forma geral, desinformado e passivo.
INfelizmente vivemos às vésperas de uma ditadura mundial.
INfelizmente a maioria das pessoas é ZUMBI.
INfelizmente não se trabalha, na maioria dos casos, em um esquema de valores, solidariedade com irmãos ativistas.
Infelizmente nem pela via dos direitos humanos, os brasileiros parece se solidarizar, em sua maioria, com o complô contra Paul Watson, que hoje corre o risco de ser aprisionado por até 15 anos em uma prisão imunda de terceiro mundo de um país conhecido pela corrupção e pela devastação ambiental..
INfelizmente nossa mídia é vendida e controlada por outros interesses.
A todos vocês só tenho a dizer que lamento.
Mas VOU CONTINUAR a fazê-lo até o momento em que um dos poucos HOMENS que ainda fazem de fato alguma coisa pela vida na Terra, ao invés de conchavos diplomáticos com os governos paralelos do mundo e seus interesses __ enfeitando navios com bandeirinhas e fabricando origamis em papel de baleia __ enquanto as baleias são assassinadas brutalmente a título de "pesquisa" pelo governo do Japão em águas internacionais, seja REALMENTE posto em liberdade.
"Meia cana" não é liberdade.
E fiança só quem deveria pagar é bandido.
Boa noite a quem puder compreender o que eu digo.
A estes eu peço que não deixem de comparecer aos atos do dia 23 de maio, em defesa da Vida e do trabalho de 3 décadas de Paul Watson, tal como solicitado pela direção mundial do Sea Sheperd.
Firmes na nossa determinação e presença, silenciosos e organizados, para que não usem MAIS ISTO contra aqueles que de fato fazem (e não simplesmente falam)

Norah
 —







Em tempo: (adicionado em 22 de maio): 
SEM PODER DEIXAR a ALEMANHA, por prazo indeterminado.  
Entrevista de Paul Watson, ao sair da prisão, sob fiança, depois de 8 dias na prisão. 
"Comigo ou não, o Sea Sheperd irá combater a CHACINA das baleias no Japão este ano mais uma vez". 
Na entrevista, ele conta como por 2 vezes se apresentou a Corte na Costa Rica. Nas 2 vezes, os diferentes juízes consideraram que não havia provas para incriminá-lo. 
Apresentaram nova denúncia (peça 3a vez e em função dos mesmos alegados "fatos") e ele, na ocasião, recusou-se a continuar com aquela palhaçada, tudo dentro de 1 prazo de menos de 7 dias, há anos atrás. 
"O "interessante" é que o Japão parece estar por trás disso", disse ele, comentando a "coincidência" do que está acontecendo __ esta FARSA __ com o processo movido por aquele país contra o Sea Sheperd em Seattle. 







http://youtu.be/bsb1uCdHzR0


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Parem o BRASIL! Abram passagem ... para a ABOLIÇÃO!




Experimentação Animal é FRAUDE científica e TORTURA!  


Saiam da toca, pessoas! A Revolução Animalista já começou!!!! ....






A frase não é nossa.
Acreditem, é de um antigo presidente americano ... talvez de uma época em que ainda havia alguma integridade circulando mundo afora ...
O ATO dos italianos nos OBRIGA a rever nossos conceitos. 



 
Não apenas como abolicionistas, mas como cidadãos.
No dia 28 de abril os cerca de mil ativistas italianos fizeram HISTÓRIA. A ALF deixou de lado as máscaras, mostrando-se de cara limpa, mostrando ao mundo que não somos nós, os animalistas abolicionistas, os terroristas ....
http://www.negotiationisover.net/2012/04/28/italian-activists-get-passed-police-storm-greenhill-liberate-30-beagles/comment-page-1/#comment-36734


Trata-se de um MARCO MUNDIAL, que obriga a nós brasileiros a uma profunda reflexão e REVISÃO de nossas atitudes de passividade, de conformismo e FALTA de ATITUDE. Cidadãos organizados sempre foram os autores da Transformação.
Assim se encerrou a escravidão humana.
Estamos neste momento no ápice da Escravidão Animal.
Nós brasileiros estamos sendo constantemente ULTRAJADOS no que diz respeito ao tratamento dispensado aos animais e ao crime organizado que destrói nossas florestas, dizima nossa biodiversidade, exporta nossos primatas para a vivissecção no exterior, faz "cortesia" à ditadura chinesa com a pretendida exportação de nossos jumentinhos, faz fortuna com a reprodução de primatas para uso em laboratórios, acoberta universidades denunciadas, emprega verbas públicas para a construção/reforma de biotérios (ao invés de investir em modelos substitutivos), repassa verbas de "pesquisa" para projetos acadêmicos no mínimo duvidosos e ultrapassados, retarda os mecanismos legais que a duras penas conseguimos disparar ....

 Vivisseccionistas abrindo ongs de "proteção animal" para burlar as já ridículas regras do CONCEA com relações às famigeradas "comissões de ética", animais de zoológico morrendo de fome ou sendo traficados, rodeios subsidiados pelo governo federal, boizinhos sendo exportados VIVOS para o oriente, centros de reprodução de vítimas para a vivissecção funcionando sem qualquer tipo sequer de "fiscalização", CCZs enviando cães e gatos para a vivissecção em diversos estados etc.



Se eu posso pedir alguma coisa a vocês, meu pedido é que revejam REALMENTE seu nível de compromisso e sua forma de ação.
Com muita seriedade.
Pessoas que porventura desejem REALMENTE se articular em grupos de AÇÃO DIRETA devem fazê-lo de forma discreta e APENAS com pessoas de sua extrema confiança, sem deixar rastros na internet ou por conversas telefônicas. Filmagens-denúncia devem ser feitas em pequenas câmeras descartáveis.
TUDO que fazemos digitalmente, na internet ou fora dela (impressoras, documentos mesmo que não salvos, fotos, filmes) traz uma identificação digital e deixa "pegadas" fáceis de se rastrear.

Quer fazer? FAZ DIREITO.
E mostra a cara só na hora H.
Não façam a PALHAÇADA que fizeram em Santa Catarina que, na verdade, se limitou a uma minúscula poça de álcool que foi inflamada, e em que NENHUM ANIMAL foi resgatado. É por conta de "ativistas" assim, que somos tão desacreditados.







EM PAZ
Quem sabe, um dia, se TODOS TOMARMOS VERGONHA na CARA, e pararmos de "brincar de ativismo" na internet, sentados numa cadeira macia, e apenas nas horas vagas, TODOS eles terão o DIREITO de dormir assim?
Basta uma ameaça de chuvinha fina, que ninguém sai sequer de casa para ir a uma Manifestação, salvo HONROSÍSSIMAS exceções (devidamente registradas no meu caderninho, diga-se de passagem) __ algumas louváveis centenas de pessoas.
Outros organizaram, fizeram o trabalho durante cerca de 3 meses ...
Tem medo de água? Leva o guarda-chuva.
Água e um pouco de integridade não mata, não.
Abraços carinhosos àqueles que FIZERAM acontecer.
ESTES tem todo o meu respeito e admiração.


Namaste.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Eunucos versus ativismo pelos direitos animais



Quando o "menos" na verdade é "mais"
Norah

A maioria de nós sabe o que quer dizer "eunuco".

Um sujeito de quem se rouba a virilidade e a energia, por ser considerado uma "ameaça", arrancando-lhe o que tipifica a sua masculinidade.

Na História, muitos foram os casos em que homens tiveram seus testículos arrancados por orquidectomia, para que sua convivência com mulheres nas cortes fosse considerada "segura".
Independentemente de tais barbaridades, sexualmente orientadas, há diversos sentidos simbólicos possíveis de tornar algo ou alguém um "eunuco", na tentativa de domesticá-lo ou fazer calar a ENERGIA de um ideal.

A todas as grandes CAUSAS foi dado "tratamento" semelhante.
Uma das estratégias mais recorrentes de silenciá-los e fazê-las perder o seu vigor é o estabelecimento de "alianças" que só lhe retiram a ALMA e a CHAMA.
Pessoas com ideais distintos __ como certamente é o caso do abolicionismo e do bem estarismo __ deveriam estar precavidas. Ao discursar sobre a "união", muitos são levados a crer que "devagarzinho", obtendo "apoios" e estabelecendo "coligações" (à moda do que os políticos fazem tão bem), estando presentes na mídia, obtendo apoios externos sem antes se verificar as reais intenções de alguém, estamos fazendo "progressos" e progredindo em direção à Libertação Animal e ao estabelecimento de uma ampla plataforma de ativismo em benefício do reconhecimento dos direitos animais.

ENGANO.
Se eu, abolicionsta, me convenio e me associo a falas mansas e castradas, que na verdade escondem interesses humanos na exploração animal, estou caindo no famoso "conto do vigário", aplicado aos ingênuos que continuam vendo o mundo com base em sua boa fé e confiança irrestrita na "bondade" do meu semelhante.
"Devargazinho" não se chega a lugar algum.
Ou portamos a CHAMA da Libertação Animal, ou não.
Ou formamos um grupo coeso, com intenções idênticas, ou estamos abrigando o inimigo que nos enfraquecerá.
Com toda certeza, este discurso não é "popular", já que com ele costumamos fazer mais inimigos do que amigos. Muitas pessoas com DE FATO excelentes intenções, recolheram-se por ter contatado que este tipo de associação traz muita dore de cabeça. Não é diferente o que disse Sergio Greif em seu último artigo postado em nosso blog.
Entretanto, firmemente acredito que SÓ este caminho nos conduzirá até o que pretendemos ver realizado. E terremos a grande vantagem de não precisar ficar olhando eternamente olhando para trás, verificando os passos de nossos supostos "aliados".
Toda e qualquer institucionalização ou ajuntamento de organizações traz o risco da DESVIRILIZAÇÃO e do encampamento de interesses "estranhos" à causa abolicionista, bem como de qualquer causa legítima.

Neste exato momento estamos OUVINDO o SILÊNCIO de uma ong nacional em relação aos destinos dos jegues do nordeste brasileiro.
Estamos igualmente ouvindo a OMISSÃO de políticos que supostamente deveriam trabalhar por seu "bem-estar".
Não à tôa desconfiamos de qualquer um que se apresente como "político", mesmo correndo o risco de estarmos enganados, CASO se prove o contrário.
Neste caso, como na maioria das situações em nossas vidas adultas, desconfiar é uma NECESSIDADE e uma OBRIGAÇÃO de qualquer um que DE FATO tenha decidido erguer a bandeira dos direitos DOS ANIMAIS.

Prefiro ser acusada de excesso de zelo do que de de cumplicidade com o enfraquecimento da CAUSA.
Há momentos em que o "menos" com certeza é "mais", do ponto de vista da CHAMA que se pretende manter acesa.

"Seja manso como um cordeiro e esperto como uma serpente", já dizia o Mestre.

terça-feira, 20 de março de 2012

Crítica à vivissecção: a disparidade entre a moral (mores) científica e ética - Sonia T. Felipe

Texto da palestra de 2007 de Sônia T. Felipe, aqui reproduzido, primeiro postado em Pensata Animal

Mais um texto de Sonia T. Felipe reproduzido em nosso blog para leitura e consulta de todos, bem como compartilhamento.
Numa crítica contundente à então recém aprovada Lei Arouca, Sonia rebate o argumento dos adversários dos direitos dos animais de que a visão abolicionsita não estaria fundamentada em "argumentos científicos", com argumentações éticas incontornáveis.
Destaque-se, por exemplo: "Imaginemos que, para abolir a escravidão humana, houvesse sido exigida uma "prova científica" de que os "negros" mereciam igual consideração e direitos."

 RESUMO: Neste artigo, respondo à acusação da cientista que afirmou não estar fundada em argumentos "científicos" a proposta abolicionista de erradicação de todos os experimentos feitos em animais vivos, e apresento os argumentos éticos para esclarecer por que a pesquisa em animais vivos não pode ser justificada eticamente, a não ser seguindo o modelo antropocêntrico da moralidade, justamente o que nos leva a destruir a vida alheia em nome de uma promessa da boa vida para humanos.


Ciência 

 Por conta da aprovação da Lei Arouca, na semana passada, representantes da comunidade "científica" acusaram os abolicionistas de não serem "científicos" em sua defesa do fim do uso de animais para testes da indústria química, bélica, farmacêutica, de cosméticos e alimentos (todas vinculadas aos interesses da primeira).

A defesa da erradicação das pesquisas em animais vivos de quaisquer espécies, para os vivisseccionistas, só teria valor se fosse uma defesa "científica". Em não se tratando de uma tese "científica", a proposta abolicionista não teria valor algum. Ao fazer tal afirmação, a cientista omite de seus leitores ou ouvintes fatos marcantes da história de sua área de atividade, a ciência.

Com a pretensão de buscar o conhecimento de forma objetiva, a ciência dedicou-se nas últimas décadas à investigação de drogas para "cura" das doenças humanas. Por serem "cientistas", os vivissectores excluíram de sua investigação todos os métodos que não usam animais. Por terem a certeza de que o método vivisseccionista é o "único" método que leva a ciência à descoberta da cura das doenças humanas, esses mesmos cientistas passaram as últimas sete décadas a interrogar as entranhas dos organismos de animais de outras espécies, pondo-lhes "questões objetivas" (leia-se, "científicas") que, assim acham os cientistas, os organismos animais, que possuem anatomia, fisiologia, metabolismo, e bagagem genética diversa da humana, têm obrigação de responder para livrar os humanos de doenças que eles próprios não investigam, mas dizem à comunidade, ansiosa pelos resultados de suas descobertas, querer curar.

Pois bem. Esta ciência que agora acusa os abolicionistas de não serem "científicos" em sua luta pela libertação dos animais, é tão "científica" em seus estudos usando ratos, camundongos, cães, gatos, primatas, que passou mais de 70 anos produzindo "verdades científicas" descartáveis, seguindo ora os interesses da indústria tabagista, ora os interesses das seguradoras privadas de saúde. A ciência produzida com cobaias vivas de outras espécies é tão "rigorosa" e "objetiva", em seus métodos de investigação, que por mais de meio século levou os leitores dos papers científicos a lerem, ora um artigo que "provava" cientificamente que o uso de tabaco produz câncer, ora que o uso de tabaco não produz câncer. Uma objetividade sem par! (Ver, Allan M. Brandt, The Cigarette Century: The Rise, Fall, and Deadly Persistence of the Product that Defined America, New York: Basic Books, 2007, 600 p.)

A objetividade metodológica da vivissecção é tão irreprochável que admite resultados "científicos" contraditórios, não apenas no exemplo da pesquisa financiada pela indústria tabagista e pelas companhias de seguro de saúde. Enfim, segundo a cientista que acusa os abolicionistas de não serem científicos em sua defesa dos animais, quando a ciência usa um animal vivo para testar qualquer produto químico, ela chega à conclusão objetiva que procura. É verdade. O cientista monta seu protocolo de pesquisa tão "objetivamente" que o resultado de sua investigação já pode ser publicado antes do experimento ser levado a efeito. A ciência é tão objetiva que "conduz" a investigação de modo a que ela resulte exatamente no que o protocolo de pesquisa promete trazer à luz. Portanto, se a pesquisa é paga (direta ou indiretamente) pela indústria tabagista, o protocolo do cientista afirma que o cigarro não produz câncer. Todavia, se o projeto recebeu financiamento da indústria de seguro-saúde privado, o protocolo de pesquisa formula a hipótese a ser comprovada de que o fumo produz câncer. Bingo! Para os dois protocolos. E, pobres dos cientistas que devem produzir a confirmação "objetiva" de suas hipóteses contraditórias! Se não têm animais vivos para levar a efeito seu protocolo de pesquisa, os resultados a que chegam "não podem" ser classificados de científicos! Podemos concluir então que quem garante ao cientista vivisseccionista a objetividade dos resultados que ele almeja são os ratos e camundongos que ele extermina em seus experimentos. Raciocínio para encaminhar sua pesquisa usando conhecimentos da física, da química, e de outras áreas que formam juntas o cabedal do conhecimento necessário para explicar a doença de um humano, isso eles não podem aprender a fazer. A questão é que esses mesmos ratos e camundongos que dão garantia de objetividade à pesquisa vivisseccionista são usados tanto para "provar cientificamente" que o fumo dá câncer, quanto para "provar cientificamente" que o fumo não dá câncer. O que é isto, então, fazer ciência?

Para a cientista que acusa os abolicionistas de não serem "científicos" ao defenderem o fim do uso de animais vivos em experimentos da indústria química em quaisquer de suas ramificações, a ciência é um conhecimento tão refinado, tão sofisticado, tão mais elevado do que a ética, não? Pois é: o cientista só põe questões a serem respondidas pelas entranhas de ratos e camundongos, por serem essas o "único" recurso do qual dispõe a inteligência humana para a obtenção do conhecimento que se deseja sobre a etiologia e terapêutica das doenças. O cidadão que não "sabe" como fazer pesquisa científica dispõe do seu raciocínio, da capacidade moral de antecipar historicamente a derrocada dos modelos "científicos" mais arraigados, e da memória de todos os erros que se cometeu ao longo da história quando se quis fundamentar decisões de ordem moral em "conhecimentos científicos", descartáveis. A noção ética de malefício e benefício não é descartável, não tem idade. Pode-se dar voltas e voltas, mas sempre se acaba dando meia-volta e reconhecendo que não dá para escapar dela.

É preciso lembrar a esta senhora cientista que se hoje ela ocupa o lugar que ocupa na comunidade científica, isso se deveu à luta de filósofos (John Stuart Mill na Inglaterra, por exemplo) que, de modo "não científico" defenderam a abolição do uso e abuso praticado contra os interesses das mulheres num tempo em que elas eram consideradas incapazes de raciocínio, de inteligência, de ciência, de política, de administração dos próprios negócios, de responder civilmente por seus atos... isso faz menos de dois séculos. No Brasil as mulheres só puderam votar na década de 30 do século XX, portanto somente há 80 anos. Também a erradicação da escravização dos africanos se deveu a um argumento absolutamente "não-científico", o da igual consideração da dor e sofrimento para qualquer ser dotado de sensibilidade e consciência. 

Imaginemos que, para abolir a escravidão humana, houvesse sido exigida uma "prova científica" de que os "negros" mereciam igual consideração e direitos. À época, os cientistas que estudavam a "natureza" dos negros chegavam a escrever coisas tais quais esta, em suas enciclopédias "científicas" de psiquiatria: os negros sofrem de uma patologia que os leva à síndrome de fuga. Não podem ser deixados sem vigilância ou correntes, pois têm genes que os levam a fugir impulsivamente do lugar onde se encontram! Mas a ciência não produz disparates apenas em relação aos negros, não. Tem mais uma: as mulheres não podem dedicar-se aos estudos e seguir uma vida de "cientistas", ou de "filósofas", porque sua circulação sangüínea se altera, tornando-as estéreis! Isso era cientificamente comprovado, por seus pares "científicos", colega! (Ver, Tom Regan, Defending Animal Rights, Urbana and Chicago: University of Illinois Press, 2001).

Assim, a levar-se em consideração que uma luta ética de abolição de todas as práticas cruéis e tormentosas de escravização de seres capazes de sentir dor e de sofrer tem que ser precedida por uma "comprovação científica" dos argumentos, a colega cientista estaria condenada ainda a parir bebês e ter suas contas pagas pelo marido. E, caso fosse rica, teria amas de leite afrodescendentes para cuidar de nutrir seu bebê! Tudo em nome de conclusões científicas objetivas!

Mas, o que traduz a "objetividade" da vivissecção? É o fato de ela pôr uma questão às entranhas de ratos e camundongos, e tirar daí sua resposta mais sábia? Mas, se são "igualmente sabedores", os cientistas que concluem, ao investigar entranhas de ratos, camundongos, cães, gatos, símios e aves, que cigarro não dá câncer, e os que concluem que dá, como pode a colega cientista acusar os defensores dos animais de não serem "científicos" em seus argumentos? Presumo que a colega esteja a entender por "científico" um método que traz resultados objetivos seguros e irretocáveis, que possam ser confiáveis para que os humanos tomem outras decisões relevantes baseando-se neles, por exemplo, erradicar toda propaganda de cigarro na TV, ou parar de fumar. É para isso que a sociedade paga salários aos cientistas, para que produzam conhecimentos que permitam às pessoas e aos governos tomarem medidas de precaução para não serem afetados por doenças evitáveis. Ou não é bem essa a história a ser desvelada? (Ver, Sônia T. Felipe, Vivissecção, um negócio indispensável aos "interesses" da ciência?, Pensata Animal, Tribuna, 2007).2

Bem, se a ciência deve produzir um conhecimento objetivo e digno de ser usado pelas pessoas para orientar suas próprias decisões em relação à sua própria saúde e à saúde de sua família, como é que emprega métodos tão "cientificamente objetivos" que levam a resultados disparatados, tanto quanto o são os testes feitos em animais para "provar" que cigarro não produz câncer, e, que produz? E os filósofos defensores dos animais é que não são "científicos"? Talvez eles tenham horror à contradição, ao embotamento da inteligência humana e até mesmo a falácias na produção do conhecimento.

A cientista ainda acusa os abolicionistas de estarem propondo que os testes ora feitos em animais vivos de outras espécies sejam feitos em humanos vivos! Só uma pessoa desinformada dos argumentos abolicionistas pode afirmar tal coisa. Exatamente por considerarem os métodos atuais vivisseccionistas indignos da moralidade humana, até mesmo da moralidade de um "positivista", é que os abolicionistas lutam pela erradicação desses métodos na busca do conhecimento necessário para a preservação da saúde humana e a prevenção de males evitáveis. Bem, esse projeto não passa pelo uso de animais vivos, nem não-humanos, nem humanos.

O que os abolicionistas propõem é que sejam substituídos os métodos tradicionais vivisseccionistas por métodos de investigação não vivisseccionistas. Por isso não defendemos "alternativas", exatamente para não deixar margem para a "escolha subjetiva" do método. Os novos métodos devem substituir o usado até hoje.

É claro que para fazer ciência "limpa" (sem dor, sofrimento e sangramento alheios) os métodos apropriados ainda precisam ser inventados e aprimorados. Alguns, por exemplo, os estudos clínicos e epidemiológicos, já existem, mas não recebem financiamentos em larga escala, pelo menos não em escala tão larga quanto recebem os vivisseccionistas. Outros métodos, por exemplo, simulações complexas em computador, já são empregues no estudo de algumas interações bioquímico-físicas, mas precisam ser aprimorados para estudo de outras, o que já está sendo feito no caso de biochips (o biochip da síndrome de Golgi, por exemplo, que permite estudos do diabetes e coagulação, inventado por um jovem numa universidade norte-americana). Isso é pouco? Obviamente! Se todo dinheiro do planeta está escoando pelo ralo dos laboratórios vivisseccionistas, como se pode esperar que sem dinheiro os jovens cientistas possam construir modelos substitutivos às entranhas de ratos e camundongos? Mas é só uma questão de financiamento. Em duas décadas as simulações por computador, os biochips, as pesquisas com células-tronco-próprias, os modelos matemáticos, a física quântica, e os estudos transdisciplinares aposentarão a massa de cientistas que hoje insiste em manter ao mais alto custo para os animais, a saúde humana e a eticidade científica um único modelo de investigação, o que emprega seres vivos em testes de todo tipo para fabricação de drogas de toda ordem que combatem sintomas mas não produzem a saúde do organismo humano.

Ainda uma palavra sobre experimentos macabros levados a efeito em animais vivos, humanos e não-humanos. É tempo de cultivar a inteligência da juventude, e de livrar as universidades de todas as práticas que recendem a crueldade contra seres sencientes, tenham esses o formato que tiverem, sejam eles capazes ou não de raciocinar em termos lógicos típicos da inteligência humana. É uma incoerência argumentar que a incapacidade lógica dos animais é a razão pela qual os usamos em experimentos tormentosos. Mesmo a comunidade científica tem membros incapazes de agirem de modo lógico, ainda que saibam seguir um raciocínio instrumental. Nem por isso se defende que sejam usados nesses experimentos cruéis. O que importa é a capacidade de sofrer, não a de raciocinar!

Além do mais, é preciso não mentir quando se fala de vivissecção. Os cientistas afirmam na mídia que a lei aprovada para regulamentar a vivissecção os obriga a aplicarem analgesia ou anestesia nos animais. Isso não é verdade para os experimentos mais dolorosos, justamente os inflamatórios, neurológicos e psicológicos. Se o animal for analgesiado o resultado do experimento não conduzirá ao fim almejado. Se é preciso produzir a inflamação para estudo de anti-inflamatório, como se pode afirmar para o público que o animal receberá analgesia, se nela há substâncias anti-inflamatórias? Afirmar tais coisas é mais do que errar por falácias!

Quanto à acusação de que os defensores dos animais não adotam argumentos científicos para embasar sua argumentação, gostaria de dizer que isso não é uma ofensa, é o reconhecimento lúcido de que a perspectiva da defesa dos animais não sofre os revezes das "grandes verdades científicas", que tanto podem ser afirmadas quanto negadas, dependendo do bicho que foi empregue na investigação, e da fonte que financiou a pesquisa. Sempre foi verdadeiro que maltratar animais é ato de imoralidade humana. Ao longo da história tal argumento ético foi sufocado, mas jamais deposto. Continua a ser verdade que maltratar animais, seja para pseudo-benefício humano, ou simplesmente para obter divertimento é algo que não pode ser justificado eticamente. O argumento abolicionista não é "científico", é ético. Explico a seguir o que quero dizer com isso.1


O argumento conservador em favor da vivissecção 

O filósofo norte-americano Carl Cohen, representando a comunidade científica responsável pela investigação em animais vivos, reconhece que o uso de animais para alimentação, lazer, testes cosméticos e moda deve ser questionado, mas não o uso de animais vivos em experimentos biomédicos. Cohen lista uma série de descobertas feitas com experimentos em modelo animal vivo, que ajudaram a minimizar dores e doenças humanas. Esta é a linha de argumentação em defesa da continuidade dos experimentos em animais vivos: os benefícios que tais experimentos representam para o bem-estar humano.

Cohen indica estes benefícios, e, em nome deles, ignora absolutamente o malefício que tais experimentos produzem ao bem-estar e à vida de animais das mais diferentes espécies, usados vivos, sem analgesia e anestesia nos experimentos mais macabros, que vão desde congelamento a queimaduras, isolamento físico e psíquico, a, tormentos causados por drogas ou produtos químicos que lhes são injetados, inalados, ingeridos, e assim por diante (Ver o documentário Earthlings, e Não Matarás!, Instituto Nina Rosa, São Paulo, 2006).

A defesa do uso de animais vivos em experimentos dolorosos ou atormentadores elaborada por Cohen não se constitui sobre um argumento ético. Ela tem natureza estritamente econômica, o que não quer dizer somente vantagens monetárias para quem faz uso de animal vivo para desenvolver a ciência.

Exigências formais e substancial de um princípio genuinamente ético:

1. Universalizabilidade (qualquer sujeito capaz de raciocínio esclarecido deve poder reconhecer que tal princípio é válido, obrigando-se com esse reconhecimento a obedecê-lo);

2. Generalidade (o princípio deve servir para orientar decisões em casos que não são da mesma natureza);

3. Imparcialidade (o princípio deve ser seguido pelo sujeito moral agente em todos os casos, ainda que seus interesses possam ser prejudicados em certos casos); e, uma exigência substancial:

 4. Orientar decisões e ações humanas com vistas a beneficiar os afetados por elas.

Tomemos o caso dos experimentos em animais vivos para verificar de que modo tal prática poderia ser considerada ética, considerando-se as exigências formais e a exigência substancial acima apontadas.

O princípio ético substancial e fundamental para julgar as ações humanas leva em conta, exatamente, que tais ações podem ser responsáveis pelo benefício ou pelo malefício daqueles que serão afetados por elas. Não importa, neste caso, a natureza biológica daqueles que serão afetados pela atividade que está sendo julgada. O que importa, da perspectiva ética, é se tal atividade beneficia ou prejudica os seres afetados por ela. No caso de experimentos em animais, vimos no primeiro parágrafo que a justificativa de tais procedimentos sempre é o presumido benefício que a atividade de investigação em modelo animal vivo traz para os seres humanos.

O argumento tradicional que defende tal prática investigadora não leva em consideração todos os seres afetados por esta metodologia, apenas os interesses presumidos dos seres humanos, em nome dos quais se justifica a prática dolorosa e atormentadora levada a efeito nesses animais. Pode-se concluir, então, que o uso de animais vivos em experimentos que lhes causam dor, sofrimento e morte, em nome do benefício que tais experimentos trazem para a saúde humana fere a quarta exigência que a filosofia faz a qualquer princípio moral que tenha a pretensão de validade: a de que deve orientar as decisões humanas para o benefício daqueles que são afetados por ela. No caso dos animais usados em experimentos de laboratório esta exigência é absolutamente ignorada, pois não se tem conhecimento de um experimento doloroso e letal que sirva para atender ou beneficiar o animal usado vivo nele. A ciência está sedimentada sobre uma perspectiva ética antropocêntrico-hierárquica, razão pela qual os interesses mais genuínos dos animais não contam, ainda que confrontados com os mais triviais interesses humanos, por exemplo, adquirir um batom com novo aroma ou coloração. Isso basta para cegar coelhos nos testes dos elementos que entrarão na nova coloração e aroma.

 Mas, seria tal procedimento ético, pelo menos no que diz respeito à terceira exigência formal de um princípio ético, qual seja, a da imparcialidade na tomada de decisão quando esta pode afetar interesses moralmente relevantes de outros seres? Também neste caso, o uso de animais vivos em experimentos não pode ser justificável do ponto de vista ético, pois viola o princípio da imparcialidade.

Quando se trata de seres sencientes, isto é, capazes de sofrer dor, tormento psíquico e qualquer outro desconforto, mal-estar, prejuízo ou morte por conta de ações empreendidas por sujeitos morais agentes, julgamos antiéticas tais ações pelo fato de que elas só deveriam ser empreendidas com pleno consentimento dos afetados por elas. Por isso, para fazer experimentos em animais-humanos vivos é preciso que eles concordem com o experimento e, para que concordem com ele, é preciso que recebam esclarecimento sobre os riscos inerentes a ele.

No caso de animais da espécie Homo sapiens, não se pode realizar qualquer experimento naqueles que não podem dar consentimento esclarecido: bebês, crianças, adolescentes, dementes, comatosos, pobres, adictos, marginalizados de qualquer natureza.

O princípio da imparcialidade, terceira exigência formal de um princípio ético, não admite o uso de seres sencientes humanos em experimentos que lhes possam causam dor, sofrimento ou privação que resultem em dano e morte. Se um experimento tem que ser realizado, o pesquisador tem que encontrar um paciente que atenda à exigência do consentimento esclarecido, isto quer dizer, que seja capaz de pensar com clareza e tenha sua vontade livre de toda e qualquer forma de dominação, que pode ser material ou mental.

Sem liberdade de escolha não pode haver pesquisa de seja lá qual for o problema que afeta humanos. Quando se faz pesquisa em animal vivo esta exigência é ignorada absolutamente. É claro, poderíamos replicar: "animais não podem manifestar-se nem dar consentimento, nem ser esclarecidos sobre os riscos inerentes a este ou aquele experimento!". Justamente. Por não serem capazes de nada disso, estão no mesmo patamar dos bebês humanos, das crianças e adolescentes, dos senis, dos dementes, dos miseráveis, dos adictos que não podem raciocinar com clareza sobre os assuntos que lhes dizem respeito. Sua vontade não é livre, pois sua condição os torna dependentes das decisões tomadas por seus cuidadores. Ainda aqui poder-se-ia achar a saída para justificar o uso deles, exatamente por serem dependentes das decisões que outros têm de tomar em seu nome. Mas, neste ponto, a quarta exigência que constitui a natureza de um princípio ético é o limite imposto aos que cuidam desses humanos incapazes: suas decisões devem estar orientadas para proteger e preservar o bem-estar próprio daquele que se encontra na condição de vulnerabilidade.

Onde está a imparcialidade dos sujeitos morais agentes que usam animais vivos em experimentos que destroem o bem-estar próprio do animal e acabam com sua vida? No caso humano, a imparcialidade ordena que não se faça a eles o que não se admitiria que fizessem contra nós. Mas, assim que passamos a barreira da espécie biológica e nos encontramos diante de um animal não-humano, especialmente quando sua configuração não se assemelha à da espécie Homo sapiens, abandonamos imediatamente a exigência de imparcialidade e o dever que ela impõe, de proteger e preservar o bem-estar dos seres em situação de vulnerabilidade aos interesses humanos.

A segunda exigência formal de um princípio ético é a de que seja capaz de iluminar juízos e decisões morais em casos distintos. Tomemos, pois, o princípio moral mais conhecido, o da não-maleficência. Este é um princípio muito antigo, conhecido nos textos judaicos, no humanismo grego, e nas concepções éticas budista e jainista. Baseada no princípio da não-maleficência, qualquer decisão, ação ou atividade de um sujeito moral agente deve ser guiada pela finalidade de não causar mal a qualquer ser senciente, e promover seu bem-estar, abstendo-se de ações que possam privar outros seres das condições de estar bem em vida a seu próprio modo, isto quer dizer, de acordo com o bem-estar de sua espécie de vida.

Quando animais vivos sencientes são usados em experimentos científicos aquela exigência é ignorada. Poderíamos aqui pensar que a ética bem-estarista, a que defende condições de maior conforto para os animais usados em laboratório seria a saída para tornar éticas essas pesquisas. Isto é uma ilusão. O princípio da não-maleficência e sua contraface, o da beneficência, não ordenam que se dê aos animais sencientes o tipo de conforto necessário e suficiente para que o experimento seja bem sucedido. Ele ordena que em quaisquer casos, o bem-estar próprio daquele indivíduo seja protegido e preservado. Tal exigência torna anti-ético qualquer experimento em animais vivos, pois o bem-estar próprio do animal usado nesses experimentos já foi danificado pelo fato mesmo de o animal ser privado das condições ambientais nas quais seu psiquismo e sua fisiologia poderiam encontrar o equilíbrio homeostático típico de sua espécie. Assim, também em relação à segunda exigência formal de um princípio ético, experimentos em animais vivos sencientes não podem ser considerados éticos.

 A primeira exigência, a da universalidade do princípio, obriga todos os sujeitos morais agentes, quer dizer, todos os seres humanos capazes de raciocinarem sobre os desdobramentos de suas ações e os malefícios que elas podem representar para os interesses de outros seres sencientes que forem afetados por elas, a tomarem decisões e empreenderem ações apenas nos limites do princípio ético, se quiserem que suas ações sejam aprovadas da perspectiva moral.

 Via de regra, no caso de experimentos científicos em animais vivos, o cientista não está minimamente interessado em saber se o que ele faz tem ou não aprovação ética, bastando que seu protocolo de pesquisa tenha aprovação de seus pares e dos órgãos que o financiam. De ética, este conjunto de crenças não tem nada. São crenças fomentadas pelo cientista para assegurar financiamento de seus projetos. Se o protocolo de pesquisa for aprovado, isto quer dizer, se ele receber financiamento, basta. Considerações éticas tornam-se dispensáveis. Menos nos casos em que procedimentos experimentais possam levantar suspeitas relativamente ao prejuízo, para o experimento, de submeter os animais vivos sencientes a procedimentos que acabem por atrapalhar o resultado da pesquisa.

 Pode-se ver que o princípio da universalizabilidade, que deveria levar os cientistas a realizarem investigações dentro dos limites do princípio da não-maleficência, é completamente ignorado no caso de experimentos em animais vivos. A única preocupação do cientista é a de não perder o financiamento de seu projeto. Os órgãos financiadores não têm princípios éticos para decidir quais pesquisas são maleficentes para os animais submetidos a elas. O bem-estarismo não defende os animais frente à liberdade do cientista de usá-los em experimentos dolorosos e letais.

 Animais, humanos e não-humanos, são seres capazes de ter um bem-próprio, isto é, específico, e, ao mesmo tempo, seres cuja manutenção deste bem se dá em condições ambientais e emocionais frágeis. Qualquer interferência que represente limitação a este bem, necessariamente é maléfica ao indivíduo que a sofre.

 Nos termos nos quais se faz investigação, hoje, não há possibilidade de reconhecer vestígios de ética na perspectiva do respeito pelos interesses dos animais. Poderíamos nos agarrar à hipótese de uma ética antropocêntrica, quer dizer, uma ética indiferente à dor e ao sofrimento animal, realmente voltada apenas para alcançar o benefício humano. Se conseguíssemos justificar a pesquisa sob esta perspectiva, poderíamos então reconhecer que se poderia aprovar tudo o que se pratica hoje contra os animais. A questão, porém, é que o tal do benefício humano não é alcançado. Há três décadas atrás, era raro conhecer alguém que sofresse de câncer, ou depressão profunda (refiro-me à cidade onde moro, Florianópolis). Hoje, passados trinta anos nos quais a indústria química produziu drogas para tratar de quaisquer sintomas humanos, o câncer, os AVC's e a depressão estão espalhados na comunidade da UFSC, que agrega mais de trinta mil pessoas. Os trilhões de animais que foram mortos em pesquisas contra o câncer não levaram a ciência a descobrir a cura do câncer. Os cientistas continuam a crer que outros tantos trilhões de vidas animais serão necessárias até que eles cheguem às descobertas que prometem fazer. Eles continuam a procurar as chaves perdidas na madrugada debaixo do poste iluminado, mesmo já sabendo que ela foi perdida lá atrás, na esquina escura (para poste iluminado leia-se: financiamentos).

 NOTAS: 1 Palestra proferida pela autora na IX Semana de Biologia da UFSC. Auditório do Forum, CCJ/UFSC, 23/10/07, a convite dos estudantes que organizaram a mesa-redonda: Ética e Experimentação Animal, da qual participaram os pesquisadores, Dra. Paula Brügger (UFSC), o presidente da CEUA, Dr. Tonussi (UFSC), o presidente do COBEA, Dr. Freyblatt (UNIVALI).
                 2. Artigo também já publicado anteriormente neste blog, em fevereiro de 2012.


Sobre a autora:
Sônia T. Felipe
- Doutora em Teoria Política e Filosofia Moral, pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991). Co-fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993). Autora dos livros, "Ética e Experimentação Animal - fundamentos abolicionistas" (Edufsc, 2006); "Por uma questão de princípios" (Boiteux, 2003). Co-autora de "A violência das mortes por decreto" (Edufsc, 1998), "O corpo violentado" (Edufsc, 1998),"Justiça como Eqüidade" (Insular, 1998, esgotado). Colaboradora nas coletâneas, "Instrumento Animal" (Canal 6, 2007), "Éticas e políticas ambientais" (Lisboa, 2004), "O utilitarismo em foco" (Edufsc, 2007), "Filosofia e Direitos Humanos" (Editora UFC, 2006), "Tendências da ética contemporânea" (Vozes, 2000). Autora de dezenas de artigos editados nos sítios: http://www.svb.org.br/; http://www.pensataanimal.net/; e na Revista Ethic@ (http://www.cfh.ufsc.br/ethic@/). Coordena o Laboratório de Ética Prática, do Departamento de Filosofia da UFSC, é professora e pesquisadora do Programa de graduação Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, da UFSC. Membro Permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, Lisboa. Coordena o Projeto de pesquisa: Feminismo ecoanimalista: contribuições para a superação da violência e discriminação especistas, revisando a literatura sobre defesa de animais e ecossistemas produzida por mulheres (Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, UFSC, 2009-2011).

sexta-feira, 9 de março de 2012

VIDEO- VIVISSECÇÃO: a Psicopatia da Pseudo-Ciência (3 partes)

Preparamos um material visual com audio explicativo em português, de forma a levarmos ao conhecimento da sociedade informações sobre o que é a experimentação animal.
O video, chamado VIVISSECÇÂO: a PSICOPATIA da PSEUDO CIÊNCIA, foi postado no YouTUBE em 3 partes.
Seu objetivo é explicar certos conceitos básicos, como forma de adicionar INFORMAÇÃO à natural INDIGNAÇÂO que sentimos ao tomar conhecimento desta IMPOSTURA GENOCIDA praticada por uma ciência mentirosa.
Bem como CONVOCAR os brasileiros para que se unam a nós e compareçam às ruas no dia 28 de abril de 2012.

Link das cidades intggrantes:
http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/ii-manifestacao-nacional-anti.html

 Vivissecção é BARBÁRIE GENOCIDA.
E uma IMPOSTURA do ponto de vista da verdadeira ciência.
Os genocidas sempre "gostaram muito deste mercado". Não à tôa a Bayer já enviava remédios para serem testados nos prisioneiros de Auschwitz, sob o comando de Mengheli, o Anjo da Morte.
O que mudou? Na verdade, o "grande e milionário negócio" assassino apenas re-orientou o seu alvo.
Como resultado, humanos ainda MORREM em nome do lucro de uma "ciência" que não hesita em explorar a MORTE, em detrimento da ÉTICA.
Afinal, o que são para eles as mortes de incontáveis milhares de criaturas e décadas de atraso no desenvolvimento da verdadeira ciência?

 Parte I - http://youtu.be/olyMkGAS7Ik




 Parte II - http://youtu.be/BpHzPoFrgpM




Parte III - http://youtu.be/TT2ksQPfl54






TOME PARTIDO. Assista também: http://youtu.be/sYG0apteUhA


domingo, 4 de março de 2012

Ética e Dogma - Sergio Greif


Por mais que a Constituição nos assegure de que somos um estado laico, com uma separação bem definida entre a Igreja e o Estado,. todos sabemos que isto não é assim na prática.

Até os dias de hoje, a igreja vem sendo um entrave, intrometendo-se em assuntos que não lhe dizem respeito. Interferindo em questões como o uso de preservativos, ela é agente disseminadora da AIDS nos países africanos. Interditando o uso de anti concepcionais, ela acaba sendo a responsável por milhões de nascimentos não desejados, com as trágicas consequências de que todos temos notícia.

Por mais que achemos que a Inquisição é um fato já ultrapassado, o Vaticano continua sendo foco de escândalos que jamais serão propriamente investigados ou punidos pelo Estado, como é, por exemplo, o caso das crianças abusadas sexualmente por seus membros.

Banalizando e inferiorizando a condição da mulher, relegando os homossexuais aos planos infernais, demonizando a sexualidade humana, ela prima também por interferir no âmbito da pesquisa científica, dizendo despudoradamente o que agrada ou não ao Deus que diz servir.

Não é exatamente este o conceito de Deus que temos em mente.
Nem tampouco Jesus aprovaria tanta arrogância, tanta perseguição e exclusão de Seu Amor em seu nome.

No âmbito da experimentação animal, mais particularmente, como em tudo a que se refere o termo "holocausto" animal", a igreja católica, em sua IDOLATRIA do ego humano, muito bem caracterizada pela riqueza e exibições de arrogância papais e de seu clérigo, a igreja tem sido o PESADELO no caminho do progresso da causa dos direitos animais e da prevalência da Verdade, da Ética e do Verdadeiro Saber.

A INQUISIÇÃO continua, com seus instrumentos de DOR que tentam arrancar de suas vítimas  __ hoje os não-humanos __ os "segredos" que eles não tem.
Seu objetivo: o mesmo de sempre. Dominação e Dinheiro, além da Superstição, hoje mantida pela pseudo-ciência.
Norah



Ética e Dogma 
Sergio Greif

Nas discussões acadêmicas e extra-acadêmicas referentes à bioética, vemos uma forte participação da Igreja nas tomadas de decisão, afinal, 74% dos brasileiros são católicos nominais, embora em grande parte não praticantes ou praticantes de outras religiões.

 Mas os números não são importantes, o importante é que o Brasil é considerado um país católico e, embora haja separação entre o Estado e a Igreja, a Igreja ainda exerce forte influência.

Seja uma discussão sobre eutanásia, aborto, uso de células-tronco… lá estão representantes da Igreja emitindo opiniões dogmáticas, agora sob o nome de “ética”. Ora, a ética não tem nenhuma relação com dogmas e esse conceito deve ser rejeitado.

A ética é racional, fundamentada e frequentemente contrária aos dogmas da Igreja.

Vejam-se os casos de pedofilia que envolvem a Igreja. Por uma questão irracional e provavelmente dogmática, padres pedófilos não são submetidos a nenhuma pena seja dentro, seja fora da Igreja. Sua punição com frequência envolve a transferência para uma nova Paróquia, onde ninguém tem ciência de seus crimes do passado e onde o pedófilo tem liberdade para continuar praticando seu vício.

Esse último episódio que envolve o arcebispo de Olinda e Recife e a excomunhão das pessoas responsáveis pelo aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto fornece outra prova disso. Sob o nome de “ética” a Igreja, o próprio Vaticano, opôs-se ao aborto, alegando preservação da vida humana. Oras, exatamente para a preservação da vida humana, da menina violentada, que esse aborto foi recomendado e autorizado.

Se a excomunhão não ocorreu, se a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil resolveu voltar atrás desse processo, revogando um édito do arcebispo e do próprio Vaticano, isso não foi feito por piedade, mas porque o assunto chamou a atenção pública, e a Igreja já está com a imagem abalada. Ironicamente, a CNBB emitiu nota condenando o estupro, mas jamais cogitou excomungar o padastro estuprador. Aparentemente o estupro fere a ética mas não os dogmas da fé.

Para o dogma, o estupro não é o pecado, o pecado está em salvar a vida da mãe e livrá-la de uma gravidez indesejada; o pecado não é proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, mas a distribuição de preservativos que “estimularão” as pessoas a praticarem sexo; o problema não está em nascer com malformação de algum órgão vital, o pecado é utilizar células congeladas e insensíveis para tentar alcançar a cura; não está em vegetar em cima de uma cama por décadas sem qualquer processo mental e sem nenhuma dignidade, o pecado está em desligar os aparelhos que mantêm o paciente preso a esse mundo.

A Igreja se coloca sempre em favor da preservação da vida e evoca sempre o mandamento não matarás, mas é óbvio que isso é apenas um argumento de retórica. Essa mesma preocupação incondicional com a preservação da vida e com o mandamento do Senhor não encontra eco quando se trata de outras vidas que não a humana e com frequência demonstra não se aplicar, tampouco, à vida humana.

O problema se encontra onde dogma e fé se confundem com ética e racionalismo.

As opiniões de qualquer grupo religioso são pertinentes apenas às pessoas que partilham aquele mesmo sistema de crenças. Para todas as demais pessoas, essas opiniões podem ser escutadas, à título de conselho ou por mera curiosidade, mas elas não devem pesar nas decisões finais aplicadas a toda a coletividade. 

Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais









sábado, 3 de março de 2012

Xenotransplantes - por Sergio Greif


A palavra "xeno" é um radical que vem do grego e tem o sentido de " estranho, estrangeiro".
Sendo assim, o termo "xenotransplante" se refere a um transplante "estrangeiro", ou seja, ao transplante de um órgão em uma espécie que, na origem, pertence a outra.
Mais um estapafúrdio projeto de pseudo-cientistas, que se disfarçam de "anjos salvadores da humanidade", enquanto continuam com sua saga assassina de não-humanos e provocam a morte de milhares de animais, usados como "cobaias" para sua agenda fadada ao fracasso.
Norah




Xenotransplantes 
Sergio Greif

Pesquisadores de Munique (Alemanha) divulgaram na revista Transplantation haverem criado porcos geneticamente modificados. Esses porcos poderiam, em um futuro não muito longínquo, produzir órgãos que gerariam menos rejeição ao serem transplantados para seres humanos.

 Essa técnica de transplante de órgãos de uma espécie para outra é conhecida como xenotransplante (em oposição ao alotransplante, ou transplante de órgãos entre animais da mesma espécie). Ela tem como alegado benefício permitir a redução nas filas de espera de transplante de órgãos, uma vez que a procura tem sido maior do que a oferta.

 Até o momento, todos os pacientes que receberam xenotransplantes morreram em curto espaço de tempo, especialmente porque os mecanismos de defesa imunológica do organismo receptor tendem a destruir o órgão transplantado, reconhecendo-o como um corpo invasor.

 Mas será que todo o problema relacionado com os xenotransplantes limita-se à reação imunológica do organismo receptor? E pode realmente esse problema ser resolvido com porcos geneticamente modificados?

 Ainda que a modificação genética sofrida pelos porcos permita que as células dos órgãos por eles produzidos não sejam consideradas invasoras no organismo receptor, há outras questões que precisam ser consideradas em relação aos xenotransplantes.




 Problemas éticos 

O filme A Ilha (Warner Bros., 2005), com Ewan McGregor e Scarlett Johansson, traz muitos elementos que permitem iniciar uma discussão ética em relação aos xenotransplantes. Nesse filme, clones de seres humanos são mantidos em um laboratório para servirem como fontes de órgãos para seres humanos originais.

 Embora o transplante de órgãos, nesse caso, não seja de uma espécie para outra, em termos éticos a situação é exatamente a mesma, pois em ambos os casos um organismo senciente é criado e mantido com a finalidade de fornecer material para transplante.

 Os xenotransplantes, como os transplantes realizados no filme, são possíveis apenas mediante a morte de uma “cobaia”, um ser reconhecidamente capaz de sentir dor, medo, amor, enfim, todas as sensações a que estão sujeitos também os organismos que irão receber os órgãos doados. No entanto, por questões comerciais ou de preconceito, algo faz com que o organismo receptor tenha mais direito à vida que o organismo doador.

 Em verdade não faz nenhuma diferença ética se tratamos de seres humanos ou animais, se o órgão não provém de doação, mas sim foi retirado à revelia, ou se essa retirada ocasionou na morte do organismo doador, o transplante deve ser considerado antiético.



Problemas técnicos 

Por mais que se aleguem semelhanças entre os órgãos de porcos e seres humanos, essas afirmações são feitas mais com base em formato e volume, e não em fisiologia e metabolismo. As diferenças existem e são muito significativas, a ponto de não se poder afirmar que órgãos extraídos de animais poderão realmente manter um ser humano vivo, ainda que se exclua o problema da rejeição do órgão.

 Mesmo sendo fato que existem analogias entre as moléculas produzidas por determinado órgão do porco em relação ao órgão do ser humano, uma pequena modificação na estrutura dessa molécula, característica da espécie fornecedora, pode comprometer todo o seu funcionamento no organismo da espécie receptora. 

Dessa maneira, embora o órgão esteja ali presente e por um ou outro motivo não sofra rejeição, sua função metabólica é bastante limitada visto que o órgão não interage com o resto do organismo de maneira satisfatória.



Problemas com o surgimento de novas doenças 

Os xenotransplantes trazem outro risco, que é o de permitir o surgimento de novas doenças. Homens interagem com porcos há milhares de anos e, embora a proximidade seja antiga, inclusive implicando a predação de uma espécie pela outra, em nenhum momento desse processo houve troca de material biológico in natura. Explica-se: tocar com a pele na pele de um porco é diferente de injetar soro de porco na veia. Comer carne de porco assada ou cozida é diferente de introduzir o fígado do porco diretamente no corpo humano.

 Existe uma série de doenças conhecidas que os porcos podem transmitir para o ser humano. Todas essas doenças podem ser detectadas por exames simples. No entanto, há uma série de outras doenças que os porcos podem transmitir para o homem e que ainda não são nossas conhecidas. No organismos dos porcos, como no de outros animais, há bactérias e vírus que lá estão como simbiontes. Para o porco eles não representam doenças, pois esses parasitas ali evoluíram e encontraram seu equilíbrio. Porém, quando esses parasitas entram em contato com o organismo humano e encontram nesse novo hospedeiro uma nova possibilidade de colonização, novas doenças podem surgir.

 Mesmo animais provenientes de biotérios, livres de germes e doenças conhecidas não estão certificados contra esses parasitas, que não são ainda conhecidos e nem serão enquanto não se tornarem um problema.

É irônico pensar que, caso seja resolvido o problema referente à rejeição de órgãos de outras espécies, uma pessoa que sobreviva ao transplante representará um risco para toda a população, pois tão logo essa pessoa volte ao convívio social, ela mesma se tornará veículo de transmissão de uma nova doença.




Problemas financeiros 
As pesquisas referentes aos xenotransplantes já consumiram até o momento bilhões de dólares em todo o mundo, com taxa de sucesso insignificante. Isso parece incoerente com um mundo onde a maior parte da população não tem acesso aos serviços básicos de saúde. Além disso, pouco se investe em medicina preventiva, essa sim com potencial significativo de salvar vidas.



A solução do problema 

Por todo o exposto parece claro que a solução para o problema da falta de órgãos para doação não passa pelos xenotransplantes. Xenotransplantes não são boas opções para reduzir a escassez de orgãos e tecidos humanos e a insistência nessa linha parece ter mais interesses econômicos envolvidos do que interesses em salvar vidas humanas.

A solução para o problema passa por sua compreensão: existe uma enorme fila de espera de pessoas que necessitam de órgãos e tecidos e uma pequena quantidade de órgãos e tecidos para doação. O problema seria resolvido se houvessem menos pessoas necessitando de órgãos e houvessem mais órgãos disponíveis.


Faz-se necessário questionar: 

 – O que torna essa demanda por órgãos tão grande? Será que todos os casos em que transplantes são recomendados necessitam realmente de transplantes? Será que a aplicação de melhores técnicas de diagnósticos e cirurgias poderia diminuir bastante essa demanda?

 – Será que algumas dessas doenças não poderiam ser evitadas mediante campanhas de prevenção, possibilitando à população permanecer saudável em vez de negligenciar sua saúde até que a população adoecesse para então buscar a cura?

 – Será que muitos problemas de malformação de órgãos não estariam associados à exposições indevidas ocorridas durante a gestação, fatores que poderiam ser evitados?

 – Será que muitos dos pacientes que receberam órgãos já não o fizeram em estado muito avançado da doença, comprometendo sua sobrevida e o órgão doado que poderia ter sido mais bem aplicado em outro paciente com melhores chances?

 – Será que já se fez tudo o que era possível para aumentar o número de doações de órgãos para transplantes? Uma melhoria na estrutura de captação não permitiria que o número de órgãos disponíveis aumentasse?



Além disso, existem alternativas muito mais promissoras do que os xenotransplantes para, ao menos, aumentar a sobrevida de pacientes na fila de espera dos transplantes de órgãos humanos. Os aparelhos mecânicos, por exemplo, já suprem em parte as necessidades fisiológicas do organismo, embora tenham a limitação de, à semelhança dos órgãos derivados de animais, não cumprirem algumas funções bioquímicas mais complexas. No futuro, essa limitação será suprida por técnicas de engenharia de tecidos, que permitirão a construção de órgãos artificiais elaborados com células obtidas do próprio organismo do paciente.

Essa técnica já apresenta alguns bons resultados no presente, mas novas pesquisas fazem-se necessárias.

Fonte:  ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais

Sobre o autor: 
Sergio Greif
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre , ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais.
Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. 
Membro fundador da Sociedade Vegana.