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quarta-feira, 14 de março de 2012

Temos este direito?

A fronteira tênue entre ciência e crueldade na rotina dos laboratórios esquenta no mundo todo o debate sobre a vivissecção


Escrito por Rodrigo Vergara
Publicado na Revista Super Interessante em junho de 2011

Os alunos que ingressaram este ano no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) verão menos sangue que seus veteranos durante a estada na faculdade. Pela primeira vez, a universidade vai abolir o sacrifício de cães em aulas sobre “o efeito de drogas na função cardiorrespiratória”. Nessa disciplina, os estudantes testemunham os efeitos de várias substâncias sobre os batimentos cardíacos e a freqüência respiratória. Agora, em vez de verem essas reações no tórax aberto de um animal anestesiado, que depois será morto, os alunos aprenderão com uma simulação em computador. Mudança semelhante ocorreu há um ano nas aulas de técnica cirúrgica na USP. Em vez de treinar sutura em coelhos, que depois eram sacrificados, os alunos passaram a “costurar” cães e gatos mortos naturalmente. As duas mudanças, ao que tudo indica, são definitivas.

Elas fazem parte de um movimento mundial de combate ao uso de animais em laboratórios, não só no ensino, mas também na pesquisa biomédica e para testar artigos de limpeza e cosméticos.

As mudanças são incontáveis e quase diárias mundo afora: de fabricantes de cosméticos que anunciam que não vão mais testar seus produtos em coelhos a governos que aprovam leis mais restritivas aos testes. No final do ano passado, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países desenvolvidos, anunciou sua intenção de abolir o DL50, um teste de toxicidade em que 20 ratos recebem doses crescentes da substância testada até dez deles morrerem. A decisão significa que produtos testados com o DL50 serão barrados nesses países. Em tempo: as alternativas para o DL50 usam, no máximo, nove animais. Ou seja: o sacrifício animal diminui, mas continua existindo.

Segundo Alan Goldberg, diretor do Centro de Alternativas para Testes em Animais da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, tido como uma autoridade no assunto, “desde 1976 o uso de animais usados em pesquisa biomédica caiu 15% no mundo todo”. Ainda assim, estima-se que a ciência sacrifique 40 milhões de animais no mundo por ano.

Para muita gente, no entanto, a redução está longe de resolver a questão. O problema é: podemos utilizar os animais para pesquisa? Os grupos de proteção dos direitos dos animais vêem na pesquisa com cobaias, conhecida como vivissecção – que significa “cortar vivo” –, dois enormes calcanhares-de-aquiles: o primeiro é que os testes seriam inúteis. Depois, mesmo que eles fossem úteis ou, mais que isso, vitais, ainda assim não teríamos o direito de fazê-los.

O principal argumento antivivissecção, que prega sua absoluta inutilidade, está expresso nas palavras do médico inglês Robert Sharpe, autor de Science on Trial (Ciência em julgamento, inédito no Brasil): “Homens e animais têm organismos e reações bioquímicas diferentes. Se um estudo com hamsters achar a cura do câncer, ela servirá só para curar o câncer em hamsters”. O efeito carcinogênico do cigarro é um caso clássico. Embora amplamente atestada por estudos epidemiológicos, a ligação entre câncer e tabaco seguiu sob suspeita por vários anos porque a doença não pôde ser reproduzida em animais. Por muito tempo, a indústria tabagista aproveitou o fato para negar o teor tóxico do seu produto.

“O uso de animais em laboratório é um recurso retórico. Usando diferentes espécies em projetos diferentes, os pesquisadores podem encontrar evidências que sustentam qualquer teoria”, diz Neal Barnard, presidente do Comitê Médico por uma Medicina Responsável, dos Estados Unidos. “No caso do cigarro, tanto as provas de que o tabaco é cancerígeno quanto as que asseguram sua inocência usaram animais como base.”

A crítica à suposta inutilidade dos testes em animais se estende às pesquisas de novas drogas. Apesar do enorme número de cobaias sacrificadas para testar a eficácia e os efeitos colaterais de novas substâncias, 95% dos fármacos aprovados em animais acabam descartados nos testes em voluntários humanos e não chegam ao mercado. Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes.

Vale também o raciocínio inverso: ao testar substâncias em animais, os cientistas poderiam descartar drogas promissoras para humanos só porque elas causaram mal a ratos ou porcos. A aspirina, por exemplo, causa deformidades nas crias de roedores, cães, gatos e macacos, embora para nós seja segura. Já a penicilina é fatal para o porquinho-da-índia.

A tese que valida a vivissecção surgiu no século XIX, quando o médico francês Claude Bernard começou a teorizar sobre a lógica científica do uso de cobaias. Ele defendia que todo conhecimento obtido em animais era válido para humanos. Hoje, poucos cientistas, mesmo os que se utilizam de vivissecção, sustentariam sua tese nua e crua. Mas a maioria crê que as diferenças entre humanos e não-humanos são superáveis. “Animais e homens são mais semelhantes que diferentes”, diz Marco Aurélio Amorim, coordenador da comissão de ética no uso de animais em laboratório da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Maria Helena Catelli de Carvalho, professora do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, concorda: “O projeto genoma mostrou que somos muito parecidos com ratos e camundongos”. E Alan Goldberg, do Johns Hopkins, completa: “Diferimos nos detalhes, mas somos parecidos o suficiente com animais para permitir paralelos.

Tomemos o caso da insulina, responsável por controlar o nível de açúcar no sangue. Ela cumpre essa função em várias espécies, além do homem”. Goldberg continua: “Em um animal, a insulina pode ser levemente diferente da insulina humana, mas é a mesma substância e tem as mesmas propriedades”.

O segundo round dessa disputa, ainda sobre a utilidade da vivissecção, diz respeito às conquistas da pesquisa biomédica, como vacinas e antibióticos. De acordo com a organização americana Fundação para a Pesquisa Médica, a evolução da expectativa de vida, que saltou de 47 anos, em 1900, para 75 anos, em 1985, nos Estados Unidos, deve-se a pesquisas com animais. Ou seja, os milhões de animais sacrificados salvaram milhões de vidas humanas. “O médico inglês William Harvey não teria feito suas famosas descobertas sobre a circulação do sangue em 1628 se não fosse por suas experiências com cervos ”, escreve Deborah Rudacille em seu livro The Scalpel and the Butterfly (O bisturi e a borboleta, inédito no Brasil), sobre a história da vivissecção. E novas descobertas ocorrem a cada dia. Em Boston, vítimas de derrame recuperaram-se graças a injeções de células de feto de porco.

Os antivivisseccionistas acham esses resultados insuficientes para justificar o sacrifício de milhões de animais. Primeiro, eles duvidam do papel de vacinas, antibióticos e hipertensivos na evolução da saúde humana. Além disso, sustentam que a medicina tem muito menos bala na agulha para combater as doenças do que seus propagandistas querem fazer crer. Ou seja: os benefícios humanos, se existem, não compensam os custos animais.

Estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos indicam que 90% dos fatores que determinariam a longevidade de uma pessoa devem-se ao estilo de vida, ao meio ambiente e à hereditariedade. Só 10% dependeriam da assistência médica (leia mais sobre isso em “A medicina doente”, capa da edição de maio da SUPER). Mas órgãos do governo americano que financiam pesquisas gastam em estudos com animais – ou seja, voltadas para o modelo biomédico – o dobro do que despendem em pesquisas em humanos.

Nessa guerra de argumentos, os antivivisseccionistas marcaram pontos importantes. Com publicidade agressiva, divulgaram imagens dos bichos estripados e atingiram a comunidade científica. Pesquisa realizada nos Estados Unidos por Scott Plous, da Wesleyan University, Connecticut, revelou que psicólogos graduados nos anos 90 têm metade da disposição em apoiar pesquisa com animais do que os titulados nos anos 70. Empresas com nomes associados à crueldade aboliram o teste de animais, temendo boicote dos consumidores. Muitas delas, após porem fim ao uso de cobaias, aproveitaram o fato como arma de marketing e adotaram um selo em seus produtos indicando que aboliram a vivissecção.

A mudança no mundo da ciência e das empresas acabou forjando um novo modelo para testes, hoje prevalente, que reconhece o sofrimento dos animais e se propõe a substituí-los por técnicas alternativas. Mas há ressalvas. Nos casos em que o bicho for considerado imprescindível, o máximo de alinhamento ético por parte dos cientistas é reduzir ao mínimo possível o sofrimento e a quantidade de cobaias.

Na esteira do novo modelo experimental, os métodos alternativos multiplicaram-se. Há hoje desde pele artificial a simulações de computador (leia quadro com exemplos nesta página). As ONGs que defendem o direito dos animais à vida sustentam que esses métodos podem substituir rigorosamente todos os testes com bichos.

A vitória dos ativistas, curiosamente, acabou resultando em ganhos de precisão e eficácia para a ciência. A redução do estresse e a padronização das condições do cativeiro reduziram o número de mortes de cobaias. E pesquisas recentes revelaram que barulho, manuseio, higiene e superlotação nos biotérios influenciam diretamente os resultados. “As cobras do Butantã passaram a produzir sete vezes mais veneno e a viver oito anos, em vez de um, depois que a coleta de veneno passou a ser feita com as serpentes anestesiadas”, diz Roberto Sogayar, do Instituto de Biociências da Unesp, em Botucatu, e ex-presidente da Comissão de Ética e Legislação do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal.

Muitos pesquisadores discordam frontalmente. “Os testes in vitro são úteis, mas continuam pobres perto da acurácia que há nos testes em organismos vivos”, diz a professora Zuleica Bruno Fortes, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “Além disso, certas substâncias só podem ser estudadas em um organismo vivo. Quando o animal morre, elas desaparecem. São procedimentos para os quais a vivissecção é imprescindível.” Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho, acredita que essa resistência esconde um dogma. “Muitos cientistas reconhecem que existem substitutos para os animais, mas ainda assim usam as cobaias por medo de que seu estudo seja questionado por não usar o método tradicional. Essa mentalidade precisa mudar.”

O segundo grande argumento antivivissecção é que não interessa se o uso de animais ajuda ou não a ciência: nós simplesmente não temos o direito de sacrificá-los. “A questão é moral. Se há um dilema em usar animais, então temos de buscar alternativas. Mas, se os usamos sob o argumento de que não há alternativas, então nunca vamos encontrá-las”, diz Rita Leal Paixão, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal Fluminense, pesquisadora de ética aplicada e bioética da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Alguns exemplos corroboram suas palavras. Na Inglaterra, a proibição de usar animais para praticar microcirurgia levou à adoção de técnicas que usam placenta humana. Para o filósofo australiano Peter Singer, autor de Animal Liberation (Liberação dos animais, inédito no Brasil), um clássico sobre o assunto, há, sim, um problema ético em usar qualquer ser capaz de sentir dor.

A classificação dos seres em humanos e não-humanos, para Singer, configura “especismo”, uma discriminação que equivaleria ao racismo. “Há animais cujas vidas, por quaisquer critérios, são mais valiosos que as vidas de alguns seres humanos. Um chimpanzé ou um porco tem um grau mais alto de autoconsciência e uma maior capacidade de relações significativas do que uma criança com uma doença mental séria”, diz Singer. Ou seja: quem admite cortar um macaco em nome da ciência teria que admitir também cortar uma criança com paralisia cerebral, por exemplo. “Um dia, a experimentação animal será considerada tão absurda como hoje nos é a idéia do holocausto, da escravidão, da inquisição”, diz Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho. É ver para crer.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PETIÇÕES relacionadas à Vivissecção e à Experimentação Animal


Amigos,

Da mesma forma que estamos postando inúmeros textos informativos, para que as pessoas tenham elementos de conhecimento para somar à nossa II Manifestação Nacional Anti Vivissecção, dia 28 de abril, gostaria de pedir a todos que nos ajudassem a obter um número expressivo de assinaturas para as petições que estão em curso neste momento, todas elas relacionadas à CAUSA pela qual estamos nos reunindo. 

Vou listá-las todas nesta postagem e pedir a todos que verifiquem se já tiveram a oportunidade de assiná-las e pedir, ainda, que compartilhem este pedido com seus amigos, de forma a que consigamos uma forte adesão às nossas justas reivindicações pelo FIM da realização de experiências em animais em todo o Brasil (e em Portugal).


1 - Abaixo-assinado Obrigatoriedade no Brasil de SELO nos produtos não testados em animais:
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=ANVISA

 2 - Abaixo-assinado IBAMA: queremos explicações sobre o envio de primatas para experimentação nos EUA pela TAM:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=IBAMATAM

            2a - Versão internacional desta mesma petição:

IBAMA: We DEMAND explanations for allowing primates's transportation for vivissection and animal experimentation

http://www.thepetitionsite.com/1/ibama-we-demand-explanations-for-allowing-primatess-transportation-for-vivissection-and-animal/

3 - Abaixo assinado contra a exportação de nossos jegues (jumentos) para a indústria de cosméticos e da carne na China

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N21806

                         3a - versão internacional desta petição:

http://www.thepetitionsite.com/481/954/995/ministerio-da-agricultura-congresso-nacional-presidencia-da-republica-ministerio-publico-ministerio/ 

  4 - Abaixo-assinado TAM: Nos OPOMOS ao transporte animais para vivissecção e experimentação:  

     4a - Versão internacional desta mesma petição: 

Tell TAM & TAM Cargo NOT to fly animals for Vivisection and Animal Experimentation



5. Abaixo-assinado - Pelo fim do Biotério e da Experimentação Animal na UNICAMP:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=UNICAMP1



6 - Abaixo-assinado - Pelo fim do Biotério e da Experimentação Animal na UFSC:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=UFSC2011

7 - Abaixo assinado Vivissecção e Experimentação Animal na UFG
http://www.petitiononline.com/cadeia10/petition.html


8 - Abaixo assinado Contra a criação de um Biotério da UFPE
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=UFPE2012

9 - Abaixo assinado Contra a utilização e morte de animais nas aulas e "pesquisas" na UNISA
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=UNISA


10 -  Petição: Pelo Fim da experimentação Animal e Vivissecção no Brasil (postada em site internacional)

Fight against animal testing and vivisection in Brazil:

http://www.thepetitionsite.com/23/fight-against-animal-testing-and-vivisection-in-brazil/


11 - Petição Pelo Fim da Vivissecção nas universidades e faculdades do Brasil (postada em site internacional)

We demand the END of beagle breeding, vivissection and cruel animal experiments in Brazilian Universities


12 - Petição CONTRA a construção do Biotério em Azambuja, Portugal
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N11443  (esta aqui excepcionalmente só pode ser assinada por cidadãos portugueses que disponham de número de BI, residentes ou não no país)

                  12a. Versão internacional desta mesma petição: (cidadãos de todos os países podem assinar)

STOP the construction of the biggest "vivarium" for vivissection in Europe - Azambuja, Portugal

13 - Petição internacional: Contra a Construção de um Biotério na Espanha, na região da Galícia: 


Evitemos la creación de un centro de experimentación animal en Lugo :





 14 - Petição: Pela aprovação do PL 7199/2010 (penas severas para crimes cometidos contra animais no Brasil (site internacional)

Say YES to PL 7199/2010: Brazilian animals need your help



15 - Petição - Políticas públicas de esterilização, adoção e campanhas de guarda responsável em todo o Brasil. Chega de mortes nos CCZ e de descaso (postada em site internacional)

In Defense of Stray Cats and Dogs in Brazil



OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
Todas as petições alojadas no site PETIÇÃO PÚBLICA, depois de assinadas, exigem confirmação de assinatura para que esta seja validada.
Uma vez assinadas, a cada uma delas, corresponderá um e-mail para confirmação de sua assinatura que será enviado pelo site para a sua caixa de entrada de e-mail.
Como NÃO pedimos números de documentos nas petições, este é um recurso extremamente importante para o reconhecimento das assinaturas como válidas. Caso ele não chegue imediatamente, por favor conferir em sua caixa de SPAM.



Obrigada a todos.
Namate.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Controvérsia: "métodos alternativos" versus "métodos substitutivos"



Controvérsia: "métodos alternativos" versus "métodos substitutivos" 
Norah

Qual o sentido por trás da escolha destes nomes?

Talvez, lendo alguns dos textos que temos postado aqui  no blog ou na página do Cadeia, vocês tenham se deparado com esta questão.

Hoje o nome considerado mais adequado, do ponto de vista da BOA ciência, é o nome de "métodos substitutivos". Apesar de estarmos acostumados a usar o nome "alternativos", esta é mais uma esparrela em que todos um dia inadvertidamente caímos, eu inclusive.
Aliás, estou tentando me educar para usar a expressão correta ainda.

Porquê?

Quando se fala em "alternativo", a mensagem que é transmitida é que são uma alternativa apenas, o que confere indireta e falsamente AINDA algum valor às hoje sabidamente FALACIOSAS pesquisas em animais, cujos resultados, além do CRIME envolvido nos "procedimentos" a que são submetidos os animais, NÃO SÃO CONFIÁVEIS, quando transpostos para a fisiologia humana.

Por isto, hoje, prefere-se o termo "SUBSTITUTIVO".
A palavra "substituição" implica necessariamente no conceito de uma mudança radical de parâmetros e a ABOLIÇÃO de metodologias falsas. Hoje a boa e moderna ciência já tem métodos que SUBSTITUEM com vantagem científica e com ÉTICA a experimentação em animais.

Não se trata de uma discussão semântica, sem qualquer consequência. Trata-se uma mudança de paradigma, sustentada por ambas as partes envolvidas na questão: ativistas dos direitos dos animais e os verdadeiros cientistas de hoje, que nos alertam insistentemente para a fundamental importância da utilização de métodos confiáveis do ponto de vista científico.

Um dos piores e mais torpes "argumentos" que os vivisseccionistas empregam é atribuir aos ATIVISTAS dos direitos animais a responsabilidade de dizer que métodos deveriam eles próprios usar. Isto só revela IGNORÃNCIA, falta de criatividade e falta de qualificação acadêmica real por parte de tais "pesquisadores". Além da evidente falta de ética, impermeabilidade e desejo de insistir na produção de vítimas e protocolos de pesquisa de segunda categoria, que NADA trazem em termos de REAIS benefícios para o avanço da Medicina e da área da medicina aplicada à saúde humana.

Não cabe a NÓS escolher uma metodologia adequada: isto deveria, POR DEFINIÇÃO, ser o trabalho de CIENTISTAS, pelo menos daqueles que merecem este nome e título, informados da moderna literatura e do que áreas afins do conhecimento humano hoje tem a oferecer: informática (modelos computacionais), cultura de tecidos humanos in vitro, genética, pesquisa de células tronco, uso de simuladores, etc.

Infelizmente para nós o sobretudo para os animais aqui no Brasil, ainda estamos a anos-luz da produção de um saber científico desta ordem, com raríssimas exceções.

Está na hora de a sociedade brasileira ACORDAR para a FRAUDE do ensino no Brasil e suas pesquisas autorizadas pelo CONCEA.


Informe-se mais sobre esta questão, consultando o material relacionado abaixo:

 - diversos artigos postados em nosso próprio blog, desde o início de fevereiro de 2012: http://contatoanimal.blogspot.com/
 - diversos artigos de Sergio Greif postados também no Olhar Animal: http://www.olharanimal.net/sergio-greif
 - NÃO MATARÁS: documentário do Instituto Nina Rosa
http://institutoninarosa.org.br/loja/naomataras -
Sinopse: Quando você toma um remédio, sabe como ele foi criado? Quando você passa batom, sabe realmente o que está colocando em seus lábios? Lanolina, queratina, ácidos graxos... de onde vêm as substâncias que deixam seus cabelos macios e sua roupa ainda mais branca? A cada dia, o consumidor tem produtos novos à sua disposição nas prateleiras do supermercado. O apelo ao consumo é cada vez maior e os lançamentos sempre vendem uma nova fórmula mágica. Mas o que acontece para que esses produtos tenham seu consumo permitido? Por trás dos rótulos atraentes e das promessas de efeito miraculosos está o sofrimento de milhões de animais que serviram como cobaias dos testes. Os resultados - cada dia mais contestados - são extrapolados para humanos, e sua eficácia está sendo cada vez mais questionada. Eles são seguros? Até quando casos como o da talidomida continuarão a acontecer? Os testes que põe em risco a sua saúde e ceifam a vida de milhões de animais são justificáveis? Este é o tema principal do documentário "Não Matarás - os animais e os homens nos bastidores da ciência", um olhar abrangente sobre o sistema que mata mais do que salva. O uso de animais no ensino, o medo dos estudantes em expressar sua rejeição a esses métodos cruéis, a continuidade de um pensamento acadêmico já ultrapassado. Filósofos, cientistas e ativistas revelam o que é mantido em segredo. Disponível no Youtube.
- 1Rnet - Promove a substituição do uso de animais no ensino superior. - http://www.1rnet.org/
- Frente Brasileira pela Abolição da Vivissecção - http://www.fbav.org.br/ Organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover a abolição total da experimentação animal
- para acesso a uma extensa bibliografia em português, consulte a postagem feita no Olhar Animal: http://www.olharanimal.net/referencias/1100-referencias-contrarias-a-experimentacao
- Livro de Sergio Greif (esgotado)
- Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação - pela ciência responsável reprodução livre e acesso para o download disponível neste link do INR. http://institutoninarosa.org.br/loja/alternativas
 - consulte o site do PCRM (Physicians Committee for Responsible Medicne): http://www.pcrm.org/

domingo, 19 de fevereiro de 2012

VIDEO - VIVISSECÇÃO: a Psicopatia da Pseudo Ciência


Quando você diz a palavra "vivissecção", muitas pessoas ainda não sabem o que ela significa.

A luta pelo fim da vivissecção e da experimentação animal ainda não inclui grande parte da sociedade brasileira, a única capaz de pressionar pelo FIM destas práticas pseudo-científicas, vendidas para população desinformada como um "mal necessário".

Quando NÂO são.

E mais: claramente hoje se sabe que estas "técnicas" representam um atraso para o desenvolvimento de fármacos que possam trazer reais benefícios para a saúde humana.

TODOS saem PERDENDO: humanos e não-humanos, apenas para benefício econômico das grandes corporações e de pesquisadores e faculdades de terceira linha, os únicos beneficiados por tamanha impostura e chacina.

Este video é uma tentativa de explicar esta realidade em termos simples, ao alcance da compreensão de todos, mesmo daqueles que nunca tomaram conhecimento do que isto representa e do nível de tortura e impostura científica que isto envolve.

Intencionalmente não foram postadas imagens de teor muito impactante, pois este é um entre os muitos motivos pelos quais grande parte das pessoas prefere não tomar conhecimento desta terrível realidade.

Entretanto, ao "se proteger", estas pessoas acabam por condenar milhares de animais à morte, não saindo em sua defesa. Assim decidimos por colocar um tipo de "neblina" sobre as imagens, enquanto o tema é explicado de forma bastante simples com aúdio em português.

Trata-se de um esforço anterior aos eventos do dia 28 de abril de 2012, data da II Manifestação Nacional Anti Vivissecção e Experimentação Animal, promovida este ano pelo Cadeia em parceria com a Weeac.

Seu objetivo explicitamente é convocar a sociedade brasileira, a partir das informações que ele traz. Por favor, compartilhem o video e as informações que ele encerra.

Apenas a sociedade unida e informada tem o poder de modificar este cenário de exploração milionário e de pseudo pesquisas e mortes, em todo o país.

Obrigada.

Norah


  

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A questão da utilização científica de animais e a formação dos comitês de ética - Sergio Greif

"

Mais uma questão para conhecermos e considerarmos com relação ao assunto experimentação animal e vivissecção no Brasil: como é o real funcionamento dos "Comitês de Ética" no país, hoje "o maior trunfo da vivissecção e [que] precisam ser combatidos como prejudiciais para a causa dos direitos dos animais".
Abordagens bem estaristas estarão sempre na contra mão da Ética, já que supõe ter o poder de decisão sobre quem e como este alguém não-humano pode morrer
Como pode uma raposa tomar conta do galinheiro?
E mais: sabendo qual será o destino das galinhas: seu estômago e a MORTE.
Com a permissão do autor, compartilho mais um artigo de Sergio Greif.
Norah




A questão da utilização científica de animais e a formação dos comitês de ética 
por Sergio Greif

 A experimentação animal tem sido debatida em todo mundo. Biólogos, médicos e outros cientistas têm se levantado para se pronunciar a seu favor ou contra ela. Seus prós e contras tem sido apresentados, às vezes por uma abordagem científica, às vezes por uma abordagem ética. Auto-denominados "comitês de ética" tem sido criados com o objetivo de prontamente resolver a questão, conciliando todas as partes e tornando a experimentação aceitável pelo ponto de vista ético. Mas de que forma o cidadão comum, alheio às atividades acadêmicas, pode tomar parte nessa discussão?* Tem ele o direito de opinar, não tendo suficientes conhecimentos de biologia, fisiologia, bioquímica e disciplinas afins?

O debate sobre a experimentação animal, ao contrário do que defendem muitos cientistas vivisseccionistas, não deve ficar restrito aos círculos acadêmicos. Este é um problema que envolve toda a sociedade e é justo que toda a sociedade participe de sua discussão.* O salário do cientista provém dos impostos pagos pela população, que também paga pelos laboratórios e materiais utilizados em todos os procedimentos. É natural que a população tenha o direito de opinar sobre qualquer coisa que se passe em uma universidade. É importante que a população tenha consciência de todo o processo e de tudo o que existe por traz do discurso cientificista que pretende delegar o debate a poucos iniciados. É importante, acima de tudo, que a população se posicione, não apenas porque não concorda com o que se faz com os animais em nome da ciência, mas também porque não concorda com essa forma de ciência reducionista, que não apenas transforma seres vivos em coisas, mas também equipara sistemas diferentes como se fossem sistemas semelhantes, permitindo a extrapolação de dados obtidos de um sistema para todos os demais. *


 Não é à toa que em hospitais públicos os médicos tratem seus pacientes como números e que seus nomes sejam substituídos pelos nomes das doenças que lhes são diagnosticadas. O modelo de ciência que criamos induz que as coisas sejam assim. O ensino médico, tal qual estruturado, induz o estudante a acreditar que os seres vivos são 'coisas' e não é difícil entender porque que os médicos continuam tratando seus pacientes como coisas depois de formados. O cão nº 10 dos tempos de faculdade, no qual foi inoculado determinado vírus, torna-se o paciente nº 10 do hospital, que aparece no pronto-socorro com determinada virose.

 Este é apenas um pequeno exemplo do que representa o viés, o efeito negativo da utilização de animais para o ensino e para a pesquisa. Mas nem de perto esse é o maior problema relacionado à experimentação animal. Ainda na esfera da discussão científica, a experimentação pretende ser uma segurança que em verdade não é. Constitui-se em um risco querer garantir à população a segurança de produtos apenas porque os mesmos foram testados em sistemas tão diferentes de seu organismo. A utilização de experimentos em animais jamais foi validada seguindo critérios científicos, os mesmos critérios exigidos para validar os métodos substitutivos. Tendemos a considerar os animais miniaturas de nós mesmos, mas esta é uma consideração empírica e não encontra eco na ciência. Não é por mera conjectura matemática, "regrinha de três", que conseguiremos transformar dados obtidos em ratos em dados aplicáveis a seres humanos. Em algum momento nessa cadeia de testes seres humanos terão de ser utilizados como cobaia, e é nesse momento que os dados serão, de fato, considerados válidos.

 Embora a luta abolicionista tenha seus fundamentos na ética, ou seja, no direito dos animais em não serem explorados, a abolição da vivissecção deverá contar com uma argumentação mais embasada na ciência*. É que sabemos que, num primeiro momento, o debate ético freqüentemente cairá na dicotomia "se eu posso comer frango, porque não posso testar em ratos?" ou "você preferia que usassem crianças em vez de cães?" É claro que essas perguntas merecem respostas tão simplórias quanto elas próprias. Seres humanos não deveriam poder comer frango, não devemos justificar um erro apontando para outro erro. E não, não estamos sugerindo que se use crianças ao invés de ratos, estamos sugerindo que se utilizem modelos corretos ao invés de modelos errados.

 Uma discussão apenas pelo ponto de vista ético, se não estiver profundamente enraizado na teoria de direitos dos animais, poderá ainda derivar para distorções do tipo o conceito de que os 'animais de laboratório' recebem tratamento ético, visto que os procedimentos realizados com eles obedecem às leis de bem-estar animal e são devidamente aprovados por comitês de ética. Caberia aqui um questionamento sobre que leis são essas e no que se constituem os comitês de ética.



 O Brasil possui leis bastante específicas no que se refere ao bem-estar de animais. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), por exemplo, estabelece multas para quem abusar, maltratar, ferir ou mutilar animais (silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos) e é bastante específica em seu parágrafo único ao afirmar que "Incorre nas mesmas multas, quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos." Ou seja, essa lei, em uma leitura superficial, torna o uso prejudicial de animais na ciência e no ensino crime em todo o território nacional. Mas em verdade ela não o faz, porque condiciona a proibição à existência de recursos que até existem, mas não são conhecidos ou validados. Nenhum decreto estabelece quais recursos alternativos estão disponíveis e quais experimentos já não podem ser realizados. Cabe à boa vontade do cientista buscar alternativas e mesmo recusá-las se elas forem apresentadas por terceiros, porque ele pode simplesmente alegar que a alternativa não substitui a experiência que pretende conduzir. Ninguém melhor do que o cientista conhece os objetivos de seu experimento.

 Também a Lei nº 6.638/79, que regulamenta a vivissecção de animais, proíbe a vivissecção em animais que não foram devidamente anestesiados, ou que os procedimentos ocorram em locais não apropriados, sem a supervisão de técnicos especializados ou em presença de menores de idade, entre outras coisas, mas não representa de fato um ganho à causa animal. Se basta anestesiar o animal para tornar o procedimento ético, quem poderá se opor à experimentação? E como comprovar que o animal de fato foi anestesiado se tudo é feito a portas fechadas? Deve-se confiar na palavra do cientista? E é mesmo relevante que nos contentemos em saber que os animais simplesmente estão sentindo menos dor, quando o problema central não é este? E a pergunta mais importante, talvez: se não há nada de errado com a experimentação animal, porque que ela não pode ser realizada na presença de menores de idade?

 As leis no Brasil se dividem entre as 'que pegam' e as 'que não pegam'. As leis que pretendem impor comportamentos que de fato não condizem com o comportamento adotado pela população tendem a 'não pegar', por isso a idéia de que as campanhas para conscientização da população deveriam merecer mais atenção do que simplesmente a promulgação de leis. Leis apenas 'pegam' quando condizem com a vontade da maioria, ou de boa parcela da população.

 No que diz respeito aos auto-proclamados "comitês de ética na experimentação animal", cabe iniciar dizendo que eles não servem aos princípios a que se propõem. Seu próprio nome não faz sentido, porque inspira-se nos "comitês de ética para experimentação em seres humanos', onde os seres humanos utilizados são sempre voluntários saudáveis ou pacientes reais, devidamente informados sobre os possíveis riscos do tratamento a que serão submetidos. No caso dos animais, eles jamais são voluntários e certamente não são informados sobre os riscos. Simplesmente sua utilização ocorre à revelia de sua vontade e apenas por aí sabemos que não há ética em sua utilização. Poderia-se falar em ética na experimentação de seres humanos prisioneiros de campos de concentração? *

 Mas muitos 'protetores de animais' bem intencionados e sinceros em suas convicções acabam aceitando fazer parte desses 'comitês de ética' acreditando que poderão auxiliar os animais. Fazer parte não significa adquirir algum poder, mas sim compactuar. Suponhamos um "comitê de ética" típico, composto por 7 pessoas, entre membros da instituição, pessoas da área de biológicas, exatas, humanas, leigos da sociedade civil e um membro da 'proteção animal'. Ainda que esse membro ligado á proteção animal seja firme em seu propósito de impedir determinado procedimento, ele será apenas 1 entre 7 pessoas. Voto vencido. Isso se ele mesmo não acabar cedendo à argumentação, convencido da necessidade da experimentação em animais.

Os 'comitês de ética' trazem um agravante para os propósitos da causa animal: Quando determinado procedimento é questionado pela sociedade (ou por um grupo em particular) o aval do comitê de ética é freqüentemente utilizado a favor da pesquisa, contra os animais. Os cientistas têm, com o aval em mãos, uma ferramenta para argumentar que naquela instituição os procedimentos são rigorosamente fiscalizados e aprovados, inclusive por membros das sociedades protetoras de animais. "Quem melhor do que um protetor de animais para saber o que é bom para os animais?"

 Esse argumento, que atribui autoridade sobre a vida alheia a certos membros de nossa sociedade, é simplesmente inaceitável.* Apenas ser sensível ao sofrimento alheio não nos torna aptos a avaliar a medida desse sofrimento. Não nos torna capazes de avaliar os pros e contras e decidir sobre o que aceitável e o que não é. Podemos fazer isso com nossas próprias vidas (talvez), mas não podemos estabelecer quanto de dor é suportável por um cão, ou quantos ratos podem ser mortos para obtermos determinada droga. Isso nada tem a ver com ética. O prejudicado e o possível beneficiado não são o mesmo sujeito, de que forma 'colocar isso na balança'. Que metodologia é essa a que tanto se tem recorrido? Poderíamos, seguindo ela, avaliar que o sacrifício de 1.000 mendigos saudáveis valeria para descobrir a cura para o mal de milhares de pessoas que sofrem de determinada doença degenerativa?

 E quem é o protetor de animais que está nesse comitê e que pode decidir pela vida de tantos animais? Quem o investiu do poder divino para decidir pelo que é melhor para a vida de outros que não a sua própria, pela vida ou pela morte, quais procedimentos são inaceitáveis e quais são éticos, quais espécies podem ser usadas, qual seu número etc? Essa é a forma como acreditamos estar ajudando os animais? Não, não devemos conceber nem apoiar comitês de ética. Pelo contrário, eles são atualmente o maior trunfo da vivissecção e precisam ser combatidos como prejudiciais para a causa dos direitos dos animais.*  

Mesmo a alegação de que fazer parte de um comitê permite ao protetor saber o que se passa dentro da instituição não faz sentido. Não é fazendo parte do problema que encontramos sua solução, além disso, qualquer pessoa da sociedade tem o direito de acessar o que se passa em laboratórios de pesquisa, e isso é especialmente verdade em instituições públicas. Mesmo onde não existem comitês de ética é possível acessar os projetos submetidos às agências de fomento à pesquisa.


 Mas por que meios a vivissecção pode ser efetivamente (tirei as vírgulas) combatida?*
É comum a idéia de que a abolição da exploração animal será um movimento que partirá da base para o ápice, do povo em direção aos governantes, e não o contrário. Não serão as leis que impedirão que animais sejam explorados. Tampouco os cientistas voluntariamente abdicarão do uso de animais, se fatores sociais e econômicos não os forçarem a buscar por isso. Apenas a vontade popular poderá provocar essa mudança. Cabe àqueles que já tem esse entendimento educar as pessoas no sentido de que percebam o problema em todos os seus aspectos. O povo, uma vez consciente de que a experimentação animal não resulta apenas na exploração de animais, mas também de prejuízos à saúde humana, tenderá a direcionar essa mudança, através da opção por produtos que não foram testados em animais e pelo boicote às empresas que perpetuam a exploração de animais. No caso do uso didático de animais, o caminho é mostrar para mais e mais estudantes que as aulas que empregam animais de forma prejudicial, além de se constituírem em práticas anti-éticas, não contribuem em nada com seu nível de aprendizagem. E quanto mais estudantes recusarem-se a participar de tais aulas, mais a instituição se verá forçada a buscar por outros métodos. *





 É interessante que a pessoa que defende a abolição da vivissecção conheça algo sobre os métodos substitutivos, também chamados métodos alternativos1. Esse conhecimento é especialmente útil para responder à pergunta "se não animais, vamos utilizar o que?" Alguns dos métodos substitutivos utilizados com maior freqüência incluem os testes in vitro (em tecidos, células animais, vegetais ou microorganismos), a utilização de vegetais (quando possível), as simulações computacionais, os estudos clínicos em pacientes reais, os estudos não invasivos em voluntários, os estudos epidemiológicos, as técnicas fisico-quimicas, (espectrometria de massa, cromatografia, tomografia, etc), o estudo em cadáveres, a utilização de manequins especialmente criados para determinados procedimentos, de softwares educacionais, de filmes, de modelos matemáticos, a nanotecnologia, estudo observacional de animais, entre outras. Cada fim pretendido demanda a adoção de uma ou mais técnicas, e dentro destas técnicas há inúmeras possibilidades e variações.

 Assim, por exemplo, um determinado teste toxicológico que demandaria vários animais pode, com sucesso, ser substituído por uma bateria de testes em células de diferentes linhagens e seguindo diferentes metodologias. É claro que a escolha destes testes não é aleatória e tem relação com os objetivos pretendidos. Técnicas fisico-químicas podem ser aplicadas para identificar os diferentes componentes da droga e desta forma refinar os testes. Modelos computacionais e matemáticos, bem como placentas obtidas junto a maternidades podem auxiliar a compreender, por exemplo, de que forma a droga se distribuirá pelo organismo e como será sua absorção.

 Esse conhecimento sobre métodos substitutivos não é, porém, imprescindível nem determinante de sucesso em uma campanha. Ele apenas contribui bastante com o desenvolvimento das discussões no âmbito científico. Os ativistas não são obrigados a ter, na ponta da língua e de pronto, quais recursos substitutivos podem se aplicar a cada caso de pesquisa proposta pela academia, porque isso seria humanamente impossível. Cada pesquisador é pago para realizar sua pesquisa de acordo com as demandas da sociedade. Foi ele que estudou e se capacitou nesse sentido e é dele o interesse em obter resultados destes experimentos. O pesquisador, acima de tudo, é que tem que se familiarizar com os recursos substitutivos, e não esperar que anti-vivisseccionistas os apresentem. *

 Um único departamento de uma boa faculdade desenvolve dezenas de projetos simultaneamente. Esse departamento é apenas um entre os vários da faculdade e essa faculdade é apenas uma dentro da universidade. Portanto, a gama de experimentos que ocorrem simultaneamente dentro de uma boa universidade é enorme e multiplique-se isso pelo número de universidades para termos uma idéia de que uma única pessoa ou instituição não poderia deter o conhecimento sobre todos os possíveis experimentos que poderiam ser realizados em animais para buscar por pelo menos um método substitutivo para cada um deles. O papel do anti-vivisseccionista é simplesmente o de exigir que esses métodos sejam implementados e jamais apoiar, de forma nenhuma, pesquisa com animais.* Questionar sempre. Eventualmente, se dispuser de informações sobre recursos substitutivos essas poderão ser disponibilizadas para os cientistas, mas isto é uma contribuição e não uma obrigação que deve recair sobre o anti-vivisseccionista.

 Além disso, devido à especificidade de cada linha de pesquisa, é possível que muitos métodos alternativos ainda precisem ser produzidos. Não porque sua técnica seja muito elaborada, mas porque possivelmente ninguém ainda tenha se preocupado em desenvolvê-los, visto que a metodologia somente interessa a quem dela faça uso.

 O importante é que a graduação e especialização do cientista não devem intimidar o debatedor. É claro que o cientista melhor do que ninguém conhece sua linha de pesquisa, mas isso não desqualifica uma pessoa que queira debater a necessidade de utilização de animais. É questionável, inclusive, se a pesquisa é necessária caso o cientista seja incapaz de apresentar uma metodologia de pesquisa alternativa ao uso de animais. A sociedade não apenas pode se envolver nesse debate, ela deve, porque nele estão embutidos não apenas questões éticas, mas também questões relacionadas à saúde geral da população. *



 1 Nota do autor: "Cabe aqui discutir o emprego da palavra "alternativa". Ainda que a utilizemos com grande freqüência, devido à sua consagração, convém deixar claro que esta palavra não é a mais adequada para designar os recursos e métodos substitutivos. A palavra "alternativas" desperta certa confusão entre as pessoas, levando muitos a crerem que se trate de "alternar" métodos substitutivos com experimentos realizados em animais. Além do mais, quando aceitamos que as técnicas que propomos são "alternativas", estamos implicitamente aceitando que as técnicas que utilizam animais conduzem a bons resultados, o que não é o caso.

* meus grifos 
  (Norah)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Seu filho vale menos que um rato? - por Sergio Greif


Mais um artigo de Sergio Greif, para a leitura de todos que estarão participando conosco da II Manifestação Nacional Anti Vivissecção e Experimentação Animal, dia 28 de abril de 2012, em diversas cidades brasileiras e do exterior.
A INFORMAÇÃO é o melhor meio de munirmos a sociedade brasileira, a única capaz de por um fim neste comércio pseudo científico definitivamente.


Seu filho vale menos que um rato? 
Sergio Greif

Qualquer ser humano normal considera que a vida de seu próprio filho vale mais do que a vida de um rato. Mas é verdade também que qualquer ser humano normal considerará a vida de seu filho mais valiosa do que a vida de uma outra criança. Isso porque conferimos mais valor àquilo de que gostamos mais. Essa questão de preferência, porém, não se reflete no valor real dos indivíduos. Nenhum ser humano normal mata uma outra criança porque seu próprio filho está precisando dos órgãos. Ninguém atualmente tenta justificar racionalmente a utilização de crianças africanas para testar medicamentos que serão comercializados nos Estados Unidos com base em argumento do tipo “Seu filho vale menos que uma criança africana?”.

Para mim meu filho vale mais do que o filho do meu vizinho, mas isso não me dá direito algum sobre o filho do vizinho. Então por que esse argumento vil, malicioso e injusto é utilizado para tentar justificar o uso de animais em laboratórios? A única resposta que me ocorre é a de que existem poucos argumentos plausíveis a favor da experimentação animal. É necessário, de fato, apelar-se para esses, correndo-se o risco de simplesmente não se conseguir justificá-la. Trata-se de uma estratégia manipulatória de desespero e mesmo cientistas de renome não temem usá-la.

 Existem ainda outras linhas de defesa baixas da experimentação animal. Uma delas diz que sem a pesquisa em animais a ciência ficará estagnada. Isso é condicionar todo o pensamento científico a uma única metodologia. Caso isso fosse verdadeiro, se isso de fato assim o fosse, não seriam necessários cientistas nos centros de pesquisa, bastariam técnicos capazes de seguir protocolos experimentais. Isso seria também negar todas as descobertas científicas realizadas sem animais, baseadas na observação de fenômenos em situações de campo, ou seja, praticamente todas.



 Outra linha trata de colocar os ativistas pelos direitos animais como fundamentalistas irracionais, terroristas, culpados por todo o atraso da ciência. Essa tentativa de retratar ativistas como criaturas obscuras e medievais, de desumanizá-los ou compará-los a nazistas nada mais é do que uma estratégia de desespero. Quando acusações reais não são possíveis, apela-se ao irreal. E cientistas mandam para si mesmos cartas ameaçadoras e se colocam como mártires pela ciência, e apesar de tudo continuarão com seu importante trabalho, pelo bem da humanidade. Mas se há algo de medieval e nazista em toda essa história isso ocorre quando se acendem fogueiras para queimar um inimigo que não existe, ou quando se utilizam argumentos de cunho supremacista para justificar o injustificável, como a pergunta que dá título a esse artigo.

 Mesmo que cientistas sejam, eventualmente, ameaçados por um ou outro ativista, essas ameaças refletem a única manifestação contrária ao que eles praticam diariamente contra criaturas tão sencientes quanto seus próprios filhos. As ameaças são atitudes de desespero de pessoas que sabem que não podem apelar para as leis nem a nenhuma força legal. Esses cientistas são culpados, não são vítimas como querem se colocar. Ainda assim, ameaças, mesmo quando existem, quase nunca são levadas a cabo.

 Nossa cultura nos faz conferir valores diferente para vidas animais e humanas. Mas ela também nos faz conferir valores diferentes para as pessoas que conhecemos e as que não conhecemos, para povos com os quais temos boas relações e para aqueles aos quais somos indiferentes, para animais com os quais simpatizamos e para aqueles com que não simpatizamos. Essas questões de preferência pessoal nada têm a ver com o valor real da vida. Quando cientistas de renome fazem uso dessa psicologia para tentar justificar seus crimes, quando esses argumentos são os melhores que existem para defender a experimentação animal, fica evidenciado que a vivissecção é uma instituição em ruínas.


 Sobre o autor: Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.
 Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.

A experimentação animal e as leis - por Sergio Greif


Dando sequência à série de artigos cujo conteúdo é importante conhecer previamente à nossa II Segunda Manifestação Nacional Anti Vivissecção e Experimentação Animal, dia 28 de abril de 2012, segue aqui mais um texto de Sergio Greif, este relativo às leis ainda vigentes no Brasil.
Leitura altamente recomendada.

A experimentação animal e as leis
Sérgio Greif

Experimentação animal é a prática cruenta de utilização de animais vivos ou recém-mortos com propósitos experimentais ou didáticos. Essa prática tornou-se padrão na medicina experimental desde que o fisiologista Claude Bernard assim o estabeleceu, em 1865. Desde então, houve poucos questionamentos quanto à validade desses métodos, os quais seguiram como referência na pesquisa acadêmica.

Tanto é assim que a definição do termo “pesquisa científica”, constante na Lei nº 11.794/2008, envolve o conceito de experimentação animal, supondo não poderem ambos ser dissociados. De acordo com a Lei nº 11.794/2008, Art. 1º, § 2º: “São consideradas como atividades de pesquisa científica todas aquelas relacionadas com ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos, instrumentos, ou quaisquer outros testados em animais, conforme definido em regulamento próprio”.

 As leis referentes à experimentação animal são, a saber, a Lei Federal nº 6.638/79, a Lei Federal nº 9.605/98, a Lei Estadual nº 11.977/05 e a já citada, recém-aprovada, Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca).

 Todas essas leis partilham entre si o reconhecimento de que animais não são indivíduos nem sujeitos de direito, posto que autorizam sua utilização sob determinados critérios. Não são, portanto, leis de proteção animal, mas regulamentadoras de seu uso, sendo pouco aplicáveis em seu favor.

 A história mostra que leis e ética nem sempre caminham juntas, e nem todas as leis são justas ou visam ao bem comum. Leis podem favorecer determinadas classes, determinadas etnias, determinados grupos econômicos, mas elas em si não expressam o estado de direito natural. As leis reconhecerem ou não direitos individuais não revela o real status do indivíduo.

 Nesse sentido, faremos a seguir uma breve revisão sobre as leis relativas à experimentação animal.




 Lei Federal nº 6.638/79

 A referida lei, revogada pela Lei Federal nº 11.794/08, proibia a vivissecção em animais não devidamente anestesiados, ou que os procedimentos ocorressem em locais não apropriados, sem a supervisão de técnicos especializados, ou em presença de menores de idade. Obrigava também que animais que seriam vitimas de procedimentos permanecessem em biotério pelo tempo mínimo de 15 dias.

 Apesar disso, a Lei 6.638 não era uma lei proibitiva, mas permissiva, visto que o texto do Artigo 1º deixava claro: “Fica permitida, em todo o território nacional, a vivissecção de animais, nos termos desta lei”. E se por um lado a lei valorizava a vivissecção, tornando-a “necessária”, por outro a total falta de fiscalização tornava-a ineficaz.

 Com efeito, pergunte-se informalmente a qualquer grupo de estudantes universitários se estes presenciaram procedimentos realizados em animais sem anestesia, e a resposta invariavelmente seria positiva (assim como se encontrará grande número de respostas positivas quando se questionar sobre a prática de dissecções no ensino médio, antes de os estudantes completarem a maioridade).

 Há, porém, a defesa pouco provável, mas bastante recorrente, de que a utilização de anestesias pode prejudicar a finalidade do experimento, sendo esta, pelo menos nesses casos, dispensável. Embora tal afirmação não encontre respaldo legal (e, na maioria das vezes, tampouco técnico), ela abre precedente para o não-cumprimento da lei. Também quanto às condições em que tais procedimentos ocorrem, ou seja, em ambientes de acesso restrito, estando o pesquisador/professor em condição hierárquica superior, não há significativo registro de denúncias referentes ao não uso de anestésicos, apesar do expressivo histórico informal. De toda maneira, o uso ou não de anestésicos pouco influencia a vivissecção pelo ponto de vista moral.

 Por fim, a lei em questão não trazia definição do que seria um “local apropriado” para a realização de vivissecção e qual a formação necessária para o técnico especializado. Portanto, a aplicação também dessas exigências nunca pôde ser realizada.

 Lei Federal nº 9.605/98

 A  Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) estabelece no artigo 32 detenção e multa para quem “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” e continua em seu parágrafo primeiro: “Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”.

 Embora esta lei venha sendo interpretada como supostamente proibitiva no que se refere ao uso prejudicial de animais na ciência e no ensino, sendo fato agravante a ocorrência de morte do animal (parágrafo segundo), a lei condiciona a proibição à existência de recursos alternativos, faltando, porém, definir em que circunstâncias determinado método será aceito como um recurso alternativo.

 Por convenção internacional, a aceitação de determinado método como recurso alternativo depende da “validação” desse método, ou seja, esse método necessita ser reprodutível e os resultados obtidos devem ser não apenas agrupados, como comparáveis a um método considerado padrão. O método considerado padrão é, por convenção, mas sem nenhuma justificativa técnica, a experimentação animal.

 Ou seja, todo método alternativo, para ser considerado válido, deve produzir resultados comparáveis aos que seriam obtidos com animais, mesmo que freqüentemente os resultados obtidos em animais não sejam comparáveis aos que seriam obtidos em seres humanos. Para validar métodos alternativos faz-se necessário equipará-los a métodos que jamais foram validados, condenando-os aos mesmos erros a que está sujeita a experimentação animal.

 Por outro lado, um método inegavelmente lógico corre o risco de ser considerado não científico por não fazer seus resultados coincidirem com os obtidos em animais, o que ironicamente também se aplica a dados obtidos diretamente de seres humanos.

 Mas, se desvencilhamos o pensamento científico da necessidade de uso de animais, um exercício mais epistemológico do que técnico, vemos que o objetivo da ciência médica é a busca da saúde humana e não a busca de status do cientista/pesquisador, o que pode ser medido pelo maior número de publicações científicas, de títulos acadêmicos, de prêmios da classe, de patentes etc.

 De toda maneira, quando a lei proíbe a experimentação animal apenas no contexto da já existência de métodos alternativos, ela desobriga o cientista da necessidade de se empenhar no desenvolvimento de seus próprios métodos alternativos, delegando essa função a terceiros. Ora, o vivissector não pode utilizar a inexistência de recursos alternativos como desculpa, porque o fator limitante para a elaboração de métodos é principalmente o volume e a variedade de linhas de pesquisa existentes e possíveis. Não é possível a nenhum ser humano familiarizar-se com toda a produção científica de determinada instituição, quanto mais elaborar métodos substitutivos para o uso de animais em cada uma delas.

 Cabe ao cientista interessado no desenvolvimento de determinada linha de pesquisa desenvolver um método que não utilize animais, e não esperar que outros os descubram. Se animais não fossem vistos como recursos, a ciência certamente não pararia, assim como não parou quando se criaram leis para regulamentar a pesquisa com seres humanos. O desenvolvimento de metodologias que não utilizem animais deve ser parte do trabalho do cientista.



 Lei Estadual nº 11.799/05 (São Paulo)

 Essa lei estadual, elaborada pelo deputado Ricardo Tripoli, é intitulada Código de Proteção aos Animais em SP, embora na leitura do legislador “proteger animais” não seja o sentido de proteção que conferimos, por exemplo, às crianças, aos idosos, etc. Animais, sob a “proteção” dessa lei seguem sendo recursos e podem ser explorados, só não podendo ser “abusados”. O código procura estabelecer quais as regras do que seja considerado abuso, por uma perspectiva do legislador e de seu sistema particular de crenças.

 Em seu Capítulo IV, o código trata Da Experimentação Animal, estabelecendo na seção II as condições para a criação e uso de animais de laboratório, sendo elas a obrigatoriedade de registro dos estabelecimentos vivisseccionistas em órgão competente e sob supervisão de profissionais de nível superior e a necessidade de constituição de uma Comissão de Ética no Uso de Animais – CEUA, voltada para examinar previamente os procedimentos de pesquisa a serem realizados na instituição.

O código estabelece que animais a serem utilizados nas atividades de pesquisa e ensino devem ser criados em centros de criação ou biotérios, mas cria a brecha para que se utilizem animais não criados dessa forma, dependendo da espécie ou quando o objetivo do estudo assim o exigir. A lei proíbe a utilização de animais oriundos dos centros de controle de zoonoses ou canis municipais.

 A lei estabelece, também, em seu artigo 32: “É vedada a realização de procedimento para fins de experimentação animal que possa vir a causar dor, estresse, ou desconforto de média ou alta intensidade sem a adoção de procedimento técnico prévio de anestesia adequada para a espécie animal”. Porém, o código não estabelece critérios que possam ser utilizados para sua aplicação, ou seja, de que forma mensurar os níveis de dor, estresse e desconforto de maneira quantitativa? Que índices adotar?

O código também estabelece, em seu artigo 36, que a experimentação animal “fica condicionada ao compromisso moral do pesquisador ou professor, firmado por escrito, responsabilizando-se por evitar sofrimento físico e mental ao animal, bem como a realização de experimentos cujos resultados já sejam conhecidos e demonstrados cientificamente”, ou seja, cabe ao algoz o “compromisso moral” de evitar o sofrimento excessivo de sua vítima, não havendo forma de fiscalizar ou contestar, por uma perspectiva externa, os procedimentos adotados e o cumprimento da lei.

 A lei também cria a possibilidade de o cidadão declarar objeção de consciência referente ao ato da vivissecção, um direito em verdade já exercido com base na Constituição.



 Lei Federal nº 11.794/08 (Lei Arouca)

 A Lei Federal nº 11.794/08, recentemente sancionada, revoga a Lei nº 6.638/79, agora permitindo a utilização de animais em estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. A lei também cria o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), com competências relacionadas à valorização da experimentação animal e não o contrário.

 A própria composição do conselho torna clara a posição tendenciosa do CONCEA, fazendo dele parte, entre outros, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Federação das Sociedades de Biologia Experimental, o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal e a Federação Nacional da Indústria Farmacêutica, ou seja, as entidades que promovem ativamente a propaganda em favor da experimentação animal e que particularmente constituíram lobby para forçar a aprovação da referida lei.

 A previsão de participação de dois representantes das sociedades protetoras de animais também se constitui em uma forma de favorecer a experimentação animal, por não terem esses membros número suficiente ou conhecimentos técnicos para argumentar contra os procedimentos propostos. No entanto, sua presença no conselho simboliza aprovação das pesquisas propostas também pela fatia da sociedade que pretensamente essas pessoas representam, o que é lamentável.

 A lei também prevê obrigatoriedade de constituição de CEUAs institucionais. CEUAs, ou Comissões de Ética no Uso de Animais, são estruturas criadas dentro das instituições para validar seus procedimentos de modo a torná-los mais aceitáveis perante a sociedade. Trazem o nome da “ética” como mero argumento de retórica, porque, sem dúvida, não é esse o objetivo.

 Para efeito de comparação, poder-se-ia crer em um “Comitê de Ética” criado, mantido e composto por policiais da prisão de Abu Ghraib, ou por soldados nazistas em um Campo de Concentrações? Poderia seu testemunho sobre as boas condições de seus prisioneiros valer alguma coisa? E de que forma apropriar-se da “ética” para tornar correta, de alguma forma, crimes completamente injustificáveis?

 Parece óbvio dizer que os Comitês de Ética no Uso de Animais não visam ao benefício do animal, mas ao benefício do pesquisador, visto que validam pesquisas e permitem a publicação de dados em revistas de renome, tornando a pesquisa acima de qualquer questionamento.

 Igualmente, essa lei proíbe utilizações sucessivas de um mesmo animal para mais de uma pesquisa, obriga o uso de anestesia e analgesia e proíbe o sofrimento excessivo do animal, sendo todos esses procedimentos, porém, difíceis de se verificar por uma pessoa externa ao contexto do laboratório. É, portanto, letra morta, criada para dar satisfação aos crescentes anseios da sociedade. No interior do laboratório trabalham o pesquisador e o pessoal diretamente relacionado à pesquisa, não há como saber se o que está na lei é cumprido, pois todas as testemunhas têm interesse em resultados de pesquisa e não no bem do animal.



  Considerações finais

 A promulgação de leis que regulamentam o uso de animais configura, em si, flagrante reconhecimento de que animais não são sujeitos de direito. Caso assim o fossem, seu uso não seria regulamentado, mas proibido. De uma maneira antagônica, leis que sustentam “defender” os animais em verdade servem para demonstrar que animais não possuem, realmente, direitos.

 Por outro lado, propor projetos de leis que simplesmente clamem pela abolição da experimentação animal, nesse momento em que o pensamento da população não esta voltado para uma causa abolicionista ou para a compreensão de que a saúde humana não depende da pesquisa realizada com animais, não é uma alternativa viável, visto que as leis devem refletir o pensamento da população. Impor uma lei positiva por meio de negociações e lobbies, mas que esteja em desacordo com o pensamento popular, é fragilizar o conceito, imunizar a sociedade para uma futura ação que em outras condições seria mais efetiva.

 O fim da experimentação animal virá com a educação da população. A população precisa ser conscientizada de que não depende da experimentação animal e de que a indústria farmacêutica precisa da população mais do que a população dela. Quando a experimentação animal deixar de ser vista como necessidade, leis realmente abolicionistas serão naturalmente propostas.



Sobre o autor:  Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.
Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.

Experimentação Animal: posição bem-estarista (3R) e abolicionista

Experimentação Animal: posição bem-estarista (3R) e abolicionista

Informe-se: 

por Norah André

 Tal como acontece com relação ao abate de animais para o consumo de sua "carne", onde o confronto e a tensão irreconciliável entre o bem estarismo e o abolicionismo se manifesta com toda a clareza, também na questão do uso de animais em pesquisas, esta oposição radical de perspectivas se faz presente de forma igualmente irreconciliável, embora desapercebida da maioria de todos aqueles que se engajam na luta contra o uso de animais em experimentos ditos científicos.

 Fica claro, quando se trata de matar animais para consumo humano, que enquanto o bem estarismo está apenas preocupado com o nível de sofrimento experimentado pelos animais durante sua vida e na hora de seu abate __ a quanta "crueldade" ele é submetido __, a perspectiva abolicionista torna esta questão irrelevante, uma vez que entende que todos os animais tem o mesmo direito à vida, independentemente de "como" sejam criados ou abatidos.

Ou seja, para nós, abolicionistas, a questão não é o "como eles são mortos", mas o fato de que NÃO devem morrer, não importa sob que circunstâncias.

 Você realmente imagina que ser abatido (assassinado), com um carinho na cabeça, à luz de velas, em ambiente tranquilo, ainda que dopado, modifica o fato de que alguém foi ASSASSINADO?


Claro que não. Pois então: se é assim com um ser humano, porque seria diferente com um não-humano? Pois bem: também quando se fala de experimentação em animais, a mesma oposição aparece, em termos idênticos.

 Enquanto a posição bem estarista (conhecida como 3R) legitima o uso de animais em experiências, desde que cumpridas "certas condições", a perspectiva abolicionista SE OPÕE radicalmente ao uso de quaisquer animais em experimentos, não importa sob que circunstâncias.

Felizmente, nesta aspecto, a boa e moderna ciência tem nos oferecido todo o suporte científico, ao evidenciar a falácia e a mentira envolvido nestas práticas pseudo-científicas.




Bem estarismo: O que é o 3 R, do qual discordamos frontalmente?

Em inglês, de onde vem a expressão ela significa: Refine (refinar), Reduce (reduzir), e Replace (substituir).

 3 R significa limitar 3 fatores nos ditos "experimentos":

- "menos sofrimento" __ reduzir sofrimento ("refinar")

- "menos animais" __ reduzir o número de vítimas sacrificadas (inutilmente)

- "substituir os métodos de experimentação anima, sempre que houver alternativas" (REPLACE, em inglês)

Ora, como muito bem evidenciou Sergio Greif em seu artigo "Métodos Alternativos", que noção de "método alternativo" estaria sendo aqui empregada?

A posição aqui equivocadamente sustenta que os resultados obtidos em experimentos que implicam na morte e tortura de outras espécies seriam "confiáveis" e sólidos, quando transferidos para a fisiologia humana.

O que sabemos NÃO SER VERDADE.

E MAIS: admite como "legítima em certos casos" que a tortura e a matança prossiga, "com o mínimo sofrimento possível".
Sem comentários.

Sabemos muito bem a que tipo de "interesses" esta posição, hoje mantida no Brasil e autorizada pelo CONCEA, serve: a indústria farmacêutica, as grandes corporações financeiras e as verbas milionárias que circulam no mercado da vivissecção, seja "fabricando animais" para a morte, seja vendendo produtos, seja para evitar possíveis processos legais, seja para o recebimento de verbas milionárias de pesquisa, seja para certificação acadêmica recíproca de "pesquisadores" sem mérito científico algum.

Nenhum destes senhores parece preferir a posição ética e cientificamente fundamentada de pesquisada hoje mantida pelos cientistas de ponta internacionais, atendo-se aos seus interesses financeiros e à manutenção de sua pouca qualificação acadêmica, vendida como "ciência" para a população mundial, desinformada propositalmente de forma consistente.




Direitos animais e abolicionismo

 Além dos argumentos éticos mais evidentes, a perspectiva abolicionista em pesquisas científicas, SABE que os resultados obtidos em experimentos com animais NÃO são fidedignos, e que respondem pelo atraso da farmacologia e da medicina aplicada à saúde humana.

 Aqui, ativistas e cientistas se encontram em um ponto comum, apesar de partirem de motivações diversas. Um excelente artigo neste sentido é o de Ray Greek, pesquisador reconhecido internacionalmente, que defende a abolição de experimentos em animais exclusivamente com vistas ao surgimento de uma verdadeira ciência aplicada.

 Inteiramente desconectado da questão ética (com a qual explicitamente diz não se importar), Greek é muito claro ao afirmar que métodos que utilizam animais, além de não serem necessários, só fazem atrasar o desenvolvimento da pesquisa orientada para a saúde humana, ao retardar e impedir o avanço na área do desenvolvimento de remédios e fármacos adequados para o consumo humano.

No sentido de qualificar nossa demanda como também cientificamente validada, temos feito diversas postagens neste mesmo blog de autores e pesquisadores renomados nacional e internacionalmente, que evidenciam o aspecto teórico científico de nossas aspirações de ver em breve ENCERRADO este triste DESCAMINHO que a pesquisa dita científica tomou, enveredando pelo caminho da impostura, do atraso, da ganância à frente do verdadeiro conhecimento,  bem como do holocausto animal.

Hoje os pesquisadores de ponta, internacionalmente reconhecidos por sua credibilidade, claramente afirmam a FALÊNCIA e a INVERDADE envolvidas na experimentação animal, adotando métodos de pesquisa que, além de éticos, são capazes de fornecer resultados fidedignos, com aplicação imediata e segura à saúde humana.


Conclusão:

Nossa sociedade precisa ser informada:

- dos grandes danos causados à saúde humana por medicamentos anteriormente considerados "seguros" quando testados em animais

- de que na verdade não se trata de buscar alternativas, "em certos casos e sempre que possível". Buscar alternativas será SEMPRE NECESSÁRIO, em qualquer caso, já que os métodos empregados hoje produzem resultados falaciosos, uma vez que cada espécie animal (homem e outros) tem sua característica específica. Isto gera a necessidade de termos pesquisadores inteligentes, informados e criativos, capazes de dominar sua área de saber com informação atualizada, empregando recursos à disposição das demais ciências.

- da tortura e a chacina de vítimas inocentes em experimentos no mínimo duvidosos, também empregados pela indústria de produtos cosméticos e produtos de limpeza que inadvertidamente consume e, com isso, financia

- dos reais motivos por trás desta falsa-ciência: interesses bilionários escusos, em detrimento da dignidade dos animais não humanos e dos verdadeiros interesses dos humanos supostamente "beneficiados" por estes procedimentos pseudo-científicos.

- dos grandes recursos à disposição da verdadeira ciência, ainda não empregados, já que requerem algum investimento financeiro por parte dos pesquisadores, que ainda consideram mais barato" matar" do que fazer uma boa e sólida pesquisa científica.

- da estratégia de desinformação ainda intencionalmente mantida junto à população.




Observação: 
Entre outros pontos, estes serão nossos objetivos ao realizar nossa II Manifestação Anti Vivissecção e Experimentação animal em 28 de abril de 2012, em diversas cidades brasileiras e do exterior.
Por favor, compareçam e estudem a questão.
A INDIGNAÇÃO precisa estar firmemente associada à INFORMAÇÃO.


Referências:
Greif, Sergio: "Métodos Alternativos", tal como postado, com licença do autor em: http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/metodos-alternativos-por-sergio-greif.html
GREEK, Ray : “A pesquisa científica com animais é uma falácia”, postado em http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/pesquisa-cientifica-com-animais-e-uma.html

Ler também:
http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/vivisseccao-um-negocio-indispensavel.html http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/mito-das-experiencias-em-animais-por.html http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/experimentacao-animal-e-necessaria-para.html http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/o-modelo-animal-por-sergio-greif.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Avanços Médico-Científicos SEM a utilização de animais - fonte: PCRM


Dando prosseguimento à nossa tentativa de esclarecer a falácia da "ciência" ainda praticada no lugar da BOA e verdadeira ciência, compartilhamos abaixo algumas informações, publicadas pelo PCRM,  de reais AVANÇOS na pesquisa científica, aplicada à saúde humana, SEM QUE EXPERIMENTOS em ANIMAIS FOSSEM REALIZADOS.

 Nada que devesse nos surpreender.

Afinal todo o material de boa qualidade que estamos postando regularmente, é claro ao afirmar que as diferenças entre a fisiologia humana e dos animais infelizmente ainda usados como "cobaias" pelos pseudo-cientistas claramente impedem a obtenção de dados confiáveis, sendo necessária a implementação de técnicas que não se fundamentem neste tipo de tortura e falácia, responsável por grandes atrasos na medicina aplicada e pela morte e tortura de incontáveis milhares de seres sencientes.

 INFORME-SE. 

  Avanços Médico-Científicos SEM a Experimentação em Animais:

 01) Descoberta da relação entre colesterol e doenças cardíacas.

 02) Descoberta da relação entre o hábito de fumar e o câncer, e a nutrição e câncer.

 03) Descoberta da relação entre hipertensão e ataques cardíacos.

 04) Descoberta das causas de traumatismos e os meios de prevenção.

 05) Elucidação das muitas formas de doenças respiratórias.

 06) Isolamento do vírus da AIDS.

 07) Descoberta dos mecanismos de transmissão da AIDS.

 08) Descoberta da penicilina e seus efeitos terapêuticos em várias doenças. 

09) Descoberta do Raio-X.

 10) Desenvolvimento de drogas anti-depressivas e anti-psicóticas.

 11) Desenvolvimento de vacinas, como a febre amarela.

 12) Descobrimento da relação entre exposição química e seus efeitos nocivos.

 13) Descoberta do Fator RH humano.

 14) Descoberta do mecanismo de proteína química nas células, incluindo substâncias nucléicas.

 15) Desenvolvimento do tratamento hormonal para o câncer de próstata.

 16) Descoberta dos processos químicos e fisiológicos do olho.

 17) Interpretação do código genético e sua função na síntese de proteínas.

 18) Descoberta do mecanismo de ação dos hormônios.

 19) Entendimento da bioquímica do colesterol e "hipercolesterolemia" familiar.

 20) Produção de "humulina", cópia sintética da insulina humana, que causa menos reações alérgicas.

 21) Entendimento da anatomia e fisiologia humana.


Fonte: "Physicians Committee for Responsible Medicine"