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domingo, 12 de fevereiro de 2012
50 Consequências Fatais em Humanos da Experimentação em Animais - compilação
Pequeno apanhado de "experiências" realizadas com animais que tiveram consequências fatais para humanos
fonte de referência em português: PEA: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/index.htm#50
A compilação feita abaixo PROVA, além de qualquer argumento, que os pseudo-resultados e a coleta de dados que derivam da TORTURA e CHACINA de animais em "pesquisas", não fornecem sequer resultados confiáveis ou fidedignos do ponto de vista da saúde humana.
Trata-se, portanto, de um CRIME SEM QUALQUER JUSTIFICATIVA, nem sequer a da confiabilidade dos resultados obtidos a partir deste HOLOCAUSTO GENOCIDA, ainda legalizado e "tornado necessário e obrigatório" pelos interesses milionários de alguns.
50 Consequências Fatais da Experimentação em Animais
01) Pensava-se que fumar não provocava câncer, porque câncer relacionado ao fumo é difícil de ser reproduzido em animais de laboratório. As pessoas continuam fumando e morrendo de câncer. (2)
02) Embora haja evidências clínicas e epidemiológicas de que a exposição à benzina causa leucemia em humanos, a substância não foi retida como produto químico industrial. Tudo porque testes apoiados pelos fabricantes para reproduzir leucemia em camundongos a partir da exposição à benzina falharam. (1)
03) Experimentos em ratos, hamsters, porquinhos-da-índia e macacos não revelaram relação entre fibra de vidro e câncer. Não até 1991, quando, após estudos em humanos, a OSHA - Occupational, Safety and Health Administration - os rotulou de cancerígenos (1)
04) Apesar de o arsênico ter sido reconhecido como substância cancerígena para humanos por várias décadas, cientistas encontraram poucas evidências em animais. Só em 1977 o risco para humanos foi estabelecido (6), após o câncer ter sido reproduzido em animais de laboratório. (7) (8) (9)
05) Muitas pessoas expostas ao amianto morreram, porque cientistas não conseguiram produzir câncer pela exposição da substância em animais de laboratório.
06) Marca-passos e válvulas para o coração tiveram seu desenvolvimento adiado, devido a diferenças fisiológicas entre humanos e os animais para os quais os aparelhos haviam sido desenhados.
07) Modelos animais de doenças cardíacas falharam em mostrar que colesterol elevado e dieta rica em gorduras aumentam o risco de doenças coronárias. Em vez de mudar hábitos alimentares para prevenir a doença, as pessoas mantiveram seus estilos de vida com falsa sensação de segurança.
08) Pacientes receberam medicamentos inócuos ou prejudiciais à saúde, por causa dos resultados de modelos de derrame em animais.
09) Erroneamente, estudos em animais atestaram que os Bloqueadores Beta não diminuiriam a pressão arterial em humanos, o que evitou o desenvolvimento da substância (10) (11) (12).
Até mesmo os vivisseccionistas admitiram que os modelos de hipertensão em animais falharam nesse ponto. Enquanto isso, milhares de pessoas foram vítimas de derrame.
10) Cirurgiões pensaram que haviam aperfeiçoado a Keratotomia Radial (cirurgia para melhorar a visão) em coelhos, mas o procedimento cegou os primeiros pacientes humanos. Isso porque a córnea do coelho tem capacidade de se regenerar internamente, enquanto a córnea humana se regenera apenas superficialmente. Atualmente, a cirurgia é feita apenas na superfície da córnea humana.
11) Transplantes combinados de coração e pulmão também foram "aperfeiçoados" em animais, mas os primeiros três pacientes morreram nos 23 dias subseqüentes à cirurgia (13). De 28 pacientes operados entre 1981 e 1985, 8 morreram logo após a cirurgia, e 10 desenvolveram Bronquiolite Obliterante , uma complicação pulmonar que os cães submetidos aos experimentos não contraíram. Dos 10, 4 morreram e 3 nunca mais conseguiram viver sem o auxílio de um respirador artificial. Bronquiolite obliterante passou a ser o maior risco da operação (14)
12) Ciclosporin A inibe a rejeição de órgãos e seu desenvolvimento foi um marco no sucesso dos transplantes. Se as evidências irrefutáveis em humanos não tivessem derrubado as frágeis provas obtidas com testes em animais, a droga jamais teria sido liberada. (15)
13) Experimentos em animais falharam em prever toxidade nos rins do anestésico geral metoxyflurano. Muitas pessoas que receberam o medicamento perderam todas as suas funções renais.
14) Testes em animais atrasaram o início da utilização de relaxantes musculares durante anestesia geral.
15) Pesquisas em animais não revelaram que algumas bactérias causam úlceras, o que atrasou o tratamento da doença com antibióticos.
16) Mais da metade dos 198 medicamentos lançados entre 1976 e 1985 foram retirados do mercado ou passaram a trazer nas bulas efeitos colaterais, que variam de severos a imprevisíveis (16). Esses efeitos incluem complicações como disritmias letais, ataques cardíacos, falência renal, convulsões, parada respiratória, insuficiência hepática e derrame, entre outros.
17) Flosin (Indoprofeno), medicamento para artrite, testado em ratos, macacos e cães, que o toleraram bem. Algumas pessoas morreram após tomar a droga. 1
18) Zelmid, um antidepressivo, foi testado sem incidentes em ratos e cães. A droga provocou sérios problemas neurológicos em humanos.
19) Nomifensina, um outro antidepressivo, foi associado a insuficiência renal e hepática, anemia e morte em humanos. Testes realizados em animais não apontaram efeitos colaterais.
20) Amrinone, medicamento para insuficiência cardíaca, foi testado em inúmeros animais e lançado sem restrições. Humanos desenvolveram trombocitopenia, ou seja, ausência de células necessárias para coagulação.
21) Fialuridina, uma medicação antiviral, causou danos no fígado de 7 entre 15 pessoas. Cinco acabaram morrendo e as outras duas necessitaram de transplante de fígado. (17) A droga funcionou bem em marmotas. (18) (19)
22) Clioquinol, um antidiarréico, passou em testes com ratos, gatos, cães e coelhos. Em 1982 foi retirado das prateleiras em todo o mundo após a descoberta de que causa paralisia e cegueira em humanos.
23) A medicação para a doença do coração Eraldin provocou 23 mortes e casos de cegueira em humanos, apesar de nenhum efeito colateral ter sido observado em animais. Quando lançado, os cientistas afirmaram que houve estudos intensivos de toxidade em testes com cobaias. Após as mortes e os casos de cegueira, os cientistas tentaram sem sucesso desenvolver em animais efeitos similares aos das vítimas. (20)
24) Opren, uma droga para artrite, matou 61 pessoas. Mais de 3500 casos de reações graves têm sido documentados. Opren foi testado sem problemas em macacos e outros animais.
25) Zomax, outro medicamento para artrite, matou 14 pessoas e causou sofrimento a muitas.
26) A dose indicada de isoproterenol, medicamento usado para o tratamento de asma, funcionou em animais. Infelizmente, foi tóxico demais para humanos, provocando na Grã-Bretanha a morte de 3500 asmáticos por overdose. Os cientistas ainda encontram dificuldades de reproduzir resultados semelhantes em animais. (21) (22) (23) (24) (25) (26)
27) Metisergide, medicamento usado para tratar dor de cabeça, provoca fibrose retroperitonial ou severa obstrução do coração, rins e veias do abdômen. (27) Cientistas não estão conseguindo reproduzir os mesmos efeitos em animais. (28)
28) Suprofen, uma droga para artrite, foi retirada do mercado quando pacientes sofreram intoxicação renal. Antes do lançamento da droga, os pesquisadores asseguraram que os testes tiveram (29) (30) "perfil de segurança excelente, sem efeitos cardíacos, renais ou no SNC (Sistema Nervoso Central) em nenhuma espécie".
29) Surgam, outra droga para artrite, foi designada como tendo fator protetor para o estômago, prevenindo úlceras, efeito colateral comum de muitos medicamentos contra artrite. Apesar dos resultados em testes feitos em animais, úlceras foram verificadas em humanos (31) (32).
30) O diurético Selacryn foi intensivamente testado em animais. Em 1979, o medicamento foi retirado do mercado depois que 24 pessoas morrerem por insuficiência hepática causada pela droga. (33) (34)
31) Perexilina, medicamento para o coração, foi retirado do mercado quando produziu insuficiência hepática não foi prognosticada em estudos com animais. Mesmo sabendo que se tratava de um tipo de insuficiência hepática específica, os cientistas não conseguiram induzi-la em animais. (35)
32) Domperidone, droga para o tratamento de náusea e vômito, provocou batimentos cardíacos irregulares em humanos. Cientistas não conseguiram produzir o mesmo efeito em cães, mesmo usando uma dosagem 70 vezes maior. (36) (37)
33) Mitoxantrone, usado em um tratamento para câncer, produziu insuficiência cardíaca em humanos. Foi testado extensivamente em cães, que não manifestaram os mesmos sintomas. (38) (39)
34) A droga Carbenoxalone deveria prevenir a formação de úlceras gástricas, mas causou retenção de água a ponto de causar insuficiência cardíaca em alguns pacientes. Depois de saber os efeitos da droga em humanos, os cientistas a testaram em ratos, camundongos, macacos e coelhos, sem conseguirem reproduzir os mesmos sintomas. (40) (41)
35) O antibiótico Clindamicyn é responsável por uma condição intestinal em humanos chamada colite pseudomembranosa. O medicamento foi testado em ratos e cães, diariamente, durante um ano. As cobaias toleraram doses 10 vezes maiores que os seres humanos. (42) (43) (44)
36) Experiências em animais não comprovaram a eficácia de drogas como o valium, durante ou depois de seu desenvolvimento (45) (46)
37) A companhia farmacêutica Pharmacia & Upjohn descontinuou testes clínicos dos comprimidos de Linomide (roquinimex) para o tratamento de esclerose múltipla, após oito dos 1200 pacientes sofrerem ataques cardíacos em consequência da medicação. Experimentos em animais não previram esse risco.
38) Cylert (pemoline), um medicamento usado no tratamento de Déficit de Atenção/Hiperatividade, causou insuficiência hepática em 13 crianças. Onze delas ou morreram ou precisaram de transplante de fígado.
39) Foi comprovado que o Eldepryl (selegilina), medicamento usado no tratamento de Doença de Parkinson, induziu um grande aumento da pressão arterial dos pacientes. Esse efeito colateral não foi observado em animais, durante o tratamento de demência senil e desordens endócrinas.
40) A combinação das drogas para dieta fenfluramina e dexfenfluramina - ligadas a anormalidades na válvula do coração humano - foram retiradas do mercado, apesar de estudos em animais nunca terem revelado tais anormalidades. (47)
41) O medicamento para diabetes troglitazone, mais conhecido como Rezulin, foi testado em animais sem indicar problemas significativos, mas causou lesão de fígado em humanos. O laboratório admitiu que ao menos um paciente morreu e outro teve que ser submetido a um transplante de fígado. (48)
42) Há séculos a planta Digitalis tem sido usada no tratamento de problemas do coração. Entretanto, tentativas clínicas de uso da droga derivada da Digitalis foram adiadas porque a mesma causava pressão alta em animais. Evidências da eficácia do medicamento em humanos acabaram invalidando a pesquisa em cobaias. Como resultado, a digoxina, um análogo da Digitalis, tem salvo inúmeras vidas. Muitas outras pessoas poderiam ter sobrevivido se a droga tivesse sido lançada antes. (49) (50) (51) (52)
43) FK506, hoje chamado Tacrolimus, é um agente anti-rejeição que quase ficou engavetado antes de estudos clínicos, por ser extremamente tóxico para animais. (53) (54) Estudos em cobaias sugeriram que a combinação de FK506 com cyclosporin potencializaria o produto. (55) Em humanos ocorreu exatamente o oposto. (56)
44) Experimentos em animais sugeriram que os corticosteróides ajudariam em casos de choque séptico, uma severa infecção sang¸ínea causada por bactérias. (57) (58). Em humanos, a reação foi diferente, tendo o tratamento com corticosteróides aumentado o índice de mortes em casos de choque séptico. (59)
45) Apesar da ineficácia da penicilina em coelhos, Alexander Fleming usou o antibiótico em um paciente muito doente, uma vez que ele não tinha outra forma de experimentar. Se os testes iniciais tivessem sido realizados em porquinhos-da-índia ou em hamsters, as cobaias teriam morrido e talvez a humanidade nunca tivesse se beneficiado da penicilina. Howard Florey, ganhador do Premio Nobel da Paz, como co-descobridor e fabricante da penicilina, afirmou: "Felizmente não tínhamos testes em animais nos anos 40. Caso contrário, talvez nunca tivéssemos conseguido uma licença para o uso da penicilina e, possivelmente, outros antibióticos jamais tivessem sido desenvolvidos.
46) No início de seu desenvolvimento, o flúor ficou retido como preventivo de cáries, porque causou câncer em ratos. (60) (61) (62)
47) As perigosas drogas Talidomida e DES foram lançadas no mercado depois de serem testadas em animais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram com o resultado (*nota do tradutor: A Talidomina foi desenvolvida em 1954 destinada a controlar ansiedade, tensão e náuseas. Em 1957 passou a ser comercializada e em 1960 foram descobertos os efeitos teratogênicos provocados pela droga, quando consumida por gestantes: durante os 3 primeiros meses de gestação interfere na formação do feto, provocando a focomelia que é o encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando-os semelhantes aos de focas.)
48) Pesquisas em animais produziram dados equivocados sobre a rapidez com que o vírus HIV se reproduz. Por causa do erro de informação, pacientes não receberam tratamento imediato e tiveram suas vidas abreviadas.
49) De acordo com o Dr. Albert Sabin, pesquisas em animais prejudicaram o desenvolvimento da vacina contra o pólio. A primeira vacina contra pólio e contra raiva funcionou bem em animais, mas matou as pessoas que receberam a aplicação.
50) Muitos pesquisadores que trabalham com animais ficam doentes ou morrem devido à exposição a microorganismos e agentes infecciosos inofensivos para animais, mas que podem ser fatais para humanos, como por exemplo o vírus da Hepatite B.
Tempo, dinheiro e recursos humanos devotados aos experimentos com animais poderiam ter sido investidos em pesquisas com base em humanos.
Estudos clínicos, pesquisas in-vitro, autópsias, acompanhamento da droga após o lançamento no mercado, modelos computadorizados e pesquisas em genética e epidemiologia não apresentam perigo para os seres humanos e propiciam resultados precisos.
Importante salientar que experiências em animais têm exaurido recursos que poderiam ter sido dedicados à educação do público sobre perigos para a saúde e como preservá-la, diminuindo assim a incidência de doenças que requerem tratamento.
Experimentação Animal não faz sentido.
A prevenção de doenças e o lançamento de terapias eficazes para seres humanos está na ciência que tem como base os seres humanos.
Referências: 1.Sax, N. Cancer-causing Chemicals Van Nostrand 1981 2.Lancet, June 25, 1977 p1348-9 3.The Guardian, July 20, 1991 4.Occupational Lung Disorders, Butterworth 1982 5.Toxicology & Industrial Health, 1990, vol.6, p293-307 6.J Nat Cancer Inst 1969, vol.42, 1045-52 7.Br J Cancer, 1947, vol.1, p 192-251 8.Advances in Modern Toxicology, vol.2, Wiley, 1977 9.J Nat Cancer Inst, 1962, vol.5, p 459 10. Fitzgerald, D. The development of new cardiovascular drugs in Recent Developments in Cardiovascular Drugs eds. Coltart and Jewitt, Churchill Livingstone 1981 11.Perspectives in Biology & Medicine, 1980 Part 2, S9-S24 12.Pharmacy International Feb. 1986; p33-37 13.Lancet, i, p 130-2, 1983 14.Lancet, 1, no. 8480 p 517-9, March 8, 1996 15.Annals of Internal Medicine 1984, vol.101, 667-682 16.GAO/PEMD-90-15 FDA Drug Review: Postapproval Risks 1976-1985 17.NEJM 333;1099-1105, 1995 18.J NIH Res, 1993, 5, 33-35 19. Nature, 1993, July 22, p 275 20. Nature, 1982, April 1, p 387-90 and Br Med J, 1983, Jan 15, p 199-202 and Drug Monitoring, 1977 and Pharmacologist, 1964, vol. 6, p 12-26 and Pharmacology: Drug Actions and Reac and Advances in Pharm, 1963, vol. 2, 1-112 and Nature, 1982, April 1, p 387-390 21.Pharmacologist, 1971, vol.18, p 272 22.Br J of Pharm 1969Vol. 36; p35-45 23.Inman, W. H. Monitoring for Drug Safety, MTP Press, 1980 24.Am Rev Resp Diseases, 1972, vol.105, p883-890 25.Lancet, 1979, Oct.27, p 896 26.Toxicology and Applied Pharmacology 1965, vol. 7; p1-8 27.Animal Toxicity Studies: Their Relevance for Man, Quay Pub. 1990 28.Br Med J, 1974, May 18, p 365-366 29.Drug Withdrawl from Sale PJB Publications, 1988 30.Pharmacology, 1983, vol.27(suppl 1), 87-94 and FDA Drug Review: Postapproval Risks 1976-1985 (US GAO April 1990 31.Gut, 1987, vol.28, 515-518 32.Lancet, Jan 10, 1987, 113-114 33.Toxicolo Letters, 1991, vol.55, p 287-93 34.Drug Withdrawl from Sale, PJB1988 35.Reg Tox & Pharm,1990,vol.11,288-307 and Postgraduate Med J, 1973, vol.49, April Suppl., 125-129 and 130 36. Drugs, 1982, vol.24, p 360-400 37. Animal Toxicity Studies Quay, 1990 38. Lancet, 1984, July 28, p 219-220 39. Matindale: The Extra Pharmacopoeia, 29th edition, Pharmaceutical Press, 1989) 40. Br Nat Form, no.26, 1993 41. Reg Tox & Pharm, 1990, vol.11, p 288-307 42. Br Med J, 1983, Jan 15, p 199-202 43. Br Nat Form, no.26, 1993 44.Tox & Appl Pharm, 1972, vol. 21, p 516-531 45. The Benzodiazepines MTP Press1978 46. Drugs and Therapeutics Bulletin,1989, vol.27, p 28 47. as quoted in Activate For Animals Oct. 1997 The American Antivivisection Society 48. Parke-Davis letter dated Oct. 31, 1996 49. Sneader, W. Drug Discovery: The Evolution of Modern Medicine Wiley, 1985 50. Lewis, T. Clinical Science Shaw & Sons Ltd. 1934 51. Federation Proceedings 1967, vol.26, 1125-30 52. Toxicology In Vitro 1992, vol.6, 47-52 53. JAMA, 1990, April 4, p1766 54. Lancet,1989, July 22, p 227 55. Lancet, 1989, Oct 28, p1000-1004 56.Hepatology,1991, vol.13, 1259-1260 57.Drugs and Therapeutics Bulletin, 1990, vol.28, p 74-75 58. Anesthesiology: Proceedings of the VI World Congress of Anesthesiology, Mexico City 1977 59. NEJM, 1987, Sep. 10, p 653-658 60. The Causes of Cancer, 1981, Oxford Press 61. J NIH Res, 1991, vol.3, p46 62. Nature, 1991, Feb 28, p732 Fonte: Americans for Medical Advancement Quem deseja conhecer os meandros e bastidores escusos do uso científico de animais, não pode deixar de ler este livro. Seus autores, os biólogos Sergio Greif e Thales Tréz, são os maiores conhecedores do assunto no Brasil. O livro com depoimentos de pessoas de grande notoriedade, entre elas o Dr. Ivo Pitanguy: A Verdadeira Face da Experimentação Animal http://www.facebook.com/photo.php?fbid=157415660945248&set=a.155551234465024.31186.153177141369100
Ciência Ética - por Sérgio Greif
Renomado internacionalmente, Sergio Greif é ainda pouco conhecido em seu próprio país natal, o Brasil.
Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.
Vamos dar sequência à postagem de alguns de seus artigos, dedicados à discussão da vivissecção e da experimentação animal. Acredito que o nosso acesso a este material informativo de alta qualidade, constitui parte do subsídio teórico de que necessitamos para "estofar" nossa indignação e estabelecermos claramente o REPÚDIO a estas práticas fraudlentas, antiéticas e anti-producentes, do ponto de vista do desenvolvimento de uma ciência de boa qualidade.
- Ciência Ética - por Sérgio Greif
Certa vez uma amiga questionou em um programa de televisão “Eu só quero saber, por que que a ciência não pode ser ética?”. Embora essa não fosse uma pergunta retórica, e tenha sido repetida três ou quatro vezes durante o programa, ela ficou sem resposta por parte de seus interlocutores, praticantes de vivissecção.
Vivissecção, literalmente “cortar vivo”, é um termo genericamente usado para se referir à experimentação com animais. Diferente de seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos e, independente do fato de serem mais ou menos inteligentes, animais são organismos sencientes (ou seja, organismos dotados de sentimentos e sensações).
Todo organismo senciente tem interesses, e independente de quais sejam os interesses individuais particulares de cada espécie, todas partilham um interesse comum que é o de fugir ao sofrimento e á morte e buscar uma sobrevivência compatível com sua natureza. O confinamento de animais ou sua utilização para finalidades distintas daquelas para as quais o animal naturalmente se desenvolveu, sua submissão, seu subjugo, a aplicação de qualquer ação prejudicial ao indivíduo que seja, vão de encontro aos interesses desse indivíduo.
A utilização de animais em experimentos vai de encontro aos interesses particulares desses animais. E então retornamos à pergunta: “Por que que a ciência não pode ser ética?”. A resposta para a pergunta é que a ciência não apenas pode ser ética, a ciência deve ser ética. A ética é pressuposto da boa ciência e a ciência deve estar acima de tudo condicionada à ética.
Quando Louis Pasteur solicitou a D. Pedro que cedesse prisioneiros brasileiros para serem usados como cobaias em seus experimentos, D. Pedro cortesmente recusou. À época não havia legislação que formalmente proibisse a utilização de seres humanos como cobaias. Apesar disso, e da alegação de possíveis benefícios que poderiam advir desses experimentos, a idéia de pegar um ser humano saudável e utiliza-lo contra sua vontade em um experimento era extremamente repulsiva para o regente. E isso era verdadeiro mesmo considerando que as cobaias em questão seriam a “escória da sociedade”.
Em outro exemplo, mais recente, temos o histórico dos experimentos nazistas. Não é o caso, mas ainda que os experimentadores tivessem uma invejável formação científica, que seguissem protocolos experimentais amplamente aceitos e que tivessem por objetivo fazer avançar o conhecimento humano acerca de determinado tópico, não poderíamos considerar que o que se praticou em campos de concentração fosse boa ciência.
O questionamento está acima do questionamento metodológico ou da finalidade dos experimentos. É muito anterior e mais urgente. Faz-se necessário questionar o objeto de estudo, os meios que se utilizou para chegar àqueles fins. A ciência nazista não seria boa ciência nem que 60 anos depois pudéssemos considerá-la útil. Foi inútil, mas mesmo que tivesse sido o contrário continuaria questionável.
E pouco importaria se os advogados de defesa no julgamento de Nuremberg lançassem mão de argumentos referentes à possível utilidade daqueles experimentos, e quantas pessoas poderiam se beneficiar dos mesmos no futuro, porque nada apaga o fato de que aquelas pessoas não deveriam ter sido utilizadas como cobaias.
Note-se, portanto, que quando trabalhamos com casos de experimentação anti-ética em seres humanos não estamos prontos a aceitar argumentos utilitaristas, sobre o pequeno número de vidas que precisaram ser sacrificadas para beneficiar tantas outras. Isso porque o pensamento utilitarista contraria os direitos individuais.
É impensável, por exemplo, que se proponha como solução para deter o avanço da AIDS a eliminação de todos os portadores do vírus HIV. Embora essa medida fosse provavelmente efetiva para atingir essa finalidade, o preço em vidas torna-a inaceitável. Citando Cícero “A mera idéia de que uma coisa cruel possa ser útil e já por si imoral”.
Vemos, portanto, que a ética está acima de qualquer coisa que possamos considerar como sendo “ciência”, e que, pelo menos para o caso da experimentação com seres humanos, não se pode aceitar a argumentação de que o número de pessoas que precisariam ser sacrificadas é pequeno quando comparado com o número de pessoas que seriam beneficiadas com os experimentos.
Quando pensamos em termos humanos, em pleno século XXI, não podemos aceitar que experimentos forçados sejam realizados nem mesmo com cidadãos que tiveram seus direitos cassados, com cidadãos mal-quistos pela sociedade. Não podemos aceitar argumentos referentes à formação inquestionável do experimentador. Não podemos aceitar argumentos referentes ao suporte legal de tais experimentos (tomemos como exemplo as leis da Alemanha nazista para saber que leis nem sempre são éticas).
Por que com animais seria diferente? A resposta está no fato de que embora animais sejam amplamente reconhecidos como criaturas sencientes, a sociedade não aceita que animais tenham direitos. E se não aceita é porque se beneficia dessa não aceitação. Em épocas não muito remotas não se reconhecia os direitos das mulheres ou de outros povos, de outras raças, mas a falta de reconhecimento desses direitos individuais sempre careceu de boa argumentação.
Seja uma explicação religiosa, seja uma explicação fundamentada em um mito ou em uma característica que de fato não deveria ser considerada na atribuição de direito, hoje esses argumentos não servem mais para diferenciar homens e também não deveriam servir para fazer distinção entre homens e animais.
Feitas essas considerações, resta-nos agora analisar o discurso que defende o uso de animais como cobaias de laboratório. Basicamente, todo esse discurso se baseia na idéia de que experimentos com animais beneficiam seres humanos. Oportunamente esse argumento será combatido com base nas diferenças fisiológicas existentes entre os diferentes organismos, de diferentes espécies, bem como no método per se, que parte do pressuposto de que doenças recriadas de maneira artificial são de fato a doença.
No entanto, por hora aceitemos que a idéia de que experimentos com animais são necessários é verdadeira, e analisemos esses experimentos pelo ponto de vista da ética. É fato que a maior parte dos seres humanos irá preferir matar um rato ou um cão a matar um homem. A discussão não deveria se desviar para esse fato, porque não se trata aqui de “matar” esse ou aquele ser, mas de tentar salvar a vida de um utilizando o outro como mero recurso.
Certamente prefiro a vida de meu filho à vida do filho de meu vizinho, isso não me dá o direito de utilizar o filho de meu vizinho como recurso para salvar a vida de meu filho. É natural que em uma situação extrema escolhamos pela vida daqueles por quem temos mais afinidade, é diferente de matar ativamente aqueles por quem temos menos afinidade.
Frequentemente escutam-se questionamentos de pessoas favoráveis à vivissecção que lançam mão de metáforas para tentar desconstruir argumentos em favor dos direitos animais. Uma metáfora bastante recorrente é a de quem prefiriria-se salvar de um naufrágio, uma criança ou um cão (ou um rato). Essa metáfora não tem nenhum propósito, ela nada tem a ver com vivissecção, porque aqui não se trata em precisar escolher entre duas vidas que estão em perigo. Trata-se de uma vida em perigo e outra que nada tem a ver com o assunto.
Para que a metáfora do afogamento servisse para expressar o que se passa na vivissecção o cenário deveria contemplar uma pessoa se afogando no mar e outra, de um barco, atirando um rato na água. A cena é surreal mas expressa exatamente o que se passa na ciência. Pois não há uma explicação clara para se atirar o rato ao mar, nem pode-se explicar de que forma isso salvará o homem que se afoga, mas todos concordam que é melhor ter um rato do que um homem se afogando. A ironia é que o rato não pode salvar o homem e por fim ambos se afogam.
Preferir não significa conferir mais direitos. Podemos em um naufrágio preferir salvar a um amigo em detrimento de uma outra pessoa, desconhecida. Porque fizemos essa escolha não quer dizer que prejudicamos a outra pessoa, apenas não tivemos condição de ajudá-la. O caso é diferente de ativamente prejudicarmos um desconhecido para ajudarmos a um conhecido, como seria o caso, por exemplo, de retirarmos seus órgãos vitais para favorecermos uma vida que para nós é mais preciosa.
No primeiro caso (do naufrágio) não estamos negligenciando o direito da pessoa à vida; no segundo (do roubo de órgãos vitais) estamos nítida e ativamente contrariando um direito individual. No primeiro caso não é uma questão de anti-ética, no segundo sim.
Embora utilizemos critérios pessoais para definir de quais seres humanos gostamos e de quais não gostamos, isso nada tem a ver com o valor inerente dos indivíduos. Pelo ponto de vista da ética todos possuem o mesmo valor inerente e gozam, portanto, dos mesmos direitos. Assim também deve ser em relação aos animais.
Determinado ser humano pode considerar que a vida de um rato não vale nada; que o rato vale os R$ 5,00 que foram pagos por ele; que o rato não é uma criatura em extinção e que portanto sua morte não fará falta ou qualquer outro pensamento que possa se passar. Mas o fato é que essa estrutura de pensamento ignora que cada ser senciente é um individuo e que portanto goza de direitos inalienáveis.
Comparativamente, não faz muito mais de 100 anos que seres humanos podiam ser comprados por alguns contos de réis; e se a existência de muitos exemplares fosse condição para ignorar direitos individuais quanto valeria a vida de um chinês?
É claro que colocar valor em uma vida senciente é contrariar a ética. O valor da vida de um ser senciente não pode ser mensurado, não importa o que digam nossos costumes. A ética está acima do espírito do tempo. Ela está acima das leis que governam os povos. As leis podem, em determinada época, afirmar o direito de possuir escravos, de saquear vizinhos ou crucificar inimigos. Embora as leis digam que se pode fazer isso, a ética sempre dirá que não se pode.
Independente de considerarmos ratos animais simpáticos ou criaturas desprezíveis, matá-los será sempre errado. Isso porque certo ou errado nada tem a ver com nossas preferências particulares.
O debate ético não é uma opção na ciência, sua presença é mandatória. Ele não deve envolver apenas acadêmicos e especialistas, mas principalmente leigos e pessoas não envolvidas com a academia. É curioso que no desespero de desviar o foco de atenção vivissectores lancem mão de seus títulos para desencorajar questionamentos.
É desnecessário que o vivissector leve para o debate seu currículo, seus títulos e sua experiência no exterior. No campo da ética toda essa formação é irrelevante. O debate ético antecede todo o desenho experimental. Não importava quantas especializações possuía Joseph Menguelle, e se seus projetos foram aprovadas por um Comitê de Ética do Campo de Auschwitz constituído de nazistas que obviamente não reconheciam os direitos de seus prisioneiros.
Qualquer debate relativo ao uso de animais em experimentos deve focar nos temas chave, quais sejam, o questionamento ético, fundamentado verdadeiramente nos direitos animais e o questionamento científico, fundamentado na boa ciência.
A presente coluna – Ciência Ética – foi inaugurada com um texto que enfoca os aspectos (anti-)éticos da experimentação animal. Em textos futuros continuaremos a tratar do assunto, mas incluiremos também material referente aos aspectos técnicos da experimentação animal, sobre métodos substitutivos e sobre a boa ciência.
Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”. Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.
Vamos dar sequência à postagem de alguns de seus artigos, dedicados à discussão da vivissecção e da experimentação animal. Acredito que o nosso acesso a este material informativo de alta qualidade, constitui parte do subsídio teórico de que necessitamos para "estofar" nossa indignação e estabelecermos claramente o REPÚDIO a estas práticas fraudlentas, antiéticas e anti-producentes, do ponto de vista do desenvolvimento de uma ciência de boa qualidade.
- Ciência Ética - por Sérgio Greif
Certa vez uma amiga questionou em um programa de televisão “Eu só quero saber, por que que a ciência não pode ser ética?”. Embora essa não fosse uma pergunta retórica, e tenha sido repetida três ou quatro vezes durante o programa, ela ficou sem resposta por parte de seus interlocutores, praticantes de vivissecção.
Vivissecção, literalmente “cortar vivo”, é um termo genericamente usado para se referir à experimentação com animais. Diferente de seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos e, independente do fato de serem mais ou menos inteligentes, animais são organismos sencientes (ou seja, organismos dotados de sentimentos e sensações).
Todo organismo senciente tem interesses, e independente de quais sejam os interesses individuais particulares de cada espécie, todas partilham um interesse comum que é o de fugir ao sofrimento e á morte e buscar uma sobrevivência compatível com sua natureza. O confinamento de animais ou sua utilização para finalidades distintas daquelas para as quais o animal naturalmente se desenvolveu, sua submissão, seu subjugo, a aplicação de qualquer ação prejudicial ao indivíduo que seja, vão de encontro aos interesses desse indivíduo.
A utilização de animais em experimentos vai de encontro aos interesses particulares desses animais. E então retornamos à pergunta: “Por que que a ciência não pode ser ética?”. A resposta para a pergunta é que a ciência não apenas pode ser ética, a ciência deve ser ética. A ética é pressuposto da boa ciência e a ciência deve estar acima de tudo condicionada à ética.
Quando Louis Pasteur solicitou a D. Pedro que cedesse prisioneiros brasileiros para serem usados como cobaias em seus experimentos, D. Pedro cortesmente recusou. À época não havia legislação que formalmente proibisse a utilização de seres humanos como cobaias. Apesar disso, e da alegação de possíveis benefícios que poderiam advir desses experimentos, a idéia de pegar um ser humano saudável e utiliza-lo contra sua vontade em um experimento era extremamente repulsiva para o regente. E isso era verdadeiro mesmo considerando que as cobaias em questão seriam a “escória da sociedade”.
Em outro exemplo, mais recente, temos o histórico dos experimentos nazistas. Não é o caso, mas ainda que os experimentadores tivessem uma invejável formação científica, que seguissem protocolos experimentais amplamente aceitos e que tivessem por objetivo fazer avançar o conhecimento humano acerca de determinado tópico, não poderíamos considerar que o que se praticou em campos de concentração fosse boa ciência.
O questionamento está acima do questionamento metodológico ou da finalidade dos experimentos. É muito anterior e mais urgente. Faz-se necessário questionar o objeto de estudo, os meios que se utilizou para chegar àqueles fins. A ciência nazista não seria boa ciência nem que 60 anos depois pudéssemos considerá-la útil. Foi inútil, mas mesmo que tivesse sido o contrário continuaria questionável.
E pouco importaria se os advogados de defesa no julgamento de Nuremberg lançassem mão de argumentos referentes à possível utilidade daqueles experimentos, e quantas pessoas poderiam se beneficiar dos mesmos no futuro, porque nada apaga o fato de que aquelas pessoas não deveriam ter sido utilizadas como cobaias.
Note-se, portanto, que quando trabalhamos com casos de experimentação anti-ética em seres humanos não estamos prontos a aceitar argumentos utilitaristas, sobre o pequeno número de vidas que precisaram ser sacrificadas para beneficiar tantas outras. Isso porque o pensamento utilitarista contraria os direitos individuais.
É impensável, por exemplo, que se proponha como solução para deter o avanço da AIDS a eliminação de todos os portadores do vírus HIV. Embora essa medida fosse provavelmente efetiva para atingir essa finalidade, o preço em vidas torna-a inaceitável. Citando Cícero “A mera idéia de que uma coisa cruel possa ser útil e já por si imoral”.
Vemos, portanto, que a ética está acima de qualquer coisa que possamos considerar como sendo “ciência”, e que, pelo menos para o caso da experimentação com seres humanos, não se pode aceitar a argumentação de que o número de pessoas que precisariam ser sacrificadas é pequeno quando comparado com o número de pessoas que seriam beneficiadas com os experimentos.
Quando pensamos em termos humanos, em pleno século XXI, não podemos aceitar que experimentos forçados sejam realizados nem mesmo com cidadãos que tiveram seus direitos cassados, com cidadãos mal-quistos pela sociedade. Não podemos aceitar argumentos referentes à formação inquestionável do experimentador. Não podemos aceitar argumentos referentes ao suporte legal de tais experimentos (tomemos como exemplo as leis da Alemanha nazista para saber que leis nem sempre são éticas).
Por que com animais seria diferente? A resposta está no fato de que embora animais sejam amplamente reconhecidos como criaturas sencientes, a sociedade não aceita que animais tenham direitos. E se não aceita é porque se beneficia dessa não aceitação. Em épocas não muito remotas não se reconhecia os direitos das mulheres ou de outros povos, de outras raças, mas a falta de reconhecimento desses direitos individuais sempre careceu de boa argumentação.
Seja uma explicação religiosa, seja uma explicação fundamentada em um mito ou em uma característica que de fato não deveria ser considerada na atribuição de direito, hoje esses argumentos não servem mais para diferenciar homens e também não deveriam servir para fazer distinção entre homens e animais.
Feitas essas considerações, resta-nos agora analisar o discurso que defende o uso de animais como cobaias de laboratório. Basicamente, todo esse discurso se baseia na idéia de que experimentos com animais beneficiam seres humanos. Oportunamente esse argumento será combatido com base nas diferenças fisiológicas existentes entre os diferentes organismos, de diferentes espécies, bem como no método per se, que parte do pressuposto de que doenças recriadas de maneira artificial são de fato a doença.
No entanto, por hora aceitemos que a idéia de que experimentos com animais são necessários é verdadeira, e analisemos esses experimentos pelo ponto de vista da ética. É fato que a maior parte dos seres humanos irá preferir matar um rato ou um cão a matar um homem. A discussão não deveria se desviar para esse fato, porque não se trata aqui de “matar” esse ou aquele ser, mas de tentar salvar a vida de um utilizando o outro como mero recurso.
Certamente prefiro a vida de meu filho à vida do filho de meu vizinho, isso não me dá o direito de utilizar o filho de meu vizinho como recurso para salvar a vida de meu filho. É natural que em uma situação extrema escolhamos pela vida daqueles por quem temos mais afinidade, é diferente de matar ativamente aqueles por quem temos menos afinidade.
Frequentemente escutam-se questionamentos de pessoas favoráveis à vivissecção que lançam mão de metáforas para tentar desconstruir argumentos em favor dos direitos animais. Uma metáfora bastante recorrente é a de quem prefiriria-se salvar de um naufrágio, uma criança ou um cão (ou um rato). Essa metáfora não tem nenhum propósito, ela nada tem a ver com vivissecção, porque aqui não se trata em precisar escolher entre duas vidas que estão em perigo. Trata-se de uma vida em perigo e outra que nada tem a ver com o assunto.
Para que a metáfora do afogamento servisse para expressar o que se passa na vivissecção o cenário deveria contemplar uma pessoa se afogando no mar e outra, de um barco, atirando um rato na água. A cena é surreal mas expressa exatamente o que se passa na ciência. Pois não há uma explicação clara para se atirar o rato ao mar, nem pode-se explicar de que forma isso salvará o homem que se afoga, mas todos concordam que é melhor ter um rato do que um homem se afogando. A ironia é que o rato não pode salvar o homem e por fim ambos se afogam.
Preferir não significa conferir mais direitos. Podemos em um naufrágio preferir salvar a um amigo em detrimento de uma outra pessoa, desconhecida. Porque fizemos essa escolha não quer dizer que prejudicamos a outra pessoa, apenas não tivemos condição de ajudá-la. O caso é diferente de ativamente prejudicarmos um desconhecido para ajudarmos a um conhecido, como seria o caso, por exemplo, de retirarmos seus órgãos vitais para favorecermos uma vida que para nós é mais preciosa.
No primeiro caso (do naufrágio) não estamos negligenciando o direito da pessoa à vida; no segundo (do roubo de órgãos vitais) estamos nítida e ativamente contrariando um direito individual. No primeiro caso não é uma questão de anti-ética, no segundo sim.
Embora utilizemos critérios pessoais para definir de quais seres humanos gostamos e de quais não gostamos, isso nada tem a ver com o valor inerente dos indivíduos. Pelo ponto de vista da ética todos possuem o mesmo valor inerente e gozam, portanto, dos mesmos direitos. Assim também deve ser em relação aos animais.
Determinado ser humano pode considerar que a vida de um rato não vale nada; que o rato vale os R$ 5,00 que foram pagos por ele; que o rato não é uma criatura em extinção e que portanto sua morte não fará falta ou qualquer outro pensamento que possa se passar. Mas o fato é que essa estrutura de pensamento ignora que cada ser senciente é um individuo e que portanto goza de direitos inalienáveis.
Comparativamente, não faz muito mais de 100 anos que seres humanos podiam ser comprados por alguns contos de réis; e se a existência de muitos exemplares fosse condição para ignorar direitos individuais quanto valeria a vida de um chinês?
É claro que colocar valor em uma vida senciente é contrariar a ética. O valor da vida de um ser senciente não pode ser mensurado, não importa o que digam nossos costumes. A ética está acima do espírito do tempo. Ela está acima das leis que governam os povos. As leis podem, em determinada época, afirmar o direito de possuir escravos, de saquear vizinhos ou crucificar inimigos. Embora as leis digam que se pode fazer isso, a ética sempre dirá que não se pode.
Independente de considerarmos ratos animais simpáticos ou criaturas desprezíveis, matá-los será sempre errado. Isso porque certo ou errado nada tem a ver com nossas preferências particulares.
O debate ético não é uma opção na ciência, sua presença é mandatória. Ele não deve envolver apenas acadêmicos e especialistas, mas principalmente leigos e pessoas não envolvidas com a academia. É curioso que no desespero de desviar o foco de atenção vivissectores lancem mão de seus títulos para desencorajar questionamentos.
É desnecessário que o vivissector leve para o debate seu currículo, seus títulos e sua experiência no exterior. No campo da ética toda essa formação é irrelevante. O debate ético antecede todo o desenho experimental. Não importava quantas especializações possuía Joseph Menguelle, e se seus projetos foram aprovadas por um Comitê de Ética do Campo de Auschwitz constituído de nazistas que obviamente não reconheciam os direitos de seus prisioneiros.
Qualquer debate relativo ao uso de animais em experimentos deve focar nos temas chave, quais sejam, o questionamento ético, fundamentado verdadeiramente nos direitos animais e o questionamento científico, fundamentado na boa ciência.
A presente coluna – Ciência Ética – foi inaugurada com um texto que enfoca os aspectos (anti-)éticos da experimentação animal. Em textos futuros continuaremos a tratar do assunto, mas incluiremos também material referente aos aspectos técnicos da experimentação animal, sobre métodos substitutivos e sobre a boa ciência.
Sérgio Greif é biólogo, mestre e ativista pelos direitos animais. Formado pela UNICAMP em 1998, é co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”. Entre outros assuntos, Sérgio se interessa por bioética, gestão de sistemas de saúde e métodos substitutivos ao uso de animais na ciência e ensino.
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